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A Família da Rita

Mesmo para mim que danço e durmo com palavras na cabeça é difícil explicar porque é que adoro estas sessões de família.
Sobretudo as minhas, não as sessões, mas as famílias que me procuram. Dizem que tenho sorte, talvez tenha. Se isso significar uma mão cheia de amigos que conheci enquanto fazia o que gosto. Rita, tens uma família linda, nada que tu já não soubesses. Obrigada por me teres escolhido para vos fotografar.

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O poder de uma bolacha

Gosto que seja a espontaneidade a marcar compasso numa sessão fotográfica. Gosto de conversar e disparar ao mesmo tempo, como se a máquina fotográfica fosse um café que vou levando à boca e o cliente, um amigo de longa data com quem combinei estar. De vez em quando peço que posem por que também quero que tenham uma recordação mais tradicional do dia. Mas o que procuro é que a Inês seja ela mesma, esta deliciosa miúda de bochechas redondas que dá tudo para comer uma bolacha. E o que quero captar é este amor ternurento dos pais que reconhecem na filha uma extensão deliciosa da sua combinação de ADN. É assim que fotografo, focando mais na personalidade que na pessoa. Quero que o que seja nítido e visível tenha mais a ver com a alma capturada do que a nobre feição congelada. E assim, sem grandes truques, se faz acontecer. Respeitando tudo o que já lá está.

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Só nosso. Só vosso.

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Tenho andado de namoro com a vida. Sem tempo para partilhar convosco as sessões que vou fazendo, as pessoas que também vou conhecendo.
É engraçado que há medida que vou entrando com força no que faço, percebo cada vez mais o sentido de tudo isto. É um privilégio poder registrar estes momentos, estes que darão suporte a tantos outros momentos. A memória às vezes foge-nos, prega-nos partidas. Mas aqui neste momento fica eternizado a plenitude de uma sensação. E há em todos estes cliques uma verdade tão grande, que se não fosse isto que faço, era isto que quereria fazer. Parabéns Vanessa e Daniel a vossa história é uma história cheia. A vossa vida enriquece a cada segundo e foi um prazer enorme estar presente nesse pequeno registo de eternidade.

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Assuntos de família

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Já vamos na terceira sessão com esta família. Todos os anos repetimos. Todos os anos os vejo crescer. As crianças, o projecto, a família. Quando os encontro, passam-me a tranquilidade, de que há coisas boas que permanecem boas. No meu entretanto de espaço, já houve tanto tumulto que quando me perguntam: – Então Isabel, e tu? Novidades? Por momentos até sinto uma certa inibição de contar. A verdade é que nos “entretantos” de toda as famílias há momentos, bons e maus, angustias e alegrias. Não há imunidade, basta estar vivo. E deve ser tão grande o motivo de orgulho em saber permanecer, quanto o de mudar, quando não estamos felizes. E estas sessões acontecem neste momentos. Em que assumimos a felicidade plena das nossas escolhas.
Obrigada Adela, Bernardo, Luis, Carlota e Duarte.

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Fragmentos de um Verão

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“Férias”, aquela palavra que isolada soa sempre bem, mas férias não são isolamento, são colectivo numeroso, aqui para os meus lados.
Não é fácil, ninguém disse que era fácil, mas todos os anos melhoramos com os erros dos anos que já passaram.
A família ganha nova configuração, acrescem trabalhos, ganha-se em número, empenha-se a liquidez, ganham-se novas rugas, abrem-se velhas garrafas. Aprendemos a dois, que a felicidade a seis só é possível, se contemplar momentos a dois. Aprendemos a requisitar ajuda, apertámos no orçamento, mas ganhamos o direito a um pôr do sol só para nós. Levámos baldes e setas, raquetes e brinquedos velhos do Verão anterior, redobramos o ânimo, olhamo-nos com cumplicidade e brindamos à vida.
Isto é tudo muito fugaz para suspiros demorados, que não sejam no enlaço do torpor, de quem já foi com a palhinha aos açúcares baixos da caipirinha.
Estamos felizes. Se podíamos estar mais?
Talvez, mas a idade tem essa magia, a de amaciar a ansiedade de tudo o que poderia ser, com a alma cheia de tudo o que já é.
Estes são alguns fragmentos do nosso Verão…

