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VIAJAR COM CRIANÇAS #FILHASDAMÃE

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VIAJAR COM CRIANÇAS #FILHASDAMÃE
DESTINO: ÁFRICA

(São recortes do meu diário de viagens, são notas inscritas no meu caderno e imagens, que farão para sempre, parte do meu património de memórias)

Pergunta a Camila em Moçambique, a mesma pergunta que me fez há dois anos, quando tivemos duas semanas em São Tomé e Príncipe:
– Aqui também só há castanhos, mãe?
Explico-lhe as raças, as cores, os credos, as diferenças.
Deixo que os seus olhos pressintam as assimetrias de que é feito o mundo. Não há livros, nem filmes, que batam os créditos de uma viagem. São depósitos para a vida.
Não há nada mais lúcido que ver o mundo à nossa frente.
Correm descalças nas roças de São Tomé com os meninos da sua idade, partilham cocos partidos e gargalhadas de cabeça para trás. Desbravam o mato com catanas à procura de bichos pequeninos e regressam ao quarto cansadas, com pena de não viver na floresta densa.
Vêem os condomínios brancos em Joanesburgo, visitam impressionadas o museu do Apartheid, tapam os ouvidos quando ouvem perplexas os discursos de ódio racial, observam o tamanho reduzido da cela de Mandela, lêem as inscrições, os testemunhos. Depois comem um cachorro à pressa e embarcam num parque de diversões, andam com a cabeça à roda nas montanhas russas, dão festas às crias de leão, comida às girafas, passeiam elefantes pelas trombas. Percorrem extensões de bairros de lata perdidos na imensidão dourada das planícies rendidas ao sol, vêem carros de luxo em semáforos e homens descalços a pedirem trocos para limpar pára-brisas. Perguntam muito, perguntam “porquê?”. Questionam onde é que estão exactamente no mapa.
Quem são as pessoas, porque é que é tão diferente do sítio onde moram. Onde é que acaba o continente, o país e as diferenças?
Onde é que o mundo se faz igual?

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Carrega em Cartagena

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Fica difícil acompanhar o galope da viagem em textos. A ânsia de ver tudo, reter tudo, comer de tudo e falar com todos. Podia adjectivar muito, mas as imagens estão embebedadas de verdade falarão decerto melhor do que eu.
Agora que já estou em Salento em Quindio, na zona das plantações do café, tudo me parece relativo, como nos parece, cada vez que a paisagem seguinte parece suplantar a anterior. Mas não é verdade. A Colômbia merece mais adjectivos do que aqueles com é vulgarmente caracterizada. Ainda é um país muito macerado pela Cocaína, pelos cartéis, pela beleza singular de Cartagena das Índias, pelo odor do café e pela biodiversidade. É tudo verdade mas há mais verdade nisso. A Colômbia é um estrondo de paisagem e simpatia. Tive em poucos países na América do Sul onde a simpatia e a beleza dos lugares fosse tão intrínseca que dá para questionar se o criador não pernoitou por aqui:)
Cartagena é um atrativo turístico, é verdade, mas é a cidade colonial mais bonita em que já estive. Os guias e os googles da vida aconselham semanas por aqui, mas aí sim desconfio do cartel turístico, a cidade vê-se em dois dias. Cartagena é cara e faz pagar a sua beleza na assimetria crescente dos preços que praticam. É “must see” da Colômbia, não podes não conhecer, mas sabendo, podes ter a lucidez de dar mais tempo ao que é verdadeiramente rico e a Colômbia tem os seus tesouros escondidos no aconchego do mapa.

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Cartagena das Índias

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Ainda não tinha idade para ambicionar o Globo e já achava um delírio o nome da cidade “Cartagena das Índias*”, pronunciado de forma lenta e respeitosa. Imaginava uma terra mística, meio pirata, meio selvagem, lá longe num País mal afamado chamado Colômbia. Cartagena é muitíssimo turística e percebe-se bem porquê. Dentro das muralhas fortificadas abriga-se uma cidade colonial absolutamente encantadora. As portas de madeira grossa, as balustradas em madeira, as flores penduradas nas varandas a tentarem tocar as ruas, as carruagens de cavalo à turista (com aquele som fabuloso do casco sobre o chão de pedra), recantos para comer e beber tão acolhedores como casas abertas à rua, uma temperatura constante de 30 Graus e em cada esquina um cantar crioulo.
A cidade é cara, aproveita-se da concentração turística e faz dobrar os preços de Bogotá. Para quem dá valor à beleza das coisas, a verdade é que tem restaurantes saídos da Casa Décor, apetece reservar 3xs almoço e 4xs jantar. Confesso-me cansada dos sabores típicos da Colômbia, faz-me falta o paladar mediterrâneo, por isso, assim que posso e à falta de uma tasca portuguesa, vamos a um italiano do lado dar-lhe na focaccia impregnada de azeite, tomate e sal grosso. Amanhã seguimos para Medellin, terra famosa pela morado do Cartel de Pablo Escobar mas posso assegurar que Cartagena se ergueu acima dos meus sonhos de criança. Será um prazer se a vida me der uma oportunidade de aqui voltar:)
*O centro histórico de Cartagena, conhecido como a cidade fortificada, foi declarado Património Nacional da Colômbia, em 1959, e Património da Humanidade pela Unesco, em 1984.

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