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As Mães são sempre “Gigantes”

A última vez que fui mãe, em verbo imediato e parido, foi há quase 7 anos. E não tenho grandes memórias da minha gravidez. Não no sentido mau, do património acumulado, até mais, no sentido bom.
Foi tudo tão desejado e depois tão tranquilo, que nem os pontos que não levei, me ajudam a recordar, o preciso momento em que as minhas filhas saíram da minha barriga para o meu colo.
Tenho reminiscências de um ternura desmedida, da vontade que tinha de lhes conhecer as feições e de um “cagaço” sincero de tudo o que ia mudar, a minha vida, o meu corpo, o meu destino.
Hoje falei com a Mariana, que fotografei há uns meses, grávida de gémeos.
Numa conversa curtinha, recordei tudo o que nos enche quando o medo é sacudido pela força dessa nova presença.
Não fosse o regresso das loiras ao lar, e quase, quase, que invejava aquele momento, em que trazemos para casa um sonho multiplicado, uma equação pequenina que promete mudar tudo e um sentimento, que longe de se engasgar, vem selado para sempre.
Sempre gostei de fotografar grávidas, há uma paz tão serena, um poder tão grande.
A maioria julga-se enorme (de peso).
Eu, admiro-as da minha lente, gigantes (de pessoa) na condição soberana de mães.

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A (minha) VERDADE SEM EPIDURAL

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Às vezes pareço que vivo nas crónicas de Nárnia ou que estou barricada num filme da Disney. Não percebo a sucessão de espantos a propósito da princesa com o nome pomposo e o parto sobrenatural.
A minha filha Camila (só Camila) nasceu em 45 minutos de parto normal sem epidural. Não tive qualquer anestesia, nem um pontinho que marcasse o sofrimento de uma hora que não foi sofrida. Nem sinto que deva lamuriar-me do peso, com que não sai do hospital, porque engordei apenas 6.600 kg em toda a gravidez e a miúda nasceu com 3.200 kg.
E as minhas amigas ficaram felizes por mim. E as pessoas que sabiam quem eu era e não me conheciam também. Como acho que se fica feliz quando nasce o bebé de alguém. Enfim parece-me que é assim que funciona no planeta onde me puseram com um parto normal.
Não tive qualquer necessidade de escravizar a história do meu parto ou de mancha-la de acontecimentos dolorosos para gerar empatia. A verdade é que nem pensei nisso. As coisas acontecem como têm que acontecer. Não fui vítima, visada ou sortuda, fui eu.
Não faço ideia do que seja uma cesariana, 12 horas de parto ou uma sequência de contracções dolorosas. E não sou nem menos mulher, nem menos mãe, nem menos super. O meu parto não foi romântico, as luzes não ficaram ténues, os rostos esfumados, nem ouvi acórdãos celestiais. Também não me vi de toca verde, dobrada sobre o abdómen a mandar o médico à m*, enquanto cuspia os perdigotos do meu próprio suor.
Não foi o meu momento mais acético mas foi a dor com a maior recompensa que já tive.
Quando o médico regressou ao quarto eu já tinha ido a correr à casa de banho, encher-me de dignidade, um toque de autobronzeador, um rímel e um vestido comprido para puder andar com a barriga à vontade.
Não tive que ir acenar à comunicação social (grande frete) mas se tivesse que o fazer tinha levado opções de outfit e um alisador.
Cada um é o que pode nas circunstâncias que lhes são dadas a viver. Felizmente, quando tive a minha princesa era uma civil anónima, mais uma mãe feliz numa sala de partos, com um núcleo familiar composto à nossa espera. O médico disse-me que se quisesse podia ir para casa já, mas estava tão assustada com o plural da maternidade que lhe pedi que me desse uma folga, que me deixasse ficar quieta no quarto a fazer as vezes da mãe de uma. No fundo, eu sabia que quando a levasse num ovinho para casa, já seria a mãe galinha de dois pintos. Mas sei que se tivesse um séquito de ajuda à minha espera, tinha colocado os saltos, uma roupa engomada, o sorriso rasgado, e sairia tão airosa e feliz com uma princesa num conto de fadas.

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