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NÃO, NÃO ANDO A FAZER M*A.

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Hoje publiquei uma frase na cronologia do Pedro a dizer: “Saudades tuas”.
Recebi dois telefonemas: Uma amiga que perguntava se o Pedro estava fora e outra, que com ironia sarcástica (que só a a amizade longínqua permite) comentava: – Deves andar a fazer m*a para tanta declaração de amor.
Ri-me. Não. Respondi. Ando a “fazer bonito”. Estou crescida, rematei.
Sei que nunca fui pessoa de grandes declarações públicas de amor, com excepção honrosa ao sangue do meu sangue, nas pequeninas pessoas das minhas filhas. Mas o tempo passa, sabes. Vamo-nos tornando mais senhoras da nossa vida, proprietárias orgulhosas das nossas conquistas, soberanas no que sentimos, orgulhosas por dar, vaidosas de puder estender a partilha aos que gostamos. Ao principio, revia com desconfiança as frases, tudo parecia excessivo, meloso, até falso. Mas ao primeiro “Enter”, é como o lacre numa carta ida. Sabe tão bem, que chega a virar vício. Não me interessa quem diz que não ha pachorra para isso. O que já não tenho mais mesmo é pachorra para viver por menos. Não sei o dia de amanhã, nem me angustia que as palavras lançadas hoje possam perder sentido nas coisas que lho retiram. Hoje amo, hoje gosto, hoje sou e hoje sinto. E sem qualquer eminência que o passar do tempo condene o que o hoje dita, lanço-me sem filtros ao amanhã.
Não, não ando a fazer m*a. Repito.
A mesma com quem já feri, quem um dia esteve uns passos largos de confiança à minha frente.
E não me venham com histórias. Nada é mais falso que acreditar que a verdadeira juventude da vida esteja na rebeldia dos erros.
E se assim for, que venham daí todas as rugas da verdade. Porque hoje, tudo o que me parece excessivo é o que guardo sentido sem o dizer. “Saudades tuas”.

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“SER ALGUÉM”

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Ainda há muitos pais que se dirigem aos filhos utilizando a vulgarizada expressão: “Assim não vais ser ninguém na vida”.
E o que é mesmo ser alguém na vida?
Eliminando a hipótese mais romântica, que “o ser alguém na vida”, seria o “ser a vida de alguém”, o que é que nos resta?
O desempenho de uma séria de profissões socialmente aceites?
Uma educação colegial pautada por “Muitos Bons”, medalhas de mérito, aluno de quadro de honra, campeão das olimpíadas de matemática ou o vencedor do torneio europeu das composições?
Um advogado numa sociedade de renome, um engenheiro com um MBA a liderar uma multinacional ou um cientista bolseiro premiado nos EUA?
Sem desprimor para todo o brio que estes “seres de alguém” serão, e o consequente orgulho paterno-ó-maternal que o depósito frutuoso da nossa educação gera, não é nisto que penso quando desejo muito, que as minhas filhas, não sejam alguém, sejam apenas elas mesmas.
No limite, isto até pode parecer de um romantismo extremo, quase utópico, tipo frase de Instagram. Mas quando acresci ao ser mulher, o ser mãe, a única certeza que tinha era de que não queria impor modelos de sucesso às minhas filhas, que não queria viver obcecada com o “acima da média”, e que não queria repreende-las com advérbios de comparação ou classifica-las num ranking.
Não seria honesta, senão dissesse que me daria, tanto mais jeito que orgulho, que concluíssem o ensino obrigatório sem uma escolta de explicadores. Que me era muito conveniente que os seus hábitos de estudo contemplassem a auto-suficiência e o silêncio, e que adorava ser convocada à escola para ser agraciada apenas pela minha boa genética. Mas o que eu quero para elas, é mais ou menos o que sonhei para mim, que estivessem atentos às minhas capacidades, que me ajudassem a vencer os meus medos e que me aproximassem o mais possível das coisas que me faziam feliz.
E é isso que eu vou fazer com elas.
Dar-lhes as circunstâncias que as potenciem para lá da academia do saber. Dar-lhes todo o mundo que puder na minha disciplina do Estudo do meio. Aproxima-las do português da generosidade, do elogio, da motivação e do perdão. Vou tentar que vejam na matemática da vida a melhor equação, para que os seus denominadores comuns alcancem o melhor dos resultados.
Vou querer que vejam no céu estrelado do monte e nos pés descalços, a ciência mais pura do amor à terra em que vivem, e vou dar-lhes estradas, caminhos, terras e atalhos para explorarem os limites da sua educação física.
Tudo o resto eu deixo para a Escola formal.
Reservo-me o cuidado de regar à noite os sonhos.
Aqueles sonhos em que acredito.
Os que não nos acordam à noite no sobressalto do “sermos alguém”.

