Blog Archives

Carrega em Cartagena

IMG_0793

Fica difícil acompanhar o galope da viagem em textos. A ânsia de ver tudo, reter tudo, comer de tudo e falar com todos. Podia adjectivar muito, mas as imagens estão embebedadas de verdade falarão decerto melhor do que eu.
Agora que já estou em Salento em Quindio, na zona das plantações do café, tudo me parece relativo, como nos parece, cada vez que a paisagem seguinte parece suplantar a anterior. Mas não é verdade. A Colômbia merece mais adjectivos do que aqueles com é vulgarmente caracterizada. Ainda é um país muito macerado pela Cocaína, pelos cartéis, pela beleza singular de Cartagena das Índias, pelo odor do café e pela biodiversidade. É tudo verdade mas há mais verdade nisso. A Colômbia é um estrondo de paisagem e simpatia. Tive em poucos países na América do Sul onde a simpatia e a beleza dos lugares fosse tão intrínseca que dá para questionar se o criador não pernoitou por aqui:)
Cartagena é um atrativo turístico, é verdade, mas é a cidade colonial mais bonita em que já estive. Os guias e os googles da vida aconselham semanas por aqui, mas aí sim desconfio do cartel turístico, a cidade vê-se em dois dias. Cartagena é cara e faz pagar a sua beleza na assimetria crescente dos preços que praticam. É “must see” da Colômbia, não podes não conhecer, mas sabendo, podes ter a lucidez de dar mais tempo ao que é verdadeiramente rico e a Colômbia tem os seus tesouros escondidos no aconchego do mapa.

IMG_1002

IMG_0982

IMG_0965

IMG_0959

IMG_0952

IMG_0929

IMG_0842

IMG_0813

IMG_0776

IMG_0772

IMG_0770

IMG_0764

IMG_0754

IMG_0734

Comentar

Cartagena das Índias

IMG_0642

Ainda não tinha idade para ambicionar o Globo e já achava um delírio o nome da cidade “Cartagena das Índias*”, pronunciado de forma lenta e respeitosa. Imaginava uma terra mística, meio pirata, meio selvagem, lá longe num País mal afamado chamado Colômbia. Cartagena é muitíssimo turística e percebe-se bem porquê. Dentro das muralhas fortificadas abriga-se uma cidade colonial absolutamente encantadora. As portas de madeira grossa, as balustradas em madeira, as flores penduradas nas varandas a tentarem tocar as ruas, as carruagens de cavalo à turista (com aquele som fabuloso do casco sobre o chão de pedra), recantos para comer e beber tão acolhedores como casas abertas à rua, uma temperatura constante de 30 Graus e em cada esquina um cantar crioulo.
A cidade é cara, aproveita-se da concentração turística e faz dobrar os preços de Bogotá. Para quem dá valor à beleza das coisas, a verdade é que tem restaurantes saídos da Casa Décor, apetece reservar 3xs almoço e 4xs jantar. Confesso-me cansada dos sabores típicos da Colômbia, faz-me falta o paladar mediterrâneo, por isso, assim que posso e à falta de uma tasca portuguesa, vamos a um italiano do lado dar-lhe na focaccia impregnada de azeite, tomate e sal grosso. Amanhã seguimos para Medellin, terra famosa pela morado do Cartel de Pablo Escobar mas posso assegurar que Cartagena se ergueu acima dos meus sonhos de criança. Será um prazer se a vida me der uma oportunidade de aqui voltar:)
*O centro histórico de Cartagena, conhecido como a cidade fortificada, foi declarado Património Nacional da Colômbia, em 1959, e Património da Humanidade pela Unesco, em 1984.

