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As Mães são sempre “Gigantes”

A última vez que fui mãe, em verbo imediato e parido, foi há quase 7 anos. E não tenho grandes memórias da minha gravidez. Não no sentido mau, do património acumulado, até mais, no sentido bom.
Foi tudo tão desejado e depois tão tranquilo, que nem os pontos que não levei, me ajudam a recordar, o preciso momento em que as minhas filhas saíram da minha barriga para o meu colo.
Tenho reminiscências de um ternura desmedida, da vontade que tinha de lhes conhecer as feições e de um “cagaço” sincero de tudo o que ia mudar, a minha vida, o meu corpo, o meu destino.
Hoje falei com a Mariana, que fotografei há uns meses, grávida de gémeos.
Numa conversa curtinha, recordei tudo o que nos enche quando o medo é sacudido pela força dessa nova presença.
Não fosse o regresso das loiras ao lar, e quase, quase, que invejava aquele momento, em que trazemos para casa um sonho multiplicado, uma equação pequenina que promete mudar tudo e um sentimento, que longe de se engasgar, vem selado para sempre.
Sempre gostei de fotografar grávidas, há uma paz tão serena, um poder tão grande.
A maioria julga-se enorme (de peso).
Eu, admiro-as da minha lente, gigantes (de pessoa) na condição soberana de mães.

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Há clientes e há clientes.

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Há clientes e há clientes.
E depois, ainda há os clientes, que para além de nos receberem com um abraço apertado, encerram as hostes com um branco gelado, que nos servem um queijo de cabra em pão fresco, que nos convidam a sentar, que nos ouvem, a quem ouvimos, com quem mastigamos, conversamos e rimos.
Clientes, que numa fracção de segundos, viram amigos.
Como se aquele momento, fosse apenas um reencontro de saudades selado com fotografias.
E ainda que o embalo do vinho ajude à peregrinação da amizade, é a forma como se dão em tudo, que define como tudo acontece, e que dita tudo o que virá a seguir.
Família gira a que vocês têm!
Mas muito acima disso, a cumplicidade desprendida, de quem sabe que a vida reina acima de todos os filtros.
Parabéns daqueles de quem faz anos todos os dias!

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Tirem-lhes as pilhas…

…ou dêem me uma bateria nova.

Entrei a pé juntos nesta quinzena de Verão com as loiras. Vinha rebentada das milhas em aviões, das viagens em Trabalho, dos dias de quinze horas. Sei que não vos acolhi com o mesmo colo com que vos recebi no ano passado. Não falo com arrependimento, porque o que já vai, lá vai. Mas falo com um bocadinho de pesar sobre a consciência activa. Faltou-me tempo mental para vos gozar, faltaram-me as horas necessárias de sono, para virar brinquedo, faltou-me a vontade pragmática para vos alimentar e cuidar. Dei-me pouco, reconheço. Dei-me menos de mim a mim e pouco de mim a vocês. Sei que um dia, quando a maturidade lúcida vos fulminar, vão perceber nas razões do meu cansaço. Não peço desculpa porque tenho crédito de mimo que chegue para as vezes que me ausentei. Vou sentir apenas para mim. Vou digerir com carinho, para não esgravatar na culpa, e daqui a umas semanas, quando voltarem para o meu regaço, prometo uma bateria carregada. Dar-vos ei o tempo na medida justa, os abraços desmedidos e vou reaprender convosco a ser brinquedo nas vossas mãos. Desta mãe que vos adora e que já sonha com esses dias. IS

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Vida Cigana: Ao Toque do Tambor

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Somos Alfamistas, amantes do bailarico, amigas intimas do churro, do pimento assado e da sardinha na brasa. Ficamos mega vaidosas quando o nosso bairro se traja para receber e assistimos às marchas com a ansiedade de um Mundial de Futebol. Mas este ano, decidimos que íamos dar um mergulho tardio nos Santos, quando o alcatrão secar das passadas irrequietas e podermos voltar a ver as paredes de Alfama, e o sorriso grandalhão das pessoas que lá conhecemos. No entretanto, entregamo-nos aquilo que sabemos fazer melhor, viver.

