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Fragmentos de um Verão

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“Férias”, aquela palavra que isolada soa sempre bem, mas férias não são isolamento, são colectivo numeroso, aqui para os meus lados.
Não é fácil, ninguém disse que era fácil, mas todos os anos melhoramos com os erros dos anos que já passaram.
A família ganha nova configuração, acrescem trabalhos, ganha-se em número, empenha-se a liquidez, ganham-se novas rugas, abrem-se velhas garrafas. Aprendemos a dois, que a felicidade a seis só é possível, se contemplar momentos a dois. Aprendemos a requisitar ajuda, apertámos no orçamento, mas ganhamos o direito a um pôr do sol só para nós. Levámos baldes e setas, raquetes e brinquedos velhos do Verão anterior, redobramos o ânimo, olhamo-nos com cumplicidade e brindamos à vida.
Isto é tudo muito fugaz para suspiros demorados, que não sejam no enlaço do torpor, de quem já foi com a palhinha aos açúcares baixos da caipirinha.
Estamos felizes. Se podíamos estar mais?
Talvez, mas a idade tem essa magia, a de amaciar a ansiedade de tudo o que poderia ser, com a alma cheia de tudo o que já é.
Estes são alguns fragmentos do nosso Verão…

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ESTADOS DE ALMA

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As loiras continuam no campo de férias a milhas de Lisboa, felizes da vida, a fazerem frete bom para virem ao telefone dizer à mãe o quanto se estão a divertir.
A mãe também não está nada mal, verdade seja dita.
Com tempinho bom para ir ao ginásio a horas malcriadas, escapadelas de praia, jantares prolongados, sapatos na sala, cinzeiros no escritório, livros nas cadeiras da cozinha e copitos de pé alto em filinha indiana na bancada. As pessoas perguntam-me se me estou a aguentar, eu respondo que estou a VIVER.
Deixei-as bem entregues, radiantes com a ideia de passarem duas semanas no meio da montanha, com roupa coçada dos verões passados, ténis usados, sacos cama e lanternas. Já tive a mesma idade e a mesma vontade. Tinha uma mãe bastante menos liberal, bastante mais protectora. E apesar de sermos 4 irmãs, um colectivo tipo gangue, fazia lhe alguma aflição a distância, esse caminho menos percorrido, por quem teme o que não conhece.
Uma vez numa entrevista perguntaram-me se ao educar as minhas filhas, me lembrava da educação que a minha mãe me tinha dado, e se o que fazia vinha em continuidade, ou por “boa” rebeldia” em contraste. Nunca tinha pensado a fundo nisso, confesso.
Sou mãe por intuição, sigo as indicações do meu coração e tenho uma certa fé, em acreditar, que o meu bom senso e a chata da minha mãe, tiveram o seu contributo na minha forma de estar e de ser, mesmo no capitulo por vezes nebuloso da maternidade. A vida dar-me à as respostas e eu farei, como tenho feito até agora, os devidos ajustes. Uma coisa é certa, passaram 72 horas de campo de férias e ambas sentimos o mesmo. <3

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De partida para o campo de férias

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As loirinhas estão de partida para o campo de férias. São 15 dias fora, numa estreia absoluta para ambas. Já estive longe bastante tempo em viagens de trabalho e de gozo, mas é a primeira vez que as deixo num sítio, sem que o conheça ou sem conhecer pessoalmente as pessoas que as cuidarão lá. Sou uma mãe descontraída, não tenho queda para penas de galinha e as minhas miúdas estão habituadas a pessoas, a locais e a imprevistos. Mas há um apertozinho de ansiedade ao saber que estão a 4 horas da mãe, que fica em Lisboa e que o pai está a milhas na África do Sul. A minha decisão de as colocar num campo fora de Lisboa não foi só a de tirar umas merecidas férias das filhas da mãe, foi dar lhes vivências diferenciadas, fora dos círculos citadinos e convencionais, foi dar lhes calo, resiliência e generosidade. Ali não há tecnologia para amparar a timidez e o vazio, há natureza bruta e convívio humano. Tenho uma certa esperança de as ir buscar numa versão melhorada, confesso;) E tenho a certeza que depois de 2 semanas sem loiras elas vão apanhar a mãe numa versão i.os 10!

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Uma mãe feliz e cansada

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Já não há skype, facetime e whatsapp que mate a bilateralidade da Saudade e o meu cansaço. Por muitas razões, mais ou menos óbvias, todos ansiamos de novo pela santíssima trindade do Pai e filhas.
Eu cá fico-me pelo Espírito santo de quem atravessou este último período a ferros, entre testes, saraus e explicadores. Venha daí essa saudade com sabor a reforma antecipada. Deste lado há uma mãe feliz e cansada, a precisar de um tempo largo de namoro a dois, refeições a dois, passeios a dois, despertar a dois, e tudo o que de bom se faz quando a três já é demais.