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Famílias com Norte

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Sou uma desnorteada.
Chego a ir duas vezes por dia à escola para levar a lancheira ou o material de ginástica que ficou atrás de uma porta qualquer. Talvez a culpa, não seja tanto a falta de norte, mas o excesso de responsabilidades que chamo a mim mesma. Na minha casa havia uma mãe, cinco filhos e todos sabiam o seu papel.
Porque é que às vezes me custa tanto recordar às minhas filhas o seu?
Educar cansa. É uma lição repetida. Um satisfaz menos sem ambição de um Muito bom. Às vezes esqueço-me propositadamente de as educar. Não me apetece elevar a voz, nem gesticular em demasia e acabo por lançar um SIM paliativo sobre tudo o que era passível de ser educável.
Saberei eu que poupando nos graves, acalento os agudos? Que o lençol é sempre curto para tapar pés e cabeça?
Depois queixo-me das piscinas que faço, quando na verdade, quem devia ir a banhos eram elas. Acho que às vezes não o faço por preguiça, desmazelo de quem não quer entregar o norte às filhas, mesmo sabendo que a Sul está sempre mais calor.
Quando tenho um laivo de consciência grande, digo para mim mesma, em voz alta e grave: – A partir de hoje vai ser diferente!
Quase nunca é. Mas vai havendo nuances de esforço e melhoria ou talvez sejam apenas elas que crescem e me levam junto:)

* Mas esta família do Norte, tinha um norte grande. E num prédio devoluto fizemos render todas as frechas de luz:)

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O sonho mais desejado

As sessões fotográficas de gravidez têm sempre uma luz especial. Aquela que vem de dentro.
As fotografias carregam sempre uma ar etéreo, próprio de quem levita no sonho de tudo o que está para vir. É difícil não parecer piroso, quando de piroso só há o genuíno de ser inteiro e feliz naquele momento.
Gosto destas sessões porque há um depósito tão grande de solidez e esperança que saio de lá a acreditar em tudo.
Um beijinho enorme para a pequena Mia, o sonho mais desejado.

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Andamos nisto há uns aninhos

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Nem em lembro bem como conheci a Teresa.
Só sei que já a conheço bem.
Fotografei a Teresa e o Francisco uns meses depois do casamento. A primeira sessão “Trash the Dress” que já fiz.
Para quem não sabe é uma sessão fotográfica, feita depois do casamento, numa ambiente informal, mas com ambos vestidos de noivos.
Fomos para a praia e quebramos os tabus: não há lugares sagrados, nem vestes sagradas, areia no vestido, espuma do mar, dança nas rochas, corridas nas dunas. E foi tudo tão natural que não há uma fotografia em que estejam a olhar para mim. Senti-me uma Voyuer de duna a resgatar em imagens um casal de lua de mel. Depois a Teresa ficou à espera de bebé e lá fui eu fotografar por Alfama essa tão desejada gravidez. Estavam de novo tão felizes, tão na bolha, que mais uma vez, dançaram sobre as ruas, correram sobre os becos, comeram sardinhas, andaram às cavalitas, e com sorte tive algumas fotos de sorriso rasgado a olharem para mim.
Logo a seguir (enfim depois dos 9 meses da praxe e mais uns mesitos) foi a vez de conhecer a Clarinha, cópia amorosa do pai, miúda bem disposta, nascida do encontro de dois sorrisos.
Mais um membro porreiro para a família. Ainda para mais, o Francisco é grande apreciador de vinho, o que nos fez de imediato irmãos:)
Estas últimas fotografias, foram tiradas há menos de um mês, o casal continua apaixonado e sorridente e a Clarinha, cada vez mais parecida com o pai, vai afirmando a sua personalidade, sem perder o sorriso herdado.
Dá me um gozo especial acompanhar assim uma família. Olhar para as fotografias e ter o privilégio de estar sempre presente nos momentos mais felizes.
Mas isso também é uma das sortes que tenho: A de estar sempre a marcar as melhores fases com as fotografias certas. E tenho a certeza que este registo, para além de decorar paredes e estantes, vai lembrar a cada uma das famílias, nos momentos mais tensos, que para além da fotografia do momento, continuam a ter tudo o precisam para serem felizes. E a Teresa é fotógrafa percebe seguramente tudo o que escrevi:)

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Não sei bem quem é que consegue

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Não sei bem quem é que consegue. E ainda menos quem tenta. Mas não posso ficar senão feliz por quem consegue perceber na unidade do tempo a maior riqueza do homem. Nunca fui rica no sentido monetário do termo, tudo o que hoje tenho foi minha conquista. Quando quis casar comprei com o meu dinheiro o meu vestido de noiva a prestações. E trabalhei muito enquanto estudava para comprar, também a prestações, a minha carta, o meu primeiro carro, a minha primeira renda e os meus primeiros vícios. Não gosto do discurso gabarolas da infância sofrida, mas é bom recordar o que conseguimos, quando achávamos que não tínhamos nada, para poder saborear à séria tudo o que já temos. A verdade é que não me falta nada. E isso é tão bom de pronunciar, que o melhor mesmo é dar-lhe a volta sem medo e dizer de coração cheio que tenho tudo. Temos muito medo de afirmar plenitudes de felicidade, não vá a vida esnobar sobre os sonhos futuros. Mas o que eu mais aprendi nas pequenas conquistas da vida é a não ter medo de exaltar a felicidade dos dias. E assumi-lo sem escrúpulos como um agradecimento enorme à vida. Podia dizer que vivo para pouco. O meu pouco que é tudo: As minhas filhas, as minhas viagens, as minhas palavras, os meus vinhos e petiscos, o meu Pedro, o pai das minhas filhas, as minhas irmãs, os meus amigos maduros, as minhas amigas loucas, os meus livros e o meu tempo. Tenho o coração cheio, uma vida cheia e uma cabeça cheia de sonhos que combinam tudo isto. E o mais que tenho, para além do amor que é terreno fértil, é Tempo.
O tempo que resgatei à vida para poder viver com à máxima intensidade cada uma destas paixões. Sim, acho mesmo que a perseguição dos sonhos me tornou uma mulher rica. E a consciência disso, uma mulher sã. Podia dizer que tive sorte mas seria uma batota enorme sobre o esforço. A sorte que tive foi a sobriedade prematura de perceber no Tempo a unidade máxima de realização. E pressenti-lo a tempo, do tempo, que precisava para mim.

