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Há dores que passam mais rápido

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Hoje de manhã quando estava no ginásio uma senhora sentiu-se mal. Dobrada sobre as dores lombares é socorrida de imediato por um simpático PT que a transporta entre braços para uma maca e a deita com muito jeitinho.
Está cerca de 30 minutos de expressão sofrida a ser massaja entre mãos e sacos de gelo.
No entretanto, suponho que tenham ligado ao marido porque 15 minutos depois chega um senhor grisalho e engravatado sem protectores nos sapatos, que eu reparei.
Mal avista o marido, a senhora queixosa, engole as dores e senta-se na maca de um movimento só…só porque há dores que passam mais rápido que outras.

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AS PRAGMÁTICAS

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Ontem falei da velhinha rezingona do lance de escadas.
Hoje falo-vos do meu balneário de ginásio, onde encontro ocasionalmente um grupo de senhoras de 60/70 anos ainda cheias de vapor da hidroginástica e que ocupam todo aquele cantinho onde me visto. Ainda não lhes fixei o horário mas cada encontro é um compêndio.
Sem que percebam, remexo e remexo no meu cacifo para poder demorar-me entre esta fabulosa alcateia. Revejo-me nelas, imagino-me igual, desempoeirada e feliz, revendo os meus episódios recentes enquanto puxo as meias de vidro.
A minha avó não tinha a mínima graça comparada com estas jovens de aspecto idoso.
Dizia uma delas a propósito dos netos:
– Sou professora de desenho. E quando o meu neto de cinco anos me vem mostrar um desenho com 3 linhas a dizer que é um pássaro, eu digo-lhe logo: “Querido neto, 3 paus não fazem uma avezinha.”
O riso foi colectivo.
A mais ternurenta delas, responde:
– É só uma criança. Devias dizer-lhe que estava bonito.
O que seria!- responde, levantando-se. – Não concordo com o elogio da mediocridade. Esta mania, que agora os pais têm de enfeitiçar de elogio a mínima criação dos filhos, com medo de estrangular um Picasso, arrepia-me. Se o meu neto tivesse jeito, elogiaria. Como elogio quando faz construções de legos, torres altíssimas com pontes içadas. Para isso o miúdo tem muito jeito. Agora desenho, não tem nem jeito, nem vontade.
A mãe disse-lhe para ficar ali entretido, contra a vontade, a desenhar uns rabiscos, para a seguir o manda vir dar à avozinha. – E continuou:
Nem o miúdo queria pintar, nem eu. Lá por ser uma avó enternecida, não tenho que perder a capacidade de distinguir o bom do mau, e o talento da vontade. Comigo não embarcam nisso. Querem a minha opinião dou-lhes a verdade. Amo o meu neto mas disse-lhe mesmo à boca cheia:
– “Com três paus não se faz uma avezinha! Querido, isto não é nada…”

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Esta semana não pus os pés no ginásio

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Esta semana não pus os pés no ginásio e por ironia, acabo a semana a fotografar o Bruno Salgueiro numa box de cross Fit. Para quem não o conhece, este é o homem que faz humor com o Fitness. Com uns vídeos curtos, divertidos e teatrais. Se tivesse budget era o meu PT. Pelo menos, tenho a certeza que trabalhava a parede abdominal a rir.
http://www.runforrestrun.pt/films/20/dicas-do-salgueiro-desculpas
Não sou maníaca do desporto, nunca serei a rainha das maratonas, nem a madrugadora das aulas de cycling.
Gosto de ir ao ginásio porque para dar no “cravo” é preciso compensar na “ferradura”. Sou uma miúda de alheiras, de copos de tinto, de linguiças assadas na varanda e do cozido à quarta feira. Os meus pequenos -almoços são torradas de carcaça com doce de abóbora e só paro de comer, quando deixo de ter fome. Nunca tomei suplementos e o que levo dentro da garrafa para o ginásio é água, mesmo.
Tenho a sorte genética de ser magra, mas isso não significa que esteja amnistiada da prática de exercício. Adoro andar até sentir a falência dos joelhos e já percorri cidades inteiras a pé com mochilas de 20 kg às costas. Tenho gomas em quase todas as gavetas e quando como Carbonara cozo uns bróculos, só para as natas não morrerem sozinhas. O maior detox que já fiz foi beber água ao jantar.
Não sei….não estou, completamente, no mau caminho. Estou no meu caminho. Gosto desta elasticidade do ser e ninguém me demove de considerar que um dos maiores encantos deste Mundo é a diversidade. A mesma, que permite que as minhas maratonas incluam todo o tipo de ressacas. Hoje não fui ao ginásio, não tratei do jantar, já não tenho gomas e estou constipada que se farta. Vou coabitar o sofá com as minhas loiras e uma manta XL, aquecer uma sopa para mim, uns cereais para elas e umas pipocas de sobremesa. Vamos alugar um filme, que já vimos cem vezes e vamos aninhar-nos, que é coisa que devíamos praticar sem moderação, sem qualquer complexo calórico, até nos embebedarmos de amor mútuo.
Bom fim de semana!

