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ESTADOS DE ALMA

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As loiras continuam no campo de férias a milhas de Lisboa, felizes da vida, a fazerem frete bom para virem ao telefone dizer à mãe o quanto se estão a divertir.
A mãe também não está nada mal, verdade seja dita.
Com tempinho bom para ir ao ginásio a horas malcriadas, escapadelas de praia, jantares prolongados, sapatos na sala, cinzeiros no escritório, livros nas cadeiras da cozinha e copitos de pé alto em filinha indiana na bancada. As pessoas perguntam-me se me estou a aguentar, eu respondo que estou a VIVER.
Deixei-as bem entregues, radiantes com a ideia de passarem duas semanas no meio da montanha, com roupa coçada dos verões passados, ténis usados, sacos cama e lanternas. Já tive a mesma idade e a mesma vontade. Tinha uma mãe bastante menos liberal, bastante mais protectora. E apesar de sermos 4 irmãs, um colectivo tipo gangue, fazia lhe alguma aflição a distância, esse caminho menos percorrido, por quem teme o que não conhece.
Uma vez numa entrevista perguntaram-me se ao educar as minhas filhas, me lembrava da educação que a minha mãe me tinha dado, e se o que fazia vinha em continuidade, ou por “boa” rebeldia” em contraste. Nunca tinha pensado a fundo nisso, confesso.
Sou mãe por intuição, sigo as indicações do meu coração e tenho uma certa fé, em acreditar, que o meu bom senso e a chata da minha mãe, tiveram o seu contributo na minha forma de estar e de ser, mesmo no capitulo por vezes nebuloso da maternidade. A vida dar-me à as respostas e eu farei, como tenho feito até agora, os devidos ajustes. Uma coisa é certa, passaram 72 horas de campo de férias e ambas sentimos o mesmo. <3

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De partida para o campo de férias

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As loirinhas estão de partida para o campo de férias. São 15 dias fora, numa estreia absoluta para ambas. Já estive longe bastante tempo em viagens de trabalho e de gozo, mas é a primeira vez que as deixo num sítio, sem que o conheça ou sem conhecer pessoalmente as pessoas que as cuidarão lá. Sou uma mãe descontraída, não tenho queda para penas de galinha e as minhas miúdas estão habituadas a pessoas, a locais e a imprevistos. Mas há um apertozinho de ansiedade ao saber que estão a 4 horas da mãe, que fica em Lisboa e que o pai está a milhas na África do Sul. A minha decisão de as colocar num campo fora de Lisboa não foi só a de tirar umas merecidas férias das filhas da mãe, foi dar lhes vivências diferenciadas, fora dos círculos citadinos e convencionais, foi dar lhes calo, resiliência e generosidade. Ali não há tecnologia para amparar a timidez e o vazio, há natureza bruta e convívio humano. Tenho uma certa esperança de as ir buscar numa versão melhorada, confesso;) E tenho a certeza que depois de 2 semanas sem loiras elas vão apanhar a mãe numa versão i.os 10!

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243 Palavras | Caetana | 5º E

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“Na minha opinião, os animais são nossos amigos, porque eles não só nos fornecem comida, como também fornecem lã, leite, queijo…e também são muito meigos, e só nos atacam quando têm medo ou se sentem ameaçados.
Eu percebi, que no contexto do livro a viúva e o papagaio, o papagaio era muito amigo da velha viúva e não só pelo conteúdo da obra, eu penso que isso é mesmo real.
Os animais são como pessoas, só que não falam: ladram, miam, uivam etc, mas eles nunca nos deixam infelizes, eu penso que eles são uma grande companhia para a alma.
Eu adorava ter um animal, não só para fazer companhia,mas também para dar festas, eles iriam fazer de mim uma pessoa ainda mais feliz.
Noutro dia, eu vi uma menina pequenina e pobrezinha, mas na realidade eu penso que ela não era pobrezinha, porque ela tinha um cãozinho e esse cãozinho era o seu tesouro.
Na minha opinião, como no presépio tem animais, eu acho que como Jesus nasceu junto de animais isso deve ser bom.
Eu também penso que quando uma pessoa se sente sozinha, o melhor era arranjar um gato,um cão um coelho etc.
A minha vizinha vivia sozinha, sentia-se sozinha, quando eu la fui a casa dela, aconselhei-a comprar um cão, um coelho, um gato, um animal qualquer, ela comprou um gato e a vida dela mudou, ela passou a sentir-se bem, animada e muito feliz. Como se ganhasse alma nova.”