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HOJE FAÇO ANOS.

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E é só uma vez por ano que posso começar um texto assim.
Escolhi esta fotografia para ilustrar o dia, não só porque contem uva e porque amo vinho. Escolhi, porque contem promessa.
E nós somos sempre uma promessa por cumprir.
Não podemos escolher o local onde somos plantados, as pessoas que nos colhem, nem as mãos que nos vindimam pela primeira vez.
Mas podemos escolher a forma como queremos fermentar e o néctar que queremos ser. E isso é tudo.
Poucas pessoas tiveram tanta importância na minha vida, como aquelas que me habitam hoje.
Nunca tive tanta autoridade sobre o meu destino, nem tanto gosto em todas as escolhas que faço. Ainda não sou um Porto vintage mas aos poucos faço-me reserva.
Obrigado a todos os que me ajudaram a maturar, a ganhar corpo, força e persistência. Obrigado a todos aqueles que me sacaram as rolhas mais empedernidas e aos que beberam o depósito de mim.
Hoje já sou menos promessa. E olho para as minhas filhas com o orgulho de quem colhe o seu cacho de uvas na promessa do melhor tinto!
Parabéns Isabel, mereces!

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Teus critérios estéticos.

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Tiveste 1 hora e 20 minutos para tirares o cartão de cidadão.
Nesse tempo todo, tiraste 38 Fotografias que rejeitaste liminarmente, por não se encontrarem dentro dos teus critérios estéticos. Elevadíssimos, por sinal.
Foi difícil para a funcionária, perceber o cuidado com que te querias ver espelhada na tua documentação oficial, em vez da fotografia formatada de olhar estanque, “à bandido” como dizias tu.
Talvez fosse mais fácil, se ela soubesse que respiras fotografia e que depois das fotos que tiro, segue-se a selecção.
E que se seleccionam sempre as melhores. As que mais justiça fazem, a quem somos, como nos vemos e a quem nos damos a conhecer.
Mas podias não ter exagerado a seguir, utilizando o campo da assinatura para recriar o teu logotipo.
Simulando o teu “C” com o meu “S” dentro de um círculo fechado:) Enche-me de orgulho que transportes contigo as nossas referências, mas enche-me de pânico pensar que posso encontrar na fila da frente, alguém como tu:)))

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O momento

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Acho que é isto que define a vida e a fotografia: O momento.
E este momento define muito para mim.
O dedo tremeu, confesso.
Mas o amor que vos tenho, dá me a força que preciso para não vacilar, quando vejo à minha frente, tudo o que ambicionei para mim e para elas.
Eternamente grata.

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A menina loira que corre descalça no milharal.

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Adoro esta fotografia.
Prende-me. Fixa-me.
De certa forma até a invejo.
Nesta fotografia, eu queria ser a menina loira que corre descalça no milharal.
É fácil pensar que enquanto corre, ela está alheia a tudo…
Mas talvez ela já tenha tudo enquanto corre descalça no milharal.
E eu fotografo, participo com o clique, que congela o que já se fez vida.
E depois olho-a, e vivo outra vez, duas vezes, três vezes, com o orgulho do olhar, a inveja da criança que corre, e a adulta que vê a vida correr no milharal.