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No Ginásio

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Hoje deixei as loiras na escola e segui para o ginásio.
Não devia ter levado o telemóvel, com a desculpa da minha playlist, porque recebi uma chamada de uma amiga e fiz 45 minutos de glúteos, que era basicamente a única posição possível para segurar o telemóvel e continuar a fazer qualquer coisa pela vida.
Tive uma hora no ginásio. Desci aos balneários, tomei banho e fui para o meu cacifo arranjar-me. Disse bom dia à rapariga de fio dental que se secava ao meu lado. Não respondeu.
Inquieta-me sempre a não reciprocidade na simpatia.
Mas cada um escolhe como quer viver. Nisto chega uma rapariga gordinha de sorriso rasgado, diz bom dia, eu respondo com um sorriso, o fio dental fica calado.
Concentrada que estava, desvia o olhar de soslaio e continua a colocar o creme. O cacifo da gordinha era colado ao da fio dental. e enquanto arfava a abrir o cadeado e salta-lhe uma fita grossa para cima da miúda calada. Pede desculpa, meio atrapalhada, meio sorridente. Eu sorrio, são coisas que acontecem.
A miúda do fio dental sacode para o chão, a fita que lhe cai sobre o peito. E suspira. Talvez desejasse a tranquilidade de um ginásio só dela, imagino. Debruça-se para fechar as botas, visivelmente apressada, muito provavelmente para se meter na sua nave e fugir ao contacto com a humanidade. Nisto, a gordinha nervosa deixa cair a toalha presa na porta do cacifo, sobre as costas do fio Dental. Baixa-se imediatamente, rindo de si mesma pela sucessão de trapalhadas. Olha para mim em busca de empatia e eu devolvo-lhe um sorriso grande. Há dias em que tudo nos cai. A miúda do fio dental levanta-se, agarra na toalha com a mão fechada, volta a coloca-la sobre a porta do cacifo com brusquidão e diz: – Estou bem aqui?
Não resisti e respondi-lhe: – Acho que só você é que pode responder a isso.
(Suspirei, igualzinho a ela e fui-me embora para a minha nave).

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Num processo silencioso de auto-motivação

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Deixei as loiras na escola às 7h50.
Eram 8h10 e estava a entrar nas portas basculantes do ginásio, num processo silencioso de auto-motivação.
Nunca voltei para trás.
Os exercícios que não sabia fazer, copiava escrupulosamente do lado. Li com atenção as instruções das máquinas onde me decidi enfiar, e não fui repreendida por ter a mão em manipulo errado.
Liguei a minha Playlist mas não me distrai com outras aplicações e só fui ao WhatsApp duas vezes para mandar um “Bom dia + ícon de coração” à pessoa certa.
Quando estacionei o carro, não resisti e fui comprar uma carcaça. Já são algumas horas, muitas calorias e os músculos doridos no corpo tem uma expressão estranha de fome.
Como já me dói qualquer coisa. Entendo que já fiz qualquer coisa.
Vou-me dar sem complexos à carcaça.
A culpa ficou entretida no ginásio.
E tenho que acumular calorias para a reunião de pais.
Bom dia quarta-feira!

* Shooting Crianças & Animais de Estimação | 6 ª Edição Revista Cristina

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