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Não sei bem quem é que consegue

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Não sei bem quem é que consegue. E ainda menos quem tenta. Mas não posso ficar senão feliz por quem consegue perceber na unidade do tempo a maior riqueza do homem. Nunca fui rica no sentido monetário do termo, tudo o que hoje tenho foi minha conquista. Quando quis casar comprei com o meu dinheiro o meu vestido de noiva a prestações. E trabalhei muito enquanto estudava para comprar, também a prestações, a minha carta, o meu primeiro carro, a minha primeira renda e os meus primeiros vícios. Não gosto do discurso gabarolas da infância sofrida, mas é bom recordar o que conseguimos, quando achávamos que não tínhamos nada, para poder saborear à séria tudo o que já temos. A verdade é que não me falta nada. E isso é tão bom de pronunciar, que o melhor mesmo é dar-lhe a volta sem medo e dizer de coração cheio que tenho tudo. Temos muito medo de afirmar plenitudes de felicidade, não vá a vida esnobar sobre os sonhos futuros. Mas o que eu mais aprendi nas pequenas conquistas da vida é a não ter medo de exaltar a felicidade dos dias. E assumi-lo sem escrúpulos como um agradecimento enorme à vida. Podia dizer que vivo para pouco. O meu pouco que é tudo: As minhas filhas, as minhas viagens, as minhas palavras, os meus vinhos e petiscos, o meu Pedro, o pai das minhas filhas, as minhas irmãs, os meus amigos maduros, as minhas amigas loucas, os meus livros e o meu tempo. Tenho o coração cheio, uma vida cheia e uma cabeça cheia de sonhos que combinam tudo isto. E o mais que tenho, para além do amor que é terreno fértil, é Tempo.
O tempo que resgatei à vida para poder viver com à máxima intensidade cada uma destas paixões. Sim, acho mesmo que a perseguição dos sonhos me tornou uma mulher rica. E a consciência disso, uma mulher sã. Podia dizer que tive sorte mas seria uma batota enorme sobre o esforço. A sorte que tive foi a sobriedade prematura de perceber no Tempo a unidade máxima de realização. E pressenti-lo a tempo, do tempo, que precisava para mim.

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Estou lixada contigo.

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Estou lixada contigo.
Quando avanças pelas letras, tropeças nos números. Quando levas o equipamento da ginástica, deixas para trás a lancheira.
Se comes a sopa, não tens fome para o arroz. Se tomas banho sozinha, não te queres vestir. Quando queres ler, não te consegues deitar. Quando acordas não te apetece comer.
Quando estou cansada, queres estudar. Quando te peço para fazer os Tpc´s estás cansada. Queres passar a vida na rua, mas quando te visto o casaco dizes-me que gostavas de ficar hoje em casa….
Às vezes acho que preciso de vitaminas extra para lidar contigo.
Um copo de tinto não chega para me apaziguar.
Também sou balança de signo, mas se oscilasse da mesma forma já tinha entornado a bandeja.
Não está fácil conduzir-te na escola e hoje percebi que esse interesse súbito pelo Afonso, tem um segredo:
É por ele que copias os Tpc´s de Matemática.
Toda a gente elogia a tua falta de travões: a facilidade com que comunicas o que queres, a tua gargalhada alta e a destreza com que te desembaraças entre adultos e pequeninos.
Não te quero cortar o barato balancinha, adoro gente desembaraçada, mas todas as grandes conquistas da vida dão trabalho, carecem de tempo, investimento e dedicação. A mesma com que me faço a ti, todos os dias, na qualidade de mãe.
Sei que às vezes chumbo no teu teste. Mas não me importava nada que começasses a copiar um bocadinho de mim:).

