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#Atévelhinhos

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Já me chamaram noiva intermitente.
E já nos rimos disso juntos.
Estamos noivos.
E ainda que deixe o anel repousar na mesa de cabeceira, tenho o coração em ti. A minha jóia boa é o que sentimos um pelo outro. É essa que quero polir todos os dias, é essa certeza que não quero atirar para as intermitências da vida.
O amor é jogo duro, também. Nem todos os dias são fáceis, nem todos os dias são ágeis. Vives com uma miúda hiperativa ao teu lado, que tem duas loirinhas turbinadas agarradas às leggins rotas da mãe. Quando chegas a casa, tenho a certeza que ao contrario de poisar, tu levitas no furacão de nós. É sempre tão divertido, quanto cansativo, tão diferente, quanto exigente. Visto de fora parece um sonho, visto de dentro consegue ter contornos de pesadelo alucinado. Tens sabido manobrar connosco esta aventura, a noiva intermitente, as loiras com déficit de atenção, as minhas insónias, os meus projectos, as minhas conversas sem fim e nós. Nunca prometi que ia ser fácil. Nunca me pediste que fosse diferente.
Estamos noivos. E um dia vamos casar.
E até lá, vamos continuar a rir de tudo juntos. Na nossa varanda virada a poente, com o nosso tinto e o nosso olhar demorado.
E a única dívida que teremos com a intermitência é a permanência de nós.
‪#‎atévelhinhos‬

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Uma união singular

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A minha filha Camila é louca por um bom casamento. Há poucas coisas que a fazem tão feliz como simular no alto de uma cadeira que é um padre e que me está a casar a mim e ao Pedro.
Mesmo trocando as falas e os versículos, o pronunciar rouco do “declaro-vos marido e mulher” numa pespineta desdentada, derrete-me.
Mas não é dela que quero falar.
Quero falar sobre este casamento que fotografei em Julho na Herdade do Reguenguinho.
Passei lá à porta este fim de semana e lembrei-me.
Sabem? Não gosto particularmente de festas de casamento. Ainda menos de as fotografar.
Não digo isto por descrença à celebração do amor. Esse, move-me todos os dias.
O que não gosto em alguns casamento é a tensão, a tensão para que tudo corra sob os auspícios dos desejos partilhados entre quem ama, quem paga e quem manda. São poucos os casamentos que se soltam do predicado do sonho dos outros, e que celebram apenas o reflexo perfeito, de quem combinou juntar-se um dia entre amigos e família para celebrar a sua união. E nesta cerimónia foi exactamente isso que aconteceu.
Aceitei fotografar o vosso casamento porque foram vocês que o desenharam, no reflexo do que sentiam, sem ambições maiores que reunir à vossa volta, no vosso sítio, tudo aquilo que são.
E isso torna tudo tão fluido, que me senti mais uma amiga de polaroid na mão a tirar umas chapas avulso a uns grandes amigos.
Não há casamentos perfeitos. Mas há uniões singulares. E a vossa foi seguramente uma delas.
Fico a torcer pelo vosso amor. Com o desejo que ponham nele, a mesma autoridade, a determinação e o carinho, que colocaram em cada detalhe do vosso casamento.

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“Se um dia voltar a casar…”

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Se um dia voltar a casar, vou querer vestir-me de palavras.
Não há nada que bata um bom discurso.
Aliás, deliro até com os maus, desde que na tentativa haja depósito atestado a sentimento.
Poiso sempre a máquina, o olhar e delicio-me nas promessas encaixadas na voz tremida. Perco-me no embaraço comovido da noiva e do noivo. Procuro-lhes as certezas com que as farei minhas.
Imagino-me sempre a mim, de mãos ligeiramente suadas, à procura de um olhar âncora nas mesas e das tuas mãos.
Ensaio às palavras que direi: Aquela metáfora chave, aquele episódio, aquela manhosice nossa, que nos torna um par único num momento ímpar.
Dizem que “as palavras leva-as o vento”, eu levo-as todas para mim.
Todos os casamentos têm o seu protocolo, mas nem todos têm discurso. Aquele momento único que não é passível de ser fotografado de forma generosa, porque a força transparente das palavras, não as faz visíveis aos olhos da máquina.
Eu acho que em todas as celebrações se deviam trocar palavras. Ninguém devia ter medo das baboseiras que sente, num mundo tão carente de expressão. Não levamos quase nada daqui, uma delas é a fortuna acumulada, e outra são as palavras que ficaram por dizer. E o mais lixado é que as palavras também são gramática na relação. Senão se pontua na altura certa, corremos o risco de não fazer sentido mais tarde.
Ilan, o noivo da fotografia, ergue-se, falou alto de perto, e mesmo quando a voz lhe tremeu, tudo parecia tão bem edificado no que queria dizer, que me comovi. E mesmo nas palavras mais simples: “És a mulher que sonhei para mim.” Havia aquele depósito sem fundo de amor e de fé. O mesmo depósito com que se atesta o carro para uma viagem de sonho.
Tenho muitas vezes insónias, mas não conto carneiros, teço discursos, ergo-me, suo da alma e das mãos, e imagino-me assim, vestida com as palavras que não quero guardar para mim.
Falem sff.

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“Já ninguém quer casar”

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Olho para esta fotografia e rio-me.
Gosto de flores, sempre gostei de flores.
Sei por experiência, que o bouquet se pode tornar um apêndice suado nas mãos da noiva, mas admiro-lhe o acréscimo de beleza que traz à composição de tudo.
Um ramo de flores diz muito de quem o carrega. Mas a história deste bouquet é singular.
Só a história do bouquet, porque a noiva que o carrega, está de barriga virada ao sol, numa dessas ilhas invejosas que polvilham o pacífico, de mãos dadas com o amor. (Ao que me consta no Instagram.)
Passo a explicar: Todos os casamentos, mesmo os mais modernos têm momentos. Um deles é o arremessar do bouquet da noiva às mulheres solteiras da sala (ou em condição de namoro prolongado sem desfecho formal:).
É engraçado o momento, porque permite identificar o número de mulheres solteiras da sala e agrega-las em torno de um só propósito. Claro, que para qualquer “Maria Capaz” que se preze, o anseio feminino e desesperado por um “pede-me” não é motivo de orgulho, menos ainda de momento, menos ainda de protocolo. Mas não nos detenhamos nessas considerações (a considerar).
A verdade é que o mulherio alinha em gargalhada na cena, como eu já alinhei, nos tempos curtos, em que fui rapariga solteira.
A noiva dança, rodopia, simula, ri-se, provoca e lança.
As mulheres solteiras batem palmas, mas quando o olhar sobe acompanhando o disparo do ramo, baixam os braços.
O ramo rodopia sozinho, os olhares dos convidados acompanham a dança das flores, e o ramo cai.
Soltam-se as pétalas e as gargalhadas. Os olhares cruzam-se, interrogam-se. A noiva alça as mãos em beicinho sobre as ancas.
“Já ninguém quer casar”, diz-se pela sala.
A noiva apanha o ramo atordoado, pede ao DJ que prossiga e encosta a promessa ao lado, com o suspiro consentido das mulheres da sala. “Siga”, pensam em uníssono.
E a valsa prossegue, sobre um chão caiado a pétalas e um acordão em rodopio.

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