243 Palavras
Caetana
5º E

(Acho que no capítulo animais já me safei, agora vamos lá ver como é que ela trata os seres humanos ♥)

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Sentir

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Dizes que não percebes porque é que ela não chora quando o pai vai embora. Dizes com voz ferida, que ela não sente. Que quem sente fala, que quem sente, diz. É difícil para mim explicar-te que há pessoas que sentem, mas não falam do que sentem, que choram por dentro, que gritam por dentro, mas que não mostram aos outros. A tua irmã é diferente de ti. Tem a mania que é durona, mas sente, tem a mania que é seca, mas chora. E acredita, que sente igual a ti, a falta que o pai lhe faz. Eu sou das que sente, mas já fui das que cala. Agora deixo o sentimento falar em voz alta, não o filtro, não o travo e não o encomendo. Mas já fui assim, durona. A última a deitar a lágrima. Como se no final fosse receber uma medalha de valentia. E já senti muita inveja de quem chorava com o corpo todo, quem enlameava a cara de lágrimas e não escondia o inchaço dos olhos cansados. Depois aprendi a disfarçar a dor com alegria, tornei-me palhacinha das minha emoções, aquilo que a tua irmã às vezes faz, quando não suporta o peso do que carrega.
Aí maquilha-se a tristeza de piada, exclamam-se frases de motivação, ergue-se o peito para a frente, levanta-se o queixo e desafia-se o medo de sentir.
Tu não. E eu também te adoro por isso, tu choras quando sentes e ris quando tens vontade. Mas não és melhor que ela por isso, és diferente. E nós precisamos uns dos outros, para não nos afundarmos todos num abraço que tem mais de peso que de bóia. Acho que temos sorte cá em casa. Para cada peso, haverá sempre duas medidas. E assim a saudade estará sempre de mãos dadas com um sorriso.

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Eu sei.

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Dizem que às vezes te trato como se fosses um bebé. Eu sei.
Quando estou na sala, e te dá o sono e a manha, arrasto-te pelos braços até à porta e quando somos só as duas, pego-te ao colo. Não me interessa o que pesas e o que medes, pareces-me sempre incrivelmente bochechuda e pequenina. Não tenho saudades de um bebé pequeno, porque tu és o mais pequenino que tenho de mim. Quando fazes birras, que ainda fazes, e me zango contigo, mostras-me os dedos papudos que confirmam o que ainda tens de redondo. Depois pego-te nos dedinhos carnudos e beijo essa concha húmida de mão com beijinhos demorados. Dizem que já a sabes toda. Talvez seja verdade. Porque essa toda sou eu. A mãe magrinha que arredonda no olhar a tua forma só para te ver pequenina.

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O tempo passou.

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O tempo passou. As coisas não complicaram. Ficaram diferentes. Parecia tudo mais pequeno, mais íntimo, mais controlável.
E de repente o mundo ficou enorme, o meu colo ficou pequeno e as vossas pernas esticaram. O amor que sinto por vocês alarga na mesma proporção com que tudo parece fermentar à nossa volta. Mentia se dissesse que não tinha saudades. Mas há um mundo inteiro à nossa espera.

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RECTA FINAL….