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“Miúda da mãe, hoje é dia de exames. “

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Miúda da mãe, hoje é dia de exames.
Foste o caminho todo para a Escola a cantar, como se fosses para um acampamento de Verão. Descomplicas e eu adoro isso.
Sou muito assim também. Mas fico sempre com a sensação, que a nossa descontracção excessiva denuncia uma certa negligência:) Passamos um fim de semana do caraças, sei que nos divertimos como crianças, mas fico sempre na dúvida se não devíamos ter trabalhado mais como adultas.
Era só mais um mergulho, é só mais um mojito:)
Também andamos a lamber fichas, a reler textos, a soletrar verbos e pronomes, preposições e adjectivos. Espero que o esforço de resgatar umas horas às tentações da Costa Vicentina compense e vença. Estou um bocado nervosa.
Relembra-te por favor de ler com calma os textos e os enunciados e não saltes para as respostas com a mesma sofreguidão com que nos fazemos à vida!
Boa sorte miúda da mãe:)

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“A MINHA LINDA FAMILIA”

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Estamos a estudar para o teste de Português da próxima segunda-feira e pedi à Caetana que escrevesse uma composição sobre a “Família” aproveitando o facto de ela estar a jogar no computador. E assim sem filtros, ou correcções, no dia em que celebramos a Liberdade, eu junto-lhe o Amor. E com a autorização da Caetana para partilhar. Porque Liberdade tem muito de respeito.
“A MINHA LINDA FAMILIA”
A minha mãe e o seu namorado, o Pedro costumam dizer: -ate velhinhos. Eu acho que é porque eles querem ficar juntos ”até velhinhos” , pelo menos é o que eu acho.
Mas vamos ao que interessa a minha família é muito adorável, para mim.
Quando o meu pai vai para fora, eu às vezes fico com os meus avós, por isso sempre que eu estou triste, a minha avó vai-me sempre contar histórias emocionantes de quando o meu pai era pequeno, eu acabava sempre por me rir das trapalhices que ele fazia,como:
Cair em possas de lama, chorar quando lhe faziam rir, rir quando caia ao chão e fazia algumas feridas, etc…
Mas eu sabia sempre que a minha avó só me queria fazer sentir bem, por isso estava feliz por fora, mas muito triste por dentro, porque continuava a ter saudades dele.
A mãe da minha mãe teve cinco filhos, dos quais quatro são meninas e um é menino.
O único filho que a minha avó teve é o meu tio e chama-se Duarte, quando eu era muito pequena, eu e ele divertíamos-nos à grande, eu adorei esses velhos tempos, foram muito giros.
A minha avó, está em Moçambique e a sua filha, a minha tia, está na Dinamarca, elas só me vêm visitar às vezes, mas quando me vêm visitar o mundo fica mais alegre.
O mundo de que eu estou a falar, é o mundo do meu coração, e que estará sempre aberto à minha linda FAMíLIA.”
Caetana S. | 25 de Abril de 2015

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Um mês intensivo de loiras

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E agora que estou na recta final de um mês intensivo das loiras o que é que me apraz dizer? Sem filtros e com toda a honestidade que devo à minha existência singular, aleatória e privilegiada nesta terra: – Estou estafada…Já não tenho imaginação para conceber refeições diferenciadas, já esgotei o meu repertório de histórias de embalar, já drenei a minha capacidade de montar kits matinais e de andar à procura de sapatos solteiros, de dar banhos, secar dos banhos, despiolhar, pentear, amaciar, dar de jantar, planear as lancheiras, separar os almoços, descascar fruta, comprar manhãzitos, estrelitas e chocapic´s, como quem vai viver para um abrigo nuclear. Estudar, mimar, dar, estar, preparar, salvaguardar, ir buscar e levar, e todos os outros verbos irregulares que fazem da mais nobre actividade de mãe, a mais cansativa delas. Estranhamente, e com saudades depuradas da minha semana alternada, superei-me. Consegui manter a minha integridade e a das crianças. Arrisco dizer que me descobri no domínio de faculdades e competências que ou eram inexistentes ou estavam adormecidas. E mesmo naquelas noites em que tudo o que sonhava era com o vosso sono, eu acordava no dia seguinte, com toda a energia reposta para ser vossa mãe outra vez.
O amor que vos tenho é um filho da mãe, fibroso e resiliente. Resmunga como um velho chato, reclama com a histeria de uma donzela “apanicada”, esperneia como uma criança apertada, mas supera-se, na sua ousadia cresce, nas minhas costas fermenta e para meu espanto suplanta-se.
E a cobro do desejo mais insólito de provar a minha incapacidade para o exercício, e sem cair no exagero de dizer que nasci para isto, descubro na constância do vosso amor, a inconstante certeza do meu.

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