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Bora lá outra vez

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Isto é um tema recorrente: As famosas festas de Natal das crianças.

Ora, se a época é de paz e fraternidade, não encontro nada de fraterno na busca incessante de uma mãe atrás de um fato de ovelha. E um desenrascar caseiro, para uma não menos trajada, menina do povo. Os meus suores frios começam logo na recepção da circular da escola e só terminam no final do espectáculo, quando garanto no olhar entusiasmado das petizes que o desenrasque da mãe não a enrascou. Sai uma ovelha da Primak, e uma menina do povo com um top da Bershka, uns collants castanhos e um lenço na cabeça em tons laranja. Atravessa a cidade em tumulto, filma, fotografa, beija pais, beija crianças, cumprimenta auxiliares, dialoga com professoras, garante um lugar à frente e depois desloca-te em corrida lá para trás, quando as crianças saírem em debandada ladeados por todo um presépio de amigos.

Há que certificar que eles te viram, que comprovam e validam o brio com que conquistaste o teu lugar entre os progenitores, para os reivindicares orgulhosamente como filhos. Corre muito, ainda que te apeteça pouco, elogia em exagero porque eles só vão ouvir uma parte ínfima do amor que lhes atiramos, nos piropos de final de festa. E depois, elogia-lhes a graça dos gestos e o jeito, ainda que tivesses na vigésima fila de trás a enviar sms´s. Sabes que eles nunca vão adivinhar o esforço que fizeste para estar ali, a uma hora estupidamente difícil, até que estejam no teu papel. E quando isso acontecer, tu vais ser a avó da frente, que já não tem saco para sms´s e que tem tempo de sobra para garantir o lugar na fila da frente.

Faz parte do acordo geracional. Não vale a pena amuar com a vida, só porque ela nos lixa duas vezes por ano com as festas da filharada. Eu cá não gosto, e como não posso pedir dispensa, envio sms´s com fartura, corro que me canso, elogio que me farto, mas é no palco cá de casa que me desforro.

E para ter uma foto assim, dou de barato, a factura do cansaço de mais uma festinha de Natal:)

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Os milagres acontecem aos pares

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Há histórias que “me” impressionam e esta é sem dúvida uma delas.
Conheci a Débora e o André num dos meus Workshops de Fotografia. O André é médico e a Débora enfermeira. Lembro-me de ter mandado a piada quebra-gelo do cliché. Estavam tão apaixonados que só escreviam a uma mão. Entrelaçavam-se, anuíam e sorriam, como quem vai confirmando, em permanência, o amor que sente. Quando lancei o desafio das #filhasdamae no Facebook, recebi um email da Débora. Descobri que tinha sido mãe de gémeas e descobri que as deliciosas #filhasdamae decidiram vir ao mundo com 25 semanas. Sem qualquer lamechiche (que lhes era totalmente devida), contaram-me de forma resumida a história da batalha que travaram:

“Estávamos ainda em lua de mel, sim porque tínhamos casado há cerca de 4 meses, numas mini ferias no Norte quando vimos o anúncio do workshop, como ambos somos uns apaixonados pela fotografia e a Isabel sem duvida uma das nossas fotografas favoritas não hesitamos em nos candidatar, e assim tudo começou. Estávamos super ansiosos pelo workshop e mais ainda por conhece-la, e as expectativas eram muitas e foram largamente superadas. O workshop foi super dinâmico, original, descontraído e a Isabel uma mulher fantástica e super apaixonada pela vida, pelo trabalho e pelas suas lindas filhas. Mas nos não fomos apenas os dois ao workshop, pois sem sabermos estavam duas lindas “filhas da mãe” na barriga da Débora, só mais tarde chegamos a saber da maravilhosa notícia. Temos a certeza que também vão adorar a fotografia.
Até aqui tudo parece perfeito mas na verdade estas “filhas da mãe” resolveram nascer com 25 semanas de gestação e matar os pais de susto. Tinham apenas “meio kilo de gente” quando nasceram e uma força de viver inacreditável. Achamos piada ao termo “filhas da mãe” porque as enfermeiras que cuidavam das nossas filhas como acham as meninas parecidas com a mãe estavam sempre a dizer “São mesmo filhas da mãe”.”
Não sei se podemos participar mas não custa tentar:) Elas já tem 7 meses mas na realidade equivale a uns 5/6 meses, pesam 5Kg e qualquer coisa…
Beijinhos Débora & André”