Há umas semanas a minha amiga Vera liga-me a perguntar se alinho numa de acampamento cigano, um sitio giro que não sabia bem onde ficava, mas tinha duas carruagens de madeira, muito campo, muita actividade para os miúdos e espaço que chegue para soltar as crianças descalças e pôr a conversa em dia. O programa era durante a semana e implicava  faltar às aulas. Disse-lhe logo que sim. Esta recta final das aulas rebentou-nos  de cansaço. Tudo o que eu pensava era fugir. A Vera levava os três filhos, eu as minhas duas loiras e enfiava-mos-nos durante dois dias nas carruagens a ressacar da vida urbana. Tenho andado tão ocupada, que mal tive tempo para googlar na véspera o sítio, e quando pus a primeira no carro, ia guiada pelo GPS da Vera, mas tão animada, que parecia uma criança à porta da Kidzania.

E assim, sem ter a mínima noção do local, e a menos de 30 minutos de Lisboa, na bela localidade de Aveiras de Cima, conheci o Parque Rural do Tambor.

O site não faz justiça ao sítio e as fotografias não revelam o lado mais boémio e romântico do local. Só vivendo se conhece. Até me custa alinhar as palavras mais bonitas para descrever a nossa estadia. As carruagens dá para ter uma ideia nas fotografias. Mas o melhor do sítio é o complemento entre a tranquilidade do espaço e a simpatia arrasadora dos donos. E quando digo arrasadora, digo à séria. São dois jovens de 60 anos, cuja a impressão imediata não é apenas: “que simpatia” é mesmo o “quem me dera que fossem avós dos meus netos”. O Tio Zé e a Tia Mariazinha vivem no Parque e são a alma do parque. Foi deles a ideia do labirinto no milharal, a criação dos programas de passeio para as escolas, o celeiro com a máquina das pipocas, os cultivos, o tour de tractor em cima de fardos de palha, a caça ao pirilampo à noite, os baloiços, a tenda India e tudo o que os nossos olhos alcançam e as crianças possuem. O Parque Rural do tambor vale pela experiência de partilha, pelo enquadramento, pelas dinâmicas criadas, pelo espaço imenso onde se respira, mas o que me fica na memória, o que a inscreve na minha história dos sítios a voltar, é sempre a alma das pessoas. E quando arrancamos com as crianças nos carros, a tristeza já era saudade e tudo o que pediam era para ficar, para voltar, para regressar ao sítio do tio Zé e da Tia Mariazinha.

É aqui que o descobrem. Mas vivam-no como deve ser:)
Parque Rural do Tambor ou versão crianças “O sítio do Tio Zé e da Tia Mariazinha”

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AS PESSOAS PERGUNTAM. EU EXPLICO.

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Vou para África do Sul ter com o Pai das minhas filhas. Um homem que adoro e admiro.
O nosso casamento não durou para sempre, mas conseguimos criar vínculos que nos vão ser eternos, duas filhas fantásticas e uma amizade enorme.
Mesmo algumas pessoas que me conhecem bem, perguntam-me como é que o meu namorado reage, sabendo que vou passar férias com o meu ex-marido.
Pois é.
Primeiro, a correcção semântica necessária: O Gonçalo, antes de ser meu ex-marido já era o pai das minhas filhas.
E quando deixámos o epíteto formal de marido e mulher, não perdemos o de amigo e de amiga. Eu sei que é menos usual, que a formalidade, a disputa, o conflito e a secura. Mas não consigo, mesmo que tentasse muito, ser assim.
Temos demasiado em comum, para deixar que os erros episódicos de uma relação amorosa se sobreponham a existência das nossas filhas. E não me passa pela cabeça, pelo coração e pela vida que levo, falar-lhe que não seja com um sorriso, saber se a vida lhe sorri, e pensar que enquanto for sorrindo, mais capaz será de amar o que é nosso.
Farei sempre tudo o que tiver ao meu alcance para que a vida lhe sorria. Isso não significa reatar a relação. Significa saber construir sobre a relação. Por isso, quando me perguntam como reage o Pedro, eu respondo que o Pedro é um homem à séria. E se o Pedro não soubesse a mulher que tem, a mulher que ama e a mulher que quer. E se não me quisesse assim, então não era o homem certo para mim.
Não tenho qualquer ambição de fazer da minha história um exemplo, o planeta está cheio de amantes eternos e felizes. Gostava sim que a cabeça e o coração de algumas pessoas, se esvaziasse, para se puder encher outra vez.
E gostava que as pessoas, experimentassem escolher o açúcar ao amargo e que o Detox nunca entrasse nas emoções boas da vida.
Nem todas as histórias têm fins perfeitos, mas isso não significa que não sejamos felizes para sempre.
Não tive grande sorte com o meu pai, mas esmerei-me nos homens que escolhi para a minha vida.
E eles sabem exactamente quem são:)

