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Não sou gaivota

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Uma das coisas que me dá mais saudade são os passeios por Lisboa.
De Alfama, e sem ser de barco, chegava ao Castelo em minutos e punha a mão no Tejo em segundos. Sem falar da vista, que o alcançava em todas as janelas. E o que eu gostava daqueles cruzeiros estacionados no beiral da minha janela, com aquelas luzinhas amarelas e toda a gente em pé, no convés da chegada. O que eu adorava a percepção da sombra gigante a anunciar a partida. Tinha sempre poesia de todos os ângulos, quer fosse o trânsito dos navios, o voo paralisado das gaivotas contra o vento ou o tejo cinzento e amuado nos dias em que chovia. Este ano que aí vem vou procurar nova morada. Talvez não recupere o Tejo na minha janela, talvez tenha a sorte do rio desaguar num mar ainda maior, ou talvez abra a porta para um jardim esverdeado, permutado sem esforço à calçada lisboeta. Seja o que for e onde for é de ir. Gosto de fazer morada em várias moradas. E nunca me assustou a mudança, o que me assusta sempre é a paralisia lenta de ir permanecendo igual sabendo que não sou gaivota.

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Embaixador do Caraças

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Conheci o Ronaldo quando fui à Madeira com a Cristina para a célebre inauguração da estátua com o relevo mais proeminente da história portuguesa. É engraçado, porque o que mais me ficou, foi a reacção em êxtase das pessoas quando o Cristiano aparece na pequena arena madeirense, as aclamações enquanto subia os degraus para o palco, e o aumento substancial de volume quando ergue o braço para cumprimentar a audiência. Estava tão fixa naquele palco de gente e clamor, que levei uma cotovelada no ombro para ver se erguia a mandíbula descaída e começava a clicar. O Ronaldo tem 1,85 m, não é pouco, mas parece gigante. Acima de 1,80, 1,90, 2m, 3 m, tem aos nossos olhos a presença elevada à altura de um pequeno Deus.
Ainda hoje a Caetana reclama pelo autógrafo do nosso craque.
A verdade é que fiquei com vergonha de lhe pedir um rabisco no meu caderno. Não queria ir para a fila dos chatos mendigar para mim.
O assédio era tão grande, que o rapaz fixava mais os olhos nos papéis que lhe davam que nos olhos das pessoas que lhe pediam.
Para lá, de toda a inércia da discussão redonda em torno dos ordenados milionários vs mérito vs médicos vs cientistas, é indiscutível que o Cristiano é um embaixador do caraças do nosso pequeno País. E que os triunfos da sua carreira profissonal carregam o peso, não menos leve, da sua nacionalidade. Parabéns mais uma vez miúdo!
Aqui a portuguesa agradece.

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As tuas melhoras, pá!

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Estou doente. Não no sentido metafórico, de quem se sente indignado pela ineficácia de um estado democrático, nem pelo uso abusivo que em Portugal se faz das expressões “temporário”, “medida”, “preventivo” ou “coação”. Estou doente.
Estou com gripe. Uma gripe tão dura, que nem o arrebitar lento da justiça me desentope. Tusso com frequência, mas nem por isso me consigo libertar dos vírus da descrença, de que tudo o que se vê, é pouco para o que por cá se faz. Dói-me o corpo. Sinto-o corrompido pela vontade de se prostrar no sofá.
Quero branquear as minhas dores.
Sinto-me responsável. Sistémica. Tenho os ouvidos tão entupidos. Só queria puder libertar o meu capital de dor, e pô-lo a render lá fora, numa off shore. Longe do meu corpo, longe de mim.
Sinto o pescoço pesado, como se tivesse estado 72 horas num interrogatório sem puder usar os cotovelos. Tenho fome. Mas não consigo fazer pausas legais para comer. Só queria sair daqui para o sudoeste asiático num avião descaracterizado, a uma hora qualquer. Podia fazer disto segredo. Fingir que estou bem. Mas disseram-me que “xiuuuuu” é uma metáfora sibilina que se usa, antes de se contar. As tuas melhoras, pá!

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