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Terra do Sempre

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Esta era a vida que escolhia para mim.
Já mudei muita coisa, muitas vezes, muito para além dos ciclos de mudança que fazem regra nos seres humanos mais agitados.
Já mudei dezenas de vezes de casa, de empregos e de pessoas (entenda-se aquelas que temos mesmo que mudar :).
Cada mudança ensinou-me uma coisa diferente, mas todas elas tiveram uma lição em comum: Que é realmente possível ajustar a vida aos nossos sonhos. Mesmo que às vezes, as mudanças processadas não sejam exactamente a cópia dos sonhos formulados.
Mudança não tem que ver com inquietude negativa. Se a traduz, fá-lo apenas no sentido mais puro, de quem sabe que os diferentes cenários nos transformam em diferentes personagens e que não há nada mais aborrecido que permanecer igual.
Sou uma fã assumida de mudanças. Tão fã que às vezes me vejo a refrear o ímpeto, não se vá dar o caso de mudar até o que está certo. E ainda assim, mesmo o certo deve ser capaz de se ajustar à mudança.
Eu sei que dá muito trabalho, até mental, mudar de vida. É tão titânico o esforço que custa até pensar.
Mas quando damos por nós a suspirar pelos sonhos encaixotados há anos, é porque está na altura de mudar a casa, mudar de casa ou sair.
A Bárbara e o Pedro deixaram Lisboa para trás e mudaram-se para a Terra do Sempre. Talvez até não seja para sempre. Mas esteve sempre no sonho de ambos e isso bastou para que fizessem acontecer.
Um terreno implantado num vale rodeado de sobreiros e oliveiras, uma casa central desenhada pelos dois, o recheio que traduz histórias contadas em objectos, dois bungallows de madeira, uma piscina ladeada de oliveiras e uma mão cheia de cantinhos que fazem querer ficar.
Chegámos sexta à noite esfomeados, comemos na mesa maciça de madeira na cozinha (antiga mesa de trabalho do avô do Pedro).
Aí, conheci uma a uma, as famílias que foram entrando pelo calor da porta. As crianças saciaram a fome, aninharam-se entre novos amigos e nós tranquilizamo-nos na conversa boa, nos sonhos acontecidos e nas garrafas de tinto, até ao sono nos puxar para o quarto, as crianças para a mezzanine e adormecemos numa cama feita de nuvens, no bafo morno da salamandra e no abraço apertado do Romeu e Julieta (tema do quarto). Na manhã seguinte fomos todos passear até à quinta da Dona Gertrudes, um paraíso para as crianças, onde não faltam ovelhinhas de presépio, porcos pretos à barda e patos para alimentar. Foi nesse cenário de euforia que fotografei as famílias, uns clicks soltos no meio da conversa solta, enquanto as crianças gargalhavam e o som dos animais em histeria se perdia para lá do monte. Nessa noite, e apesar do conforto aliciante dos sofás e da lareira, reencontramo-nos de novo à volta da antiga bancada de trabalho do avô, no morno da cozinha e por lá ficamos a trincar conversa com pão quente e manteiga derretida até às 2 da manhã. Foi tudo tão simples, tão pouco ensaiado, tão informal, tão saboroso, que me senti na terra do sempre, como se tivesse sido sempre dali.
Saí de lá muito feliz pela Bárbara, pelo Pedro, pelo Bernardo, pela Mané e pela Alice do pais das Maravilhas. Feliz, por terem desembrulhado os sonhos em conjunto e por terem a simplicidade mais nobre de os partilharem com quem lá vai. Confesso que vim o caminho a repensar a minha morada. Mas também sei, que se ainda não esbarrei de novo com o “Coelho Branco” é porque uma das dimensões mais importantes dos sonhos é saber viver a procura.
Até sempre! (Nunca vos vou dizer até já:)

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TERRA DO SEMPRE
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