Fui visitar o blogue, li e reli a história das duas guerreiras. E assim que consegui, liguei para a Débora, a avisar, que eram sem dúvida as maiores #filhasdamãe que já tinha conhecido. E que teria o maior dos orgulhos em vê-las envergar um body que é metáfora pequena para a dimensão do que já conquistaram.
Nunca tinha tido contacto com prematuros. Estava longe de somatizar qualquer tipo de dor que uma mãe experencia quando se vê perante a luta da sobrevivência de um filho. Não consigo, por muito que tente imaginar, o que é que é passar 120 dias num hospital a olhar para uma box de vidro e a desejar tudo. Não me passa pelo coração, nem tenho vislumbre do que seja, não agarrar junto ao peito, um filho, quando tudo o que eles pedem é amor. E não consigo perceber, como é que se sai inteiro, quando o coração parece comprimir com tanta força, que nos arrasta a esperança com a respiração.
Tudo na vossa história me impressionou: A gestão da incerteza mais dura, a crueldade de regressar a uma casa vazia, o habitar de um hospital, a privação do toque, do colo e dos beijos, a resiliência com que erguiam todas as manhas, a energia com que fermentavam todas as brechas de esperança e o vosso Amor. Sobretudo, o vosso Amor.
Depois de ter estado umas horas largas na vossa companhia, não tenho a menor dúvida, que o maior tubo de oxigênio e vida, que a Maria e a Matilde receberam, foi o vosso amor.
E se eu nascesse muito pequenina, também havia de querer crescer só para ver algo assim.

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Estas fotos, foram tiradas pelo André e pela Débora.
Obrigado por partilharem connosco a batalha, e sobretudo a maravilhosa Vitória da vida, na forma mais desejada que há, as vossas filhas.

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Orgulho do caraças

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Hoje ganhaste o 2º lugar no corta mato da escola, subiste ao pódio com um olhar tão doce, que me comovi. Seguravas a medalha com tanto brio, que os dedos ficaram marcados com o relevo do logotipo. E ainda ontem, estavas tão ansiosa.
Eram 5h da manhã, e já estavas na minha cama a pedir chocapic, porque alguém te disse que o chocolate era energizante.
Às 7 da manhã já estavas equipada, e só me pedias que não me atrasasse, porque querias chegar a tempo do aquecimento.
Acho que nunca cheguei tão cedo à escola.
Não sou fanática por competições, nem tenho qualquer tipo de obsessão com a soma de vitórias.
Hoje, só tenho um orgulho do caraças da tua resiliência, da tua força de vontade, da tua voz sibilina quando cerras o pulso, e enfrentas o teu medo em pequenos diálogos contigo mesma. Tenho um orgulho do caraças, porque já te conheci tão aérea, que para te buscar de volta à terra, tive que aprender a voar. Um orgulho do caraças por ver a humildade com que agarras as conquistas, e a ternura com que te sentaste a consolar a amiga que chorava pelo último lugar.
Um orgulho do caraças, por saberes que a tua irmã Camila só corre para boiões de Nutella, e teres passado o caminho todo no carro a elogiar as suas capacidades físicas.
Não sei bem o que fiz, nem onde me reveja.
Mas o que vejo em ti orgulha-me.
Do caraças minha loira.

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