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A três, as três

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Este fim de semana passamo-lo a três, as três.
Há muito, que vocês pediam a mãe, só a mãe.
Há muito, que já vos devia ter dado a mãe, só a mãe.
Sem uma mala feita à pressa e um chek-in qualquer.
Só o usufruto pleno do nosso espaço, a colonização das nossas paredes, a cama revirada, o bacon, o ovos e a tentativa do bolo de chocolate. Soube me bem demais acordar embrulhada nas vossas pernas, com a comichão dos vossos cabelos e o quentinho da vossa respiração. Nem sei se dormi seguido, no aperto consolado dos vossos corpos, mas há muito tempo que não me sentia assim tão descansada.
Ainda bem que o amor também se exige.
Para depois de se dar.
Para aprender a receber outra vez.
Bom dia.
E boa segunda-feira!

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CONTA-ME UMA HISTÓRIA FELIZ.

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“Quanto menos tabu forem estes assuntos, mais nos ajudamos e partilhamos experiências. Acima de tudo acho que durante este tempo, em que tentei, fui operada e tive de fazer tratamentos, nunca deixei de ser feliz, de viajar, e de fazer as coisas que gosto! São tratamentos duros mas a vida são dois dias! Temos de aproveitar!” Teresinha

Pedi à Teresinha que me deixasse partilhar uma fotografia, e mais do que isso, um pouco da sua história feliz.
Porque ela é sem dúvida uma das grávidas mais feliz que já fotografei. E não foi apenas, porque esteve uma dezena de anos a tentar ter um filho, foi sobretudo pela resiliência do seu bom humor, pela forma resolvida com que se entrega a vida. Porque a consome sem filtros, sem peneiras e sem o pensamento rebocado nos outros.
É raro, é bom, é são.
Nem todas as mulheres engravidam ao primeiro lapso da pílula, e as histórias duras, não acontecem só aquela amiga de uma amiga minha. Há muitas mulheres a consolar as dores nas almofadas e há um milhar de histórias para partilha, que não fazem a conveniência dos dias mais felizes, mas precisam de ser contadas, para serem ouvidas.
A Esperança dos dias, faz parte de um tratamento de fundo, aquele que dá espaço vital de cultivo às coisas boas da vida.
E pelo que sei, por quem luta, a exclusividade da história complicada, é um mal escasso, que se troca de bom agrado, pelo colectivos dos finais felizes.
Obrigado Teresinha pela partilha.
Essa miúda que aí vem, já nasce com a sorte grande de ter uma mãe assim.

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As Mães são sempre “Gigantes”

A última vez que fui mãe, em verbo imediato e parido, foi há quase 7 anos. E não tenho grandes memórias da minha gravidez. Não no sentido mau, do património acumulado, até mais, no sentido bom.
Foi tudo tão desejado e depois tão tranquilo, que nem os pontos que não levei, me ajudam a recordar, o preciso momento em que as minhas filhas saíram da minha barriga para o meu colo.
Tenho reminiscências de um ternura desmedida, da vontade que tinha de lhes conhecer as feições e de um “cagaço” sincero de tudo o que ia mudar, a minha vida, o meu corpo, o meu destino.
Hoje falei com a Mariana, que fotografei há uns meses, grávida de gémeos.
Numa conversa curtinha, recordei tudo o que nos enche quando o medo é sacudido pela força dessa nova presença.
Não fosse o regresso das loiras ao lar, e quase, quase, que invejava aquele momento, em que trazemos para casa um sonho multiplicado, uma equação pequenina que promete mudar tudo e um sentimento, que longe de se engasgar, vem selado para sempre.
Sempre gostei de fotografar grávidas, há uma paz tão serena, um poder tão grande.
A maioria julga-se enorme (de peso).
Eu, admiro-as da minha lente, gigantes (de pessoa) na condição soberana de mães.