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Estamos na recta final do ano lectivo. Percebi isso, pela dificuldade que tive em encontrar um explicador de matemática que elevasse a negativa da Caetana para um Satisfaz. Também percebi isso pela súbita inflação do brio das minhas crias, na realização das tarefas propostas pelas professoras e percebi por acréscimo, que vem aí um tornado de 3 meses de férias….que é um rival à altura da negativa a Matemática. Aliás, não sei se a dificuldade da equação não o suplanta. Sem apoio de retaguarda é uma sensação de semi-pânico pensar em ocupar duas crianças durante 90 dias. Prolonga-las em Atl´s na escola, soa-me logo a namoro prolongado sem a chama da paixão, é preciso muda-las de cenário e pedagogia, afinal de contas, é para lá que regressarão no final da minha pena:)
Arrasta-las comigo é impensável, mantê-las em casa é um cenário de terror. Quando penso nas ocupações de tempos livres imagino-me, no mesmo transfer matinal, só que com menos roupa, se contarmos com a benevolência tardia do verão. E depois, não posso esquecer que há sempre lanches, material obrigatório e um cem número de tarefas para cumprir que fazem de mim uma espécie de mãe escuteiro.
Googlei “campos de férias longe” para ter a certeza que a motorista cá de casa apenas teria que cumprir o ponto de partida e o de chegada, mesmo que elas tenham que sair de casa naquele dia, com o saco de cama, a mochila oversized, o cantil preso no cinto, o casaco de frio atado à cintura e as chinelas enterradas à força no único bolso disponível.
Imagino-lhes logo o sorriso alado distribuído universalmente pelo rosto, a dimensão da aventura, o desbravar de novos mundos, os amigos estreantes, os hinos do campo à volta da fogueira, a roupa suja a acumular num saco e o meu sono, isento de insónias, livre de culpa, carregada de opções, com laivos ligeiros de saudade e muito vinho branco.
Quando era pequenina também tive que andar a sprintar a matemática.
Mas se há uma disciplina, que nunca nos ofereceu dificuldade cá em casa, e que nos lembra que no final de contas (estejam elas certas ou erradas) somos todas filhas da mesma mãe é o Estudo do Meio.
E mesmo que inferiorizado pelos seus pares, a verdade mais absoluta, é que não há Fim que valha, se não tivermos o Meio certo. heart emoticon

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Família ADAMS

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Sou uma mãe porreira. Disso, tenho a certeza.
Levo ao expoente máximo a arte de ser criança. Em minha casa permite-se o eco agudo das expressões mais dramáticas.
Com a minha mãe não era assim, cinco filhos em casa, individualidades homogeneizadas e pais tranquilos.
Arrebiques de carácter e nuances de extroversão eram passados a ferro de educação. Havia fases para todos mas o colectivo não podia ser ameaçado com o despontar de uma rebeldia singular.
Quis contrariar o modelo e não faço ideia do ónus do resultado. Se querem maquilhar-se partilho as minhas tintas, se querem desfilar, empresto as minhas roupas, se pedem para cozinhar, vamos para a cozinha. Da sala faz se palco de teatro, do corredor passadeira, da cama trampolim. A verdade é que ser mãe assim me dá uma sensação apaziguadora de vingança tardia sobre o reinado dos meus pais. E também é assim que me via a ser mãe.
Preservo o meu espaço mental quando o sono lhes dá carinho, mas até lá é tudo nosso, quando elas estão, para usufruto colectivo.
Aqui há dois anos a Caetana decidiu que queria ser gótica, tinha apenas 8 anos e a única peça do armário preta era o maillot de ballet. Condescendi, lembrada que o acto de contrariedade degenera normalmente numa obsessão pelo tema. Tive sorte, o maillot não dá jeito para ir à casa de banho e em duas semanas cansou-se do exotismo. Agora tem 10 e decidiu que queria ser gótica novamente. Já tem umas quantas peças negras no armário e sabe que o meu está cheio delas.
Adoptei a mesma estratégia…mas ao gosto pela vestimenta preta, soma-se agora uma paixão por literatura das trevas e uma obsessão por temas como o holocausto e os terramotos. Não sei se não preferia quando tinha que levar com a histeria da Violeta em todas as interfaces de som. Confesso que acho mais assustador vê-la a googlar (vigiada) o retrato do Hitler e o museu da Anne Frank. Até na mochila da escola encontrei um livro de poemas do Edgar Alan Poe em inglês resgatado à minha estante.
A Camila que atesta a sua individualidade permanentemente, já começou a ter sonhos com refugiados e hoje pediu-me para ir de cinza escuro para a escola (pantone a pantone vai ficando gótica).
…e quando até a poesia assusta, fico na dúvida, se a contrariedade não devia ter tido lugar ou se também me vista de preto:)*

