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Na mesma posição do “Até já”.

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Disseste-me que ias comprar pão quente. E eu prometi-te 8000 caracteres do livro que estou a escrever. O monte fica longe da senhora que vende o pão. Mas o meu corpo está encostadinho à lareira acesa.
Aos bocadinhos começou a chover lá fora.
Estou na mesma posição do “Até já”.
Tenho o portátil sobre os joelhos e as labaredas a namorarem-me o corpo. Tenho um copo de tinto junto a mim e as teclas escuras pintadas com letras à minha frente.
Acho que não te vais importar, se te disser que me perdi entre o estalar da madeira e as gotas da chuva que lambiam as janelas.
Acho que vais perceber se te disser que o meu corpo cedeu ao escorrega do calor e as mãos afastaram-se, com cuidado, das teclas com que se constroem as palavras que prometi escrever.
Quando chegares vou estar na mesma posição do “Até já”.
Vais perguntar-me pelos caracteres, com o pão quente debaixo do braço. E se eu for esperta, como o calor da lareira acesa, vou te puxar para o conforto de mim para quebrarmos juntos as promessas que te fiz.

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Embaixador do Caraças

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Conheci o Ronaldo quando fui à Madeira com a Cristina para a célebre inauguração da estátua com o relevo mais proeminente da história portuguesa. É engraçado, porque o que mais me ficou, foi a reacção em êxtase das pessoas quando o Cristiano aparece na pequena arena madeirense, as aclamações enquanto subia os degraus para o palco, e o aumento substancial de volume quando ergue o braço para cumprimentar a audiência. Estava tão fixa naquele palco de gente e clamor, que levei uma cotovelada no ombro para ver se erguia a mandíbula descaída e começava a clicar. O Ronaldo tem 1,85 m, não é pouco, mas parece gigante. Acima de 1,80, 1,90, 2m, 3 m, tem aos nossos olhos a presença elevada à altura de um pequeno Deus.
Ainda hoje a Caetana reclama pelo autógrafo do nosso craque.
A verdade é que fiquei com vergonha de lhe pedir um rabisco no meu caderno. Não queria ir para a fila dos chatos mendigar para mim.
O assédio era tão grande, que o rapaz fixava mais os olhos nos papéis que lhe davam que nos olhos das pessoas que lhe pediam.
Para lá, de toda a inércia da discussão redonda em torno dos ordenados milionários vs mérito vs médicos vs cientistas, é indiscutível que o Cristiano é um embaixador do caraças do nosso pequeno País. E que os triunfos da sua carreira profissonal carregam o peso, não menos leve, da sua nacionalidade. Parabéns mais uma vez miúdo!
Aqui a portuguesa agradece.

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