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EU QUERIA…

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Fazia lá ideia do tipo de mãe que ia ser.
Nunca pensei muito como é que iria educar uma criança.
Talvez tenha ajudado à equação, ter sido ainda muito criança quando resolvi ter uma.
E para falar na mais pura das verdades, não me lembro de ter lido um livro só que fosse sobre a matéria, com medo de me ter que virar ao contrário e ficar com a etiqueta de fora.
Para elas, tinha sonhos iguais aos que se efabula quando colocamos o olhar sobre um terreno imaginário onde vamos edificar uma casa.
Queria que fossem soltas como o vento quente, que não tivessem medo das pessoas, que aprendessem que a vida é um diálogo fabuloso que se constrói entre os sonhos e a realidade, queria que ousassem muito, como se em cada fim houvesse um começo de alguma coisa nova. Queria muito que se sujassem, que experimentassem os arrepios de andar descalças sobre o cru da vida, queria que vivessem mais do meu sol, que do consolo da minha sombra, queria que se invadissem sem pedir permissão, que utilizassem o corpo como a materialização imperfeita das suas metas, queria que amassem e perdoassem, com a espontaneidade com que respiram, que curtissem as diferenças que o mundo lhes oferece, sem nunca desconfiar das cores que ainda não conhecem, queria que se sentissem senhoras de si, antes de querem ser donas de outra coisa qualquer.
E queria que percebessem a sorte que têm de ter ao lado quem sonha tudo isto para elas.
E sim, queria que fossem filhas da mãe, na gargalhada, na força com que defendem os sonhos, na garra com que lutam pelo que lhes escapa e na forma como defendem os que ama.
E queria que à noite dormissem sempre tranquilas e que a respiração apenas lhes lembrasse, que tudo o que ainda não foi hoje, pode vir a ser amanhã.
Assim como eu faço quando adormeço, com tudo o que ainda sonho para elas.

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DIA DA MÃE – “Quando virei mãe”

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Fiz uma parceria com a KNOT para o dia da mãe, desenhei três t-shirts, mas mais do que isso, personalizei-as com um texto meu, desses que saem do coração sem filtros.
Assim no verso de cada t-shirt da mãe há um texto para desvendar, esse mesmo que partilho hoje com vocês:

Quando virei mãe. Virei viagem. Virei desdobrável.
Virei piegas, maricas, heroína invencível das minhas rotinas.
Virei penso rápido e ligadura.
Virei água na fervura.
Virei carnaval em permanência.
Virei doce demência.
Quando virei mãe, virei risca, virei curva.
Virei alma plena e pessoa turva.
Virei me do avesso, e ao contrário.
Virei cozinheira e virei armário.
Virei quando queria, quando podia, quando sabia e sempre, quando devia.
Quando virei mãe, virei fluorescente, mãe foguete.
Virei pediatra, curandeira, amiga e feiticeira.
Quando virei mãe, virei leoa, patroa, criatura curtida,
Virei mulher dividida.
Até virar mãe tudo me parecia direito, até ser mãe tudo parecia perfeito.
Mas quando se vira mãe, não há nem “se´s” nem “talvez”.
Porque quando virei mãe,
virei de vez.

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Um mês intensivo de loiras

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E agora que estou na recta final de um mês intensivo das loiras o que é que me apraz dizer? Sem filtros e com toda a honestidade que devo à minha existência singular, aleatória e privilegiada nesta terra: – Estou estafada…Já não tenho imaginação para conceber refeições diferenciadas, já esgotei o meu repertório de histórias de embalar, já drenei a minha capacidade de montar kits matinais e de andar à procura de sapatos solteiros, de dar banhos, secar dos banhos, despiolhar, pentear, amaciar, dar de jantar, planear as lancheiras, separar os almoços, descascar fruta, comprar manhãzitos, estrelitas e chocapic´s, como quem vai viver para um abrigo nuclear. Estudar, mimar, dar, estar, preparar, salvaguardar, ir buscar e levar, e todos os outros verbos irregulares que fazem da mais nobre actividade de mãe, a mais cansativa delas. Estranhamente, e com saudades depuradas da minha semana alternada, superei-me. Consegui manter a minha integridade e a das crianças. Arrisco dizer que me descobri no domínio de faculdades e competências que ou eram inexistentes ou estavam adormecidas. E mesmo naquelas noites em que tudo o que sonhava era com o vosso sono, eu acordava no dia seguinte, com toda a energia reposta para ser vossa mãe outra vez.
O amor que vos tenho é um filho da mãe, fibroso e resiliente. Resmunga como um velho chato, reclama com a histeria de uma donzela “apanicada”, esperneia como uma criança apertada, mas supera-se, na sua ousadia cresce, nas minhas costas fermenta e para meu espanto suplanta-se.
E a cobro do desejo mais insólito de provar a minha incapacidade para o exercício, e sem cair no exagero de dizer que nasci para isto, descubro na constância do vosso amor, a inconstante certeza do meu.