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Semana de folga da mãe

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A semana da Páscoa foi a semana de folga da mãe.
Com o pai em Portugal, consegui acabar um livro e começar um novo, tomar um banho de imersão, dormir 13 horas seguidas, empilhar a loiça toda que quis, ver documentários bons, séries más, comer de lata e de frigideira, deixei todos os casacos que vesti onde quis, os sapatos onde os encontrei na manhã seguinte, saldei jantares, passeios, almoços, revi amigos e só não fiz novos, porque o melhor desta fase é ir a fundo nos que já temos.
Não escrevi muito porque tive ocupada a viver outras frentes. Encontrei-me, reconciliei-me e dormi muito mesmo.
Tanto, que acho que os meus olhos ficaram como os ovos da páscoa que não comi.
O Pai vai embora amanhã e as loiras devem estar a chegar a qualquer momento.
Já tive que passar “geral” na casa, encobrir as minhas intermitências, suavizar os meus passos de desleixo, esconder os meus excessos de liberdade. Tenho saudades delas, por muito que me custe deixar para trás a loiça empilhada e o ímpar do sapato por descobrir.
Estou em modo “amante apaixonado” que já foi ao espelho vezes sem conta verificar se tem a camisa direita. Gosto deste pacote de ansiedade que vem com o Amor. Tenho-lhes tanto de tanto que tenho. Tive uma Santa Páscoa não há dúvida.
Mas está na hora de devolver os pintos à galinha

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Chegámos às 6h00 da manhã …

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Chegámos às 6h00 da manhã a São Tomé depois de 5 horas e 45 minutos de um dos voos mais turbulentos que já fiz.
Apesar do avião vir semi-cheio, e de ter conseguido estender as pernas por três lugares da fila do meio, mesmo tendo todos os kits: Pescoço, olhos e manta, e os joelhos do Pedro para amparar a minha cabeça morena, não consegui pregar olho. Aterramos com cara de peixe a findar em lota.
Quando saí do avião bastaram duas partículas de oxigénio para inalar aquela humidade quente do Equador e aquele verde espesso, que desce sem maneiras da montanha até ao mar. Fomos de transfer para o aeroporto. O dia nascia devagarinho, junto com sono em dívida de cada bochecho nosso.
Esta terra tranquiliza-me.
Assim que chegámos ao hotel, deixámos as malas no quarto e como crianças em véspera de natal, esquecemos rapidamente a necessária conciliação do sono e decidimos ir a pé até ao centro da cidade. Como o criador é amigo fomos parados por dois tipos de jeep que nos ofereceram boleia até ao café mais próximo, que pelos meus cálculos, devia ficar a 40 minutos de caminho. Bora lembrar que a humidade bate alto e que as temperaturas rondam os 28 graus e ainda não eram 8 da manhã. Suavamos como se tivessemos acabado a São Silvestre em primeiro lugar. Como a ilha é pequena perguntei ao Paulo se conhecia o Mike, o meu amigo e guia, com quem estive nas vezes que aqui vim. Passou-me logo o telefone e em menos de nada estavamos todos no café a combinar o roteiro dos próximos dias. Regressámos ao hotel já com o Mike, depois de termos passado uma hora à procura de uma bomba que tivesse gasolina. Desde o Natal, que o povo são tomense se dedica em exclusivo à arte do lazer, invadindo as praias com marmitas e famílias, como se só agora tivessem descoberto que habitam uma ilha. É curioso porque o povo não gosta de fazer praia. E esta é uma das poucas alturas do ano em que vemos as praias da marginal, às mais recônditas, carregadas de pontos pretos em movimento e alegria. Ainda tirei umas chapas, como esta, mas estou com os olhos tortos do cansaço e preciso mais de dormir que qualquer outra actividade. Amanhã vamos para o Norte da ilha, visitar as roças e comer as santolas de Neves. Amanhã sim, os meus olhos vão fazer jus à beleza da ilha e eu vou retribuir em largos sorrisos, tudo o que de bom se recebe aqui: “leve-leve”.

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Tirem-lhes as pilhas…

…ou dêem me uma bateria nova.

Entrei a pé juntos nesta quinzena de Verão com as loiras. Vinha rebentada das milhas em aviões, das viagens em Trabalho, dos dias de quinze horas. Sei que não vos acolhi com o mesmo colo com que vos recebi no ano passado. Não falo com arrependimento, porque o que já vai, lá vai. Mas falo com um bocadinho de pesar sobre a consciência activa. Faltou-me tempo mental para vos gozar, faltaram-me as horas necessárias de sono, para virar brinquedo, faltou-me a vontade pragmática para vos alimentar e cuidar. Dei-me pouco, reconheço. Dei-me menos de mim a mim e pouco de mim a vocês. Sei que um dia, quando a maturidade lúcida vos fulminar, vão perceber nas razões do meu cansaço. Não peço desculpa porque tenho crédito de mimo que chegue para as vezes que me ausentei. Vou sentir apenas para mim. Vou digerir com carinho, para não esgravatar na culpa, e daqui a umas semanas, quando voltarem para o meu regaço, prometo uma bateria carregada. Dar-vos ei o tempo na medida justa, os abraços desmedidos e vou reaprender convosco a ser brinquedo nas vossas mãos. Desta mãe que vos adora e que já sonha com esses dias. IS

