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Eu sei.

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Dizem que às vezes te trato como se fosses um bebé. Eu sei.
Quando estou na sala, e te dá o sono e a manha, arrasto-te pelos braços até à porta e quando somos só as duas, pego-te ao colo. Não me interessa o que pesas e o que medes, pareces-me sempre incrivelmente bochechuda e pequenina. Não tenho saudades de um bebé pequeno, porque tu és o mais pequenino que tenho de mim. Quando fazes birras, que ainda fazes, e me zango contigo, mostras-me os dedos papudos que confirmam o que ainda tens de redondo. Depois pego-te nos dedinhos carnudos e beijo essa concha húmida de mão com beijinhos demorados. Dizem que já a sabes toda. Talvez seja verdade. Porque essa toda sou eu. A mãe magrinha que arredonda no olhar a tua forma só para te ver pequenina.

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O cabelo cresce loirinha

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Andaste a fugir à tesoura durante 6 meses.
Quando o pai cá esteve, passei-lhe a incumbência, mas a agilidade feminina levou a melhor e regressaste à mãezinha com o mesmo cabelo aciganado com que te entreguei ao pai.
Ontem cedeste aos meus argumentos e deixaste que eu te cortasse o cabelo depois de despejares dois quilos de máscara hidratante, que fez com que a Camila desse um duplo mortal na banheira logo a seguir.
Tinhas o cabelo miserável, mas tu achas que eu exagero na adjectivação e quando viste no chão os cinco dedos pareceu-te toda uma pata de elefante.
Rebentaste em lágrimas, agarraste as pontas molhadas entre os dedos e soluçaste, como se fosse um membro amputado e uma despedida para sempre. Não contente, disseste-me que te tinha arruinado o dia, a semana e a vida (quem sabe).
Sou mulher, minha menina, já chorei muita franja de escovinha cortada pela minha mãe, já saí do cabeleireiro com vergonha de me ver reflectida nas montras e já roguei pragas ao impulso colectivo das tintas de supermercado. Faz parte. O Pedro estava surpreendido com o nível da crise (tem dois filhos rapazes) com a grossura da lágrima e com o exagero da adjectivação, que é o melhor teste de ADN em matéria de crise:)
Foram 15 minutos de crise até que o mundo ficasse tão acetinado como a máscara que colocaste no teu cabelo, foram alguns duplos mortais na minha caixa torácica e até valeu abrir uma colheita especial de 2011 (sempre fomos boas nas boas desculpas).
O cabelo cresce loirinha e felizmente, nós também

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Este post é para o João Carvalho.

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Este post é para o João Carvalho.
Provavelmente desconheces, mas a minha filha Camila, que já tem grandes dificuldades em concentrar-se nas aulas e nos trabalhos de casa, achou na paixão recente que nutre por ti, um alibi perfeito para riscar todas as folhas dos cadernos com o teu nome.
Hoje fui acordada de madrugada, de um sono profundo, só para validar o coração que te quer entregar no dia dos namorados, e a minha filha nunca foi criança de pensar no longo prazo.
Diz que quer que eu fale com a tua mãe para marcar um encontro e não se importa de partilhar-te com as amigas, desde que sobre um pouco de amor para ela. Todas as frases começam com “Mas o João”, “E o João”, “O João também”. Se antes tinha direito ocasional a um retrato meu, agora é raro, para não dizer inexistente, porque não há marcador, pincel e lápis que não esteja ao serviço da paixão.
Ao principio achei graça, só porque é raro vê-la manifestar um interesse continuado por alguma coisa.
Mas entretanto já passaram 3 semanas e hoje de manhã quando fui buscar-lhe o afia, lá estava o teu nome escrito num dos cantos dobrados do caderno, em formato de segredo.
Tudo bem João.
Estamos habituadas a pragas e somos miúdas de grande paixão.
Mas não me roubes todos os cantos, de todas as folhas, porque quando eu não acho conforto na folha em branco é lá que me aninho.

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Estou lixada contigo.

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Estou lixada contigo.
Quando avanças pelas letras, tropeças nos números. Quando levas o equipamento da ginástica, deixas para trás a lancheira.
Se comes a sopa, não tens fome para o arroz. Se tomas banho sozinha, não te queres vestir. Quando queres ler, não te consegues deitar. Quando acordas não te apetece comer.
Quando estou cansada, queres estudar. Quando te peço para fazer os Tpc´s estás cansada. Queres passar a vida na rua, mas quando te visto o casaco dizes-me que gostavas de ficar hoje em casa….
Às vezes acho que preciso de vitaminas extra para lidar contigo.
Um copo de tinto não chega para me apaziguar.
Também sou balança de signo, mas se oscilasse da mesma forma já tinha entornado a bandeja.
Não está fácil conduzir-te na escola e hoje percebi que esse interesse súbito pelo Afonso, tem um segredo:
É por ele que copias os Tpc´s de Matemática.
Toda a gente elogia a tua falta de travões: a facilidade com que comunicas o que queres, a tua gargalhada alta e a destreza com que te desembaraças entre adultos e pequeninos.
Não te quero cortar o barato balancinha, adoro gente desembaraçada, mas todas as grandes conquistas da vida dão trabalho, carecem de tempo, investimento e dedicação. A mesma com que me faço a ti, todos os dias, na qualidade de mãe.
Sei que às vezes chumbo no teu teste. Mas não me importava nada que começasses a copiar um bocadinho de mim:).