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Há quem diga

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Há quem diga que eu tenho uma visão hiper realista da maternidade. Outras há que dizem que toda a gente tem.
Há quem não diga nada.
E há quem diga, por cima de quem diz o que sente, que a maioria mente.
Nos dias maus estou desvairada e arrependida.
Nos dias bons sou a mãe transversal de toda a cria.
Quando me falta a paciência digo mal até mais não.
Depois bebo um trago longo de tinto e toda eu sou perdão.
Culpa? Ninguém a tem. Nasce do ser diferente.
A única cena comum que temos com toda a gente:)

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Tão desconcertante como o teu feitio

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Estavas muito concentrada na mesa do teu quarto…
Há demasiado tempo para ser fruto de uma inspiração para o Estudo ou um ataque súbito de consciência para com o Conhecimento.
Aproximei-me, espreitei por cima do teu ombro e vi que estavas a escrever numa tabela. Mas como tens uma letra tão desconcertante como o teu feitio, não lhe consegui adivinhar o significado nos caracteres.
Perguntei-te o que era. Viraste-te para mim e com o ar mais sereno do mundo, disseste-me que era uma tabela comparativa.
Apontando-me explicaste:
Na coluna do X os nomes dos rapazes, na coluna do Y os pontos a favor e os pontos contra cada um dos rapazes. Devo ter feito um ar estranho, mas não tão estranho, que achasses que quando era catraia era diferente de ti, porque quando te viraste para concluir o exercício disseste:
– Ó mãe, não me digas que nunca fizeste este exercício?
(se ela imaginasse os dissabores que me teria poupado uma inteligência lógico-matemática sobre um coração poético)
Respondi:
– Ainda faço minha filha. Faço sempre que é preciso:)

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“Quando eu for mãe”

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As minhas filhas têm diferentes opiniões sobre a maternidade. Entenda-se com isto que não me refiro à forma como as educo ou às questões motivacionais ou emocionais, que estiveram por de trás da sua origem, inquestionável, por razões eco-sistémicas de sobrevivência em família:)
Até porque posso assegurar que o Amor próprio cá por casa, supera o próprio Amor.
Quando falamos de maternidade e são mais elas que eu, é sempre sobre os filhos que elas desejam muito que eu tenha, e os filhos que elas um dia vão ter.
Quando se põe a fantasiar sobre os irmãozinhos e as maninhas usam grandes folhas A4, onde escrevem, em forma de tabela, os nomes dos meus futuros filhos. Partindo sempre do pressuposto generoso de que são gémeos.
A Caetana fala muitas vezes “quando eu for mãe” isto, “quando eu for mãe” aquilo. Imagina a casa, a dinâmica, o marido, as faces das crianças, os nomes, e quando está mesmo muito inspirada, fantasia-lhes o carácter e faz simulações in loco do que seriam as suas reacções às birras, pedidos ou questões, que os seus filhos, com inteligência suprema teriam para lhe colocar.
A Camila por outro lado, que reconhece o seu estatuto de criança, filha e mimada, nutre um profundo temor e respeito por esta santíssima trindade, afirma desde sempre, que não quer ser mãe ou ter filhos de qualquer espécie. É peremptória nesta conversa e não admite qualquer excepção, marketing ou diálogo em torno das virtudes de ser mãe.
Quando lhe pergunto Porque é que não quer ser mãe?
(Sem qualquer objecção à decisão, que entendo, faz parte do uso fabuloso de ser uma mulher livre).
Ela responde-me: – Dá muito trabalho.
Andava eu com medo de a traumatizar como mãe, quando ela já o antecipa no exercício de ser filha.
Toma lá sangue do meu sangue, é para aprenderes:)

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