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De férias eu não estou

IMG_0133Lá vou eu….Eu, que acabei de dar uma perninha a Lisboa para meter as mãos na massa do trabalho. Eu, que entrei de férias domingo, depois de ter trabalhado dois fins de semana seguidos. Eu, que tive um mês a carimbar passaporte e ninguém tem grande condescendência, porque eu também não tenho, por toda a gente que carimba muito. Eu, que lambi o chão com as provas do 4º ano da Caetana e a leitura insípida e gaguejante da Camila.
Eu, que me vi Grega (nunca fez tanto sentido a aplicação deste termo) para organizar os ATL`s de Verão, com o pai a milhas e as minhas milhas por fazer. Eu, que ainda mal aterrei do jet lag, do dedo que parti na Tailândia, do passivo, da otite e das saudades de tudo e de mim, e de mim, e de mim.
Recém chegada, ainda coxa de tudo, parti para esse cognome de férias, com as minhas duas filhas e os dois filhos do Pedro.
Em dois dias, já tentei a teletransportação para as Maldivas, tentei a alienação no fundo de um copo de tinto, tentei esconder-me atrás de um tremoço, tentei fingir, enquanto dormia, que os gritos das crianças eram bandos de meninos thaitianos a acelerar passo na beira mar. Mas quando me vi de novo a descamar o peixe, a pendurar o fato de banho encharcado, a escorregar no piso molhado dos pézinhos pequenos….chorei? Não.
Gritei? Quase. Suspirei. É mais romântico e menos agressivo para as crianças.
A malta dá sempre a volta: cozinha todas as vezes que eles comem, dobra todas as vezes que eles mandam para o chão, apanha sempre, classifica mergulhos com a autoridade de um professor de natação, enche copos como um barman em casamento, estende toalhas várias e domina todos os maus feitios. Mas quando me perguntarem onde estou, vou ter a honestidade de quem nutre um profundo amor próprio e às palavras:
-Estou por aqui direi.
De férias eu não estou.

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Mimo, hás de ter a vida toda.

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Tenho a certeza que não vais esquecer estas férias, até porque posso apostar, que são as últimas que te carregam ao colo com tanta frequência.
Sei que estás para lá da linha vermelha do mimo, mas também não era aqui com o pai saudoso, que te ia cortar o barato e ensinar a andar a pé. Coisa que tu já sabias.
Só tens tido duas modalidades nestas férias, a corrida e o colo.
Quando vais ao colo do pai à minha frente, vejo-te espreitar para mim de soslaio num misto, do “ando a abusar” com o “já abusei”. O meu olhar só precisa de se inclinar ligeiramente, para que tu percebas que essa manha tem perna curta e tempo contado. Aproveita bem o colo do pai e agarra com força esse pescoço.
Mimo, hás de ter a vida toda, mas começa a estar na hora de pôr esses pezinhos no chão.

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AS PESSOAS PERGUNTAM. EU EXPLICO.

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Vou para África do Sul ter com o Pai das minhas filhas. Um homem que adoro e admiro.
O nosso casamento não durou para sempre, mas conseguimos criar vínculos que nos vão ser eternos, duas filhas fantásticas e uma amizade enorme.
Mesmo algumas pessoas que me conhecem bem, perguntam-me como é que o meu namorado reage, sabendo que vou passar férias com o meu ex-marido.
Pois é.
Primeiro, a correcção semântica necessária: O Gonçalo, antes de ser meu ex-marido já era o pai das minhas filhas.
E quando deixámos o epíteto formal de marido e mulher, não perdemos o de amigo e de amiga. Eu sei que é menos usual, que a formalidade, a disputa, o conflito e a secura. Mas não consigo, mesmo que tentasse muito, ser assim.
Temos demasiado em comum, para deixar que os erros episódicos de uma relação amorosa se sobreponham a existência das nossas filhas. E não me passa pela cabeça, pelo coração e pela vida que levo, falar-lhe que não seja com um sorriso, saber se a vida lhe sorri, e pensar que enquanto for sorrindo, mais capaz será de amar o que é nosso.
Farei sempre tudo o que tiver ao meu alcance para que a vida lhe sorria. Isso não significa reatar a relação. Significa saber construir sobre a relação. Por isso, quando me perguntam como reage o Pedro, eu respondo que o Pedro é um homem à séria. E se o Pedro não soubesse a mulher que tem, a mulher que ama e a mulher que quer. E se não me quisesse assim, então não era o homem certo para mim.
Não tenho qualquer ambição de fazer da minha história um exemplo, o planeta está cheio de amantes eternos e felizes. Gostava sim que a cabeça e o coração de algumas pessoas, se esvaziasse, para se puder encher outra vez.
E gostava que as pessoas, experimentassem escolher o açúcar ao amargo e que o Detox nunca entrasse nas emoções boas da vida.
Nem todas as histórias têm fins perfeitos, mas isso não significa que não sejamos felizes para sempre.
Não tive grande sorte com o meu pai, mas esmerei-me nos homens que escolhi para a minha vida.
E eles sabem exactamente quem são:)

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