P.S.: *Também tive a minha fase gótica. E permaneceu a poesia

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UM DESAFIO | UM RÓTULO

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Tenho uma série de garrafas de vinho na minha mesa do escritório. Umas vazias e outras fechadas, mas tudo isto tem um propósito: O vinho #filhasdamãe.
E as loirinhas estão comigo desde o dia em que decidimos avançar com o Projecto, a criação de um vinho nosso, em parceria com o enólogo Paulo Laureano.
Gostamos de nos envolver a fundo no que fazemos. Não queremos dar nome, queremos dar forma e alma. E por isso, fomos vindima-lo, fomos pisa-lo, fomos prova-lo e estamos naquela fase deliciosa do namoro do rótulo.
A Caetana diz. – É mesmo cool mãe! Vamos ter um vinho.
E a Camila diz que preferia que fizéssemos barras de chocolate. Mas pega na garrafa vazia, logo de seguida, e pergunta se pode levar para a escola para mostrar à professora.
O vinho tem álcool, é verdade. Mas não é o álcool que define o vinho. O vinho é um equilíbrio de propriedades, um blend da terra, com as uvas, as pessoas, as mãos e os sentidos que o sacodem e saboreiam. Pusemo-nos as três a falar alegremente sobre o rótulo, e embora, elas não percebam nada sobre o paladar do vinho, pude explicar-lhes a importância do terreno(terroir), falei-lhes da uva, a primeira “filha da mãe” terra, falei-lhes da celebração, das diferentes castas, do processo de vindima e dos segredos guardados em pipas enormes de madeira. Igualzinha aquelas em que deixamos mensagens no alto mar.
Tenho a certeza, que mesmo ainda antes de sentirem o sabor, já lhes vislumbraram a essência. E com uma “pinga” bem aplicada de orgulho, terei semeado nelas, o mesmo gosto que hoje tenho por esse paladar engarrafado:)
Perguntei-lhes que rótulo gostavam de ver num vinho que também é delas. Sugeriram-me imagens, desenhos e palavras, e foi dessa conversa entornada, sem rolhas à imaginação que começamos a desenhar o rótulo do nosso vinho. Ainda não está concluído e a rolha ainda não está selada. A Caetana sugeriu e bem, que vos perguntasse o que esperavam ver no rótulo.
“Pode ser que eles tenham mais imaginação que nós e que gostem tanto de vinho como a mãe”.
Por isso aqui vai o nosso pedido:
Mandem as rolhas cá para fora e respondam às “filhas desta mãe” sff:)
Obrigado!!

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Toda a gente lê antes de dormir.

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Escrevi no meu Instagram – https://www.instagram.com/isaldanha/ – que cá em casa até perdoamos a sopa, mas que toda a gente lê antes de dormir.
É bem verdade.
Mesmo com os olhos tortos e um bocejo inscrito na cara, faço questão de lhes dar 15 minutos de leitura obrigatória, às vezes mais. Quero que poisem os tablets e os periféricos móveis, que descansem do Youtube e das dobragens detestáveis do Disney Channel, quero que sintam a textura do papel, as palavras alinhadas, o cheiro das folhas e sobretudo os mecanismos de imaginação, curiosidade e o enriquecimento semântico, que só um livro produz.
Deixo-as escolher as livros.
A Caetana só gosta de histórias que tenham um Q.I. de terror, já a Camila só quer ler livros onde haja beijos e muito amor.
Comprei a trilogia da “Escola do Bem e do Mal” para a Caetana, reza a sinopse: “No povoado de Gavaldon, a cada quatro anos, na décima primeira noite do décimo primeiro mês, dois adolescentes somem misteriosamente há mais de dois séculos. Na temida ocasião, os pais trancam e protegem seus filhos, apavorados com o possível sequestro, que acontece segundo uma antiga lenda: os jovens desaparecidos são levados para a Escola do Bem e do Mal, onde estudam para se tornarem os heróis e vilões das histórias dos contos de fadas.” O primeiro livro foi eleito um dos melhores de 2013 nos Estados Unidos e Best-seller do The New York Times.
A miúda não larga o calhamaço e hoje pediu-me para levar o livro para a escola.
E eu, que sempre sonhei ir buscar a minha filha ao recreio e encontra-la absorta a ler.;))
É desta que concretizo um fetiche maternal.
Um beijo maior nos livros. (No dia internacional dos beijos.)

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