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A nossa Village (Village Underground Lisboa)

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Dizem que é bom regressar aos sítios onde já fomos felizes. Melhor ainda é repetir os sítios onde somos sempre.
O Village Underground Lisboa ainda é para muitos, um segredo, mas é dos bons de partilhar.
A originalidade e a cor dão lhe a nota da diferença, os contentores sobrepostos, as escadas de ferro, um autocarro restaurante, corrimões de ferro e corredores labirínticos. Basicamente, sem nada de básico, é uma estrutura arquitectónica que utiliza contentores marítimos transformados em escritórios e dois autocarros convertidos em cafetaria e sala de reuniões. Tudo isto à beira rio, bem ao lado do Lx factory.
Mas agora vamos a aspectos práticos que é isso que nós gostamos: O espaço é absolutamente incrível para tomar um copo a dois, um almoço a três, uma conspiração a quatro. E maravilhoso para ir com as crianças. Basta entrar no museu da carris e estacionar à porta, entre portas. O espaço é amplo que chegue para largar a rédea às crianças e confuso quanto baste para que demorem pelo menos uma imperial até que nos encontrem outra vez:)
Tem baloiços, menus em conta, brunch e lojinhas em contentores cheias de coisas acessíveis e originais.
Eu sou suspeita. E não é só pela admiração que tenho pela Mariana que conduz este gigante autocarro. Sou suspeita porque vou lá com frequência e sinto um amparo diferente quando me sento a escrever num autocarro suspenso. Já lá realizei um Workshop de Escrita Criativa, que vou repetir em breve, e já lá fotografei para catálogos pelo menos seis vezes. Desta vez fui lá brunchar com as miúdas, comprar cactos em vasos coloridos e beber um copo de tinto, numa das provas que estava a acontecer.
Aproveitem as férias de Natal e passem por lá.
Tenho a certeza absoluta que vão ser felizes.

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Como chegar:
Village Underground Lisboa
http://vulisboa.com/
Facebook: https://www.facebook.com/villageundergroundlisboa/?fref=ts

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Um mês intensivo de loiras

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E agora que estou na recta final de um mês intensivo das loiras o que é que me apraz dizer? Sem filtros e com toda a honestidade que devo à minha existência singular, aleatória e privilegiada nesta terra: – Estou estafada…Já não tenho imaginação para conceber refeições diferenciadas, já esgotei o meu repertório de histórias de embalar, já drenei a minha capacidade de montar kits matinais e de andar à procura de sapatos solteiros, de dar banhos, secar dos banhos, despiolhar, pentear, amaciar, dar de jantar, planear as lancheiras, separar os almoços, descascar fruta, comprar manhãzitos, estrelitas e chocapic´s, como quem vai viver para um abrigo nuclear. Estudar, mimar, dar, estar, preparar, salvaguardar, ir buscar e levar, e todos os outros verbos irregulares que fazem da mais nobre actividade de mãe, a mais cansativa delas. Estranhamente, e com saudades depuradas da minha semana alternada, superei-me. Consegui manter a minha integridade e a das crianças. Arrisco dizer que me descobri no domínio de faculdades e competências que ou eram inexistentes ou estavam adormecidas. E mesmo naquelas noites em que tudo o que sonhava era com o vosso sono, eu acordava no dia seguinte, com toda a energia reposta para ser vossa mãe outra vez.
O amor que vos tenho é um filho da mãe, fibroso e resiliente. Resmunga como um velho chato, reclama com a histeria de uma donzela “apanicada”, esperneia como uma criança apertada, mas supera-se, na sua ousadia cresce, nas minhas costas fermenta e para meu espanto suplanta-se.
E a cobro do desejo mais insólito de provar a minha incapacidade para o exercício, e sem cair no exagero de dizer que nasci para isto, descubro na constância do vosso amor, a inconstante certeza do meu.

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Liberdade não filtrada

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Gosto muito da liberdade não filtrada que existe no diálogo de uma criança. Não fosse a minha linguagem, tão extrovertida, como o meu carácter, e tenho a certeza que lhes ficaria a galar as palavras soltas, no soslaio calado dos impulsos contidos. Mas cá em casa, usa-se e abusa-se da palavra solta, mais que à solta, mesmo. Isto tem o custo intimidatório da cerimónia, a perversão de alguns princípios básicos de educação que tento implementar e alguma moléstia pontual no convívio social entre conhecidos, mas à parte disso é tudo saúde. Portanto, não se reprime, repreende-se apenas quando é caso disso. Isto porque sei, que no interior desta selva de sentidos ao desmazelo e de acne gramatical há uma franqueza tão doce quanto crua, que faz com que os preliminares do meu “xiu” sejam uns largos segundos de prazer.
E ontem na cozinha, à hora louca do jantar das crias, fui chamada pela voz rouca da Camila.
– Mãe, Mãe! Mãe!
– Simmmmmmmm! Camila!
– Mãe! Mãe! Mãe! Olhe para o Pedro.
(O Pedro é o namorado da Isabel:))
– Diz Camila, o que é ?! Estou a olhar!
– Mãe! Mãe! Mãe! Olhe para o Pedro.
– Sim Camila, estou a olhar para o Pedro.
– Olhe Mãe, olhe bem!!!
– O que é que ele tem?
– Tem tudo.

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