IMG_0634

IMG_0620

IMG_0661

IMG_0652

IMG_0675

IMG_0728

IMG_0721

Comentar

O Bem Bom (versão mais ou menos)

IMG_0570

Ilude-se quem pensa que na Colômbia está o melhor do Caribe, entenda-se por melhor do Caribe, a imagem clássica das praias de água tépida azul turquesa, com uma areia tão fina que parece farinha e um areal cheio de coqueiros de verde saturado e umas casinhas de colmo em formato bar com a promessa de muita lima e muito álcool.
A ideia da viagem à Colômbia não era Praia e continua a não ser. As praias do caribe têm areia castanha pastosa, o mar é acizentado e o areal com excepção de alguns pontos a norte do caribe colombiano, não chegam aos calcanhares burgueses de um resort no México ou mesmo de um all inclusive em Punta Cana. A água é morna mas o mar é ondulante, fustigado pelo vento quente. E esqueçam as conchinhas à beira mar, que o mais certo são seixos de três cores difusos enterrados ocasionalmente no castanho lamacento. Na Colômbia vale a pena perder-se em algumas das suas cidades, nos pueblitos, na zona das plantações do café. Vale a pena conhecer a vibrante Cartagena das Índias e as paisagens do interior, onde circula uma das maiores biodiversidades do mundo. Existem alguns lugares como o Parque Tyrona e as ilhas que oferecem cenários mais encostados ao imaginário caribenho mas os preços são impraticáveis e continua a não compensar o desvio sobre o essencial da Colômbia.
Aterramos directamente em Bogotá, palmilhamos a cidade, mas acusámos o cansaço de quem ressaca de uma vida demasiado cheia e urbana. Era suposto seguirmos de Bogotá para Medellin mas optamos por vir directamente para Cartagena das Índias. Descobrimos a 15 km da cidade um pedaço de Caribe, castanho é verdade, mas suficientemente artilhado de colmo e palmeiras. Aqui, sem medos e peneiras, despojamos os corpos, o cansaço e os planos. Munimo-mos das havainas, do sol e assumimos de corpo e alma que o “Mais ou menos” era o nosso Bem Bom. Assim e mesmo conhecendo o que o globo tem para oferecer de paraíso, gozamos como quem não conhece, tudo o que já conhecíamos.

P.S.: É preciso acrescentar que este  hotel tem a particularidade de ser para maior de 15 anos o que é altamente convidativo, para quem soma 4 crianças em conjunto.

IMG_0548

IMG_0553

IMG_0521

IMG_0537 

IMG_0516

IMG_0508

IMG_0500

IMG_0496

Comentar

Bienvenida a Bogotá 6.6

IMG_0272

No ano passado tive em 3 cidades sul americanas, Lima, Buenos Aires e La Paz. Este ano vim a Colômbia com o Pedro. E quem é o Pedro? É um tipo giro que o meu coração recrutou há um ano para ser meu namorado.
E Bogota? Bogotá tem o cheiro gémeo às cidades que já visitei, um cheiro que é comum a todas as cidades sul americanas, e que tem a ver com os hábitos culturais e sociais, onde se misturam os vapores da cidade e dos costumes. O mesmo acontece ao cheiro das Áfricas quando lhe reconhecemos no odor a terra quente, a calda e o pó. Não sei bem categorizar o tipo de cheiro, sem correr o risco de ser ofensiva, mas tem um misto de fritura, com açúcar, com shampoo floral e gasolina queimada. Outra coisa absolutamente única é o compasso, o som, a musicalidade e a cor. É tão bom saber que há povos que não se importam de entornar o colorido da vida sobre as paredes das casas. Bogotá é assim, uma cidade onde as histórias se inscrevem nas paredes, onde a cor do tijolo ocre se funde com os gritos revoltados de um povo que não se inibe em fazer da cidade um cartoon histórico dos seus feitos. Ainda ando por aqui ando a namorar as igrejas caiadas de branco encostadas às encostas verdes da cidade, ainda andamos rua acima, rua abaixo na cusquice da vida mundana, desejosos de sorver conversas e paladares, como se os estômagos estivessem abertos para a melhor digestão da vida, viajar.

IMG_0285

IMG_0278

IMG_0251

IMG_0248

IMG_0232

IMG_0230

IMG_0227

IMG_0213

IMG_0170

IMG_0159

IMG_0017

Comentar