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Os Filhos dos Outros

Os filhos dos outros
Quando casei tinha a honestidade dos sonhos de uma relação eterna.
Tinha por nobre intenção a criação das minhas filhas no seio de uma família inteira que iria inteira até ao fim. Se estava pouco preparada para uma separação, ainda mais estaria para tudo o que vem a seguir. Uma nova construção, uma nova família. 
Perdi muito pouco quando me separei. Cultivei uma amizade tão boa com o pai das minhas filhas que ainda hoje estrutura tudo o que temos.
E as minhas filhas?
As minhas filhas são minhas.
Nunca foi difícil amá-las mesmo quando a equação da liberdade me subtraiu. São minhas e serão minhas até ao fim. Mas já sou menina crescida. Era normal que me reinventasse, que voltasse a amar e que voltasse a sonhar com uma família. Mas nesse mesmo mundo, ao mesmo tempo e na mesma época, alguém que me era destinado a afeição, encontrava nas mesmas circunstâncias, as mesmas batalhas e os mesmos fins. Não brifei o criador com o meu “wanted man”. A vida não se dá a esses luxos. Acontece o que acontece. E de repente, estamos frente a frente com alguém que traz no cabaz da vida a mesma doce criação. 
Eu tenho filhos, os meus. Tu tens filhos, os teus. 
Ainda pensei que talvez fosse mais fácil estabelecer uma relação com alguém que não tivesse descendência, disponível para amar o que era meu. 
É egoísta, sim, realista também. Mas não foi assim.
De repente, a somar ao amor às tuas filhas, vês-te arranjar espaço para acomodar o amor pelos filhos do outro, que é teu também. Vês-te a dividir, a rachar, a arranjar tempo e circunstância, para que essas crianças que nunca existiram na tua vida, até esse momento, façam parte dela.
Sentes-te mal, porque em consciência não o querias, não o desejavas, e no ímpeto mais cruel e honesto, talvez não deixasses, se a vida te permitisse ser déspota sobre o que te dá.
Mas é o que tens. Na tua vida encaixam-se os filhos do outro, esse outro que a vida não permitiu que atalhasses a tempo de o impedir de ter filhos com outra, que os ama também.
É difícil. Mesmo no coração escancarado de uma mãe, abrir com a mesma força com que se abraça o que é nosso e desejado por nós, abraçar o que veio, sem desejo ou vontade nossa.
O coração é um órgão que ama, mas é um órgão que bomba. É elástico mas falível, e parte de um corpo humano. Não dá para lhe exigir tudo de uma só vez.
Não dá para o amarrar à culpa de não ser o primeiro a render-se à novidade. 
E não é só porque se é mãe, que se é capaz de acolher qualquer cria com a mesma santidade de uma irmã de Calcutá.
A primeira culpa a morrer é a de sentir.
Talvez o único segredo na ampliação desse amor que já tens ao que é teu, é a percepção da importância que esse acolher tem para a pessoa com quem estás e para as crianças que acolhes. 
Ninguém se importará que não enchas as suas caras de beijos com a mesma sofreguidão com que lambes os teus filhos. Bastar-lhe-ás apenas a atenção de quem recebe com carinho o que o outro ama.
Os filhos dos outros não serão teus filhos. A não ser que a circunstância da vida os faça tão presentes que o passado se ajuste como uma história sobre a tua.
E não interessa sofrer pelo que idealmente seria, porque a realidade é implacável sobre o que é.
E o único mal que fazes quando sonhas com o que não tens, é o de desaprender a amar o que já tinhas.