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Um livro para a BFF

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Dizem que os queridos apanham muita porrada.
Não sei bem o que é que isso quer dizer, quando por oposição, o Amor com amor se paga. Ontem a minha filha estava insegura em relação à amizade da sua BFF (Best friend forever). E decidiu fazer-lhe um mini livro com um texto introdutório, desenhos e uma colectânea de frases sobre a amizade. Chamou-me para partilhar comigo o conteúdo, e encheu-me de orgulho que se conseguisse exprimir com tanta sinceridade acerca do que sente.
Mesmo abusando da adjectivação (quem sai aos seus…), não havia numa só palavra, uma fuga de verdade.
Eu não sei se a menina que vai ler o teu livro perceberá a dimensão do que sentes, mas se eu recebesse esse livro dava-te uma porrada de amor.

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CARTÃO DE CIDADÃO – EPISÓDIO 2

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CARTÃO DE CIDADÃO
EPISÓDIO 2: Quero um cartão de cidadã como deve ser!

Hoje fui à loja do cidadão levantar os cartões de cidadão das minhas filhas.
Quando me acomodava na cadeira, sai-me literalmente, uma mulher por detrás do biombo e diz: – Você é a mãe da Caetana?
Percebi nesse momento que tenho que passar a andar com uma bandeirinha branca para enfrentar a tua adolescência.
Disse que sim, não havia hipótese de mentir, elas tinham nas mãos a minha documentação oficial, não dava para passar por Tia Irene.
A senhora ri-se e diz:
– Nunca nesta vida vamos esquecer a sua filha! Eu, as minhas colegas e toda a gente que teve com ela naquela fila, enquanto demorava 1 hora e meia a escolher a foto para o cartão.
Fiquei na dúvida se me devia desculpar, amenizar a imagem extravagante da loira, que insiste em não querer ver impressa num cartão oficial, uma imagem que não a traduz devidamente.
Pedi desculpa. Acrescentei: – Sabe, que sou fotógrafa, ela está habituada ao processo de selecção e edição das imagens.
A senhora continua: – O pai que vinha com ela, estava tão desesperado, que às tantas pisquei-lhe o olho, como quem diz, tenha paciência que isto já se resolve. A Caetana topou-me e diz-me com as mãos cruzadas sobre o peito: – Porque é que está a piscar o olho ao meu pai?
Ri-se, rio-me, rimo-nos e acrescenta: – Mas ela é mesmo muito bonita! Às tantas vira-se para o pai e diz: – Com tanta hora para vir tirar o cartão, porque é que viemos logo de madrugada quando estou cheia de olheiras? Ri-me, riu-se e rimo-nos de novo, encolhi os ombros, peguei no cartão e olhei a fotografia.
Responde a Senhora por detrás do biombo: – Essa nem está má! Mas havia lá melhores…
Imagino que sim. Mas melhor do que isto não há.
As minhas desculpas a todos os que sofreram com o atraso provocado pela minha loira e o meu sincero agradecimento à senhora do biombo, que diz que faz questão, que seja ela, daqui a 5 anos, a tratar-lhe da renovação.
Boa sorte!

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Teus critérios estéticos.

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Tiveste 1 hora e 20 minutos para tirares o cartão de cidadão.
Nesse tempo todo, tiraste 38 Fotografias que rejeitaste liminarmente, por não se encontrarem dentro dos teus critérios estéticos. Elevadíssimos, por sinal.
Foi difícil para a funcionária, perceber o cuidado com que te querias ver espelhada na tua documentação oficial, em vez da fotografia formatada de olhar estanque, “à bandido” como dizias tu.
Talvez fosse mais fácil, se ela soubesse que respiras fotografia e que depois das fotos que tiro, segue-se a selecção.
E que se seleccionam sempre as melhores. As que mais justiça fazem, a quem somos, como nos vemos e a quem nos damos a conhecer.
Mas podias não ter exagerado a seguir, utilizando o campo da assinatura para recriar o teu logotipo.
Simulando o teu “C” com o meu “S” dentro de um círculo fechado:) Enche-me de orgulho que transportes contigo as nossas referências, mas enche-me de pânico pensar que posso encontrar na fila da frente, alguém como tu:)))

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O momento

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Acho que é isto que define a vida e a fotografia: O momento.
E este momento define muito para mim.
O dedo tremeu, confesso.
Mas o amor que vos tenho, dá me a força que preciso para não vacilar, quando vejo à minha frente, tudo o que ambicionei para mim e para elas.
Eternamente grata.

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As pessoas avisam-nos.

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As pessoas avisam-nos.
Mas ninguém põe a cabeça nos carris para saber quando vem o próximo comboio.
E assim, quando ainda pagava no guichet a comprar o bilhete da 1ª carruagem da infância, olho para ti e vejo-te com um telemóvel na mão a perguntar à entrada de um restaurante:
– Aqui há wifi?
Sorrio meio parva. Sinto o cabelo toda a esvoaçar, ao mesmo tempo que o comboio avança sobre a linha.
Não tenho a cabeça no carris, mas tenho o coração a querer agarrar o vento:
– Aqui há amor. (fuck it)

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