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“A MINHA LINDA FAMILIA”

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Estamos a estudar para o teste de Português da próxima segunda-feira e pedi à Caetana que escrevesse uma composição sobre a “Família” aproveitando o facto de ela estar a jogar no computador. E assim sem filtros, ou correcções, no dia em que celebramos a Liberdade, eu junto-lhe o Amor. E com a autorização da Caetana para partilhar. Porque Liberdade tem muito de respeito.
“A MINHA LINDA FAMILIA”
A minha mãe e o seu namorado, o Pedro costumam dizer: -ate velhinhos. Eu acho que é porque eles querem ficar juntos ”até velhinhos” , pelo menos é o que eu acho.
Mas vamos ao que interessa a minha família é muito adorável, para mim.
Quando o meu pai vai para fora, eu às vezes fico com os meus avós, por isso sempre que eu estou triste, a minha avó vai-me sempre contar histórias emocionantes de quando o meu pai era pequeno, eu acabava sempre por me rir das trapalhices que ele fazia,como:
Cair em possas de lama, chorar quando lhe faziam rir, rir quando caia ao chão e fazia algumas feridas, etc…
Mas eu sabia sempre que a minha avó só me queria fazer sentir bem, por isso estava feliz por fora, mas muito triste por dentro, porque continuava a ter saudades dele.
A mãe da minha mãe teve cinco filhos, dos quais quatro são meninas e um é menino.
O único filho que a minha avó teve é o meu tio e chama-se Duarte, quando eu era muito pequena, eu e ele divertíamos-nos à grande, eu adorei esses velhos tempos, foram muito giros.
A minha avó, está em Moçambique e a sua filha, a minha tia, está na Dinamarca, elas só me vêm visitar às vezes, mas quando me vêm visitar o mundo fica mais alegre.
O mundo de que eu estou a falar, é o mundo do meu coração, e que estará sempre aberto à minha linda FAMíLIA.”
Caetana S. | 25 de Abril de 2015

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Diz a Camila: – Corneta! Gosto de Corneta.

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A Caetana pede-me muitas vezes para lhe dar uma irmã ou um irmão, já a Camila, soberana do seu lugar de “pequeno delfim” e do seu salvo conduto, treme, só de se imaginar entalada entre a primeira filha e a novidade da casa.
Por isso, quando a Caetana dizia hoje:
– Se a mãe tiver um filho…que nome é que damos se for uma irmã? Nós somos Caetana…e..Camila…ela podia ser Clara ou Carlota.
Diz a Camila: – Corneta! Gosto de Corneta.

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“QUASE” UM BOCADO

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O pai das loiras fez ontem anos e nós estávamos a banhos numa piscina interior num hotel fabuloso em Montargil e não fomos muito efusivas….
A verdade é que estávamos demasiado entretidas a expulsar os casais românticos da água quente.
Ainda lhe cantamos os Parabéns, mas os perdigotos de água, não lhe deram o compasso necessário para que ficasses convencido da sinceridade do nosso esforço.
Fiquei a pensar nisso.
O Viber também não ajudou e a rede nas planícies alentejanas é tão escassa como a juventude. E na viagem de volta, quando já parecia dar, viemos a conciliar o sono, com a paisagem pardacenta e a digestão das migas de espargos.
Como não te dissemos grande coisa ontem, dizemos-te agora, nesta carta aberta de Saudade, escrita a três mãos:
“Pai, tenho saudades tuas. Promete que quando voltares vamos brincar uma semana inteira. A mãe diz que está quase. Mas ainda falta “quase” um bocado” Camila
“Pai, ontem sonhei contigo. O Eugénio (o padrinho) tinha ido buscar o pai ao aeroporto e feito uma surpresa. Quando abri os olhos e vi o pai, fiquei tão feliz. Depois acordei e percebi que era um sonho. E fiquei tão triste. Tenho saudades do Pai. Muitas. E não quero dizer mais nada. Quero que volte.” Caetana
“Gonçalo, Muitos Parabéns! Sei bem o que te custa passar o dia de anos sem as miúdas. Elas têm muitas saudades tuas.
Mas o bom disso é saber que só sentimos muitas saudades das coisas que nos fazem muita falta. Volta rápido e bem.” Isabel

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