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Tenho boas amigas.

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Tenho boas amigas. Até nisso consegui ter sorte.
Mas algumas delas, das boas, conheci nos últimos 4 anos.
Acho que a partir de uma certa idade, vemos com mais discernimento as pessoas que nos fazem bem e que nos fazem falta. Somos mais senhoras da nossa história, filtramos mais, mas falamos sem adereços quando nos pedem a opinião.
Não temos saco para o “faz de conta”, não queremos fazer cerimónia com as nossas qualidades, nem varrer para debaixo do tapete as nossas histórias menos felizes. Bebemos quando temos sede, comemos quando temos fome, choramos quando temos vontade e não desperdiçamos um momento se der para ser feliz.
Estamos mais coladas à nossa essência, sem vergonhas demoradas pelas nossas imperfeições.
A essas amigas boas, abrimos-lhe a porta muito antes de nos pentearmos, não sacudimos as lágrimas, nem escondemos o desmazelo aflito com que nos atrapalhamos em algumas fases da vida. Oferecemos-lhe o que somos, a cara lavada, uma alma sacudida e muita história orgânica.
Hoje, devia dizer o “Bom dia” com as fotos maravilhosas que tiramos na nossa Sessão com a blogger Mafalda Castro. Mas não me pareceu bem abrir-te a porta já com o fato engomado.
Gosto das coisas que fazemos juntas, porque no meio só há oxigénio do bom.
Obrigado pela mensagem de ontem.
Eu também agradeço ao Criador as pessoas boas que se cruzaram nos meus caminhos e faço um reforço para que se demorem na minha história.

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Consegui resgatar à vida, tudo o que lhe é Essência

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Uma das boas coisas que fiz estes dias foi reler algumas das entrevistas do Lobo Antunes. Conheço poucas pessoas, cujas entrevistas sejam pautadas por frases tão balísticas. Sem qualquer pretensão de citação, ficam-me na memória como os melhores paladares da vida. Na última entrevista de Lobo Antunes à Visão, o título escolhido foi uma dessas frases, que pronunciada à laia de conversa, é suficientemente paralisante para levar o jornalista a afiar o lápis na sua própria mandíbula.

“Não tenho jeito para viver.” ALA

E quando se diz uma frase destas, para lá de toda a psicologia subjacente…a verdade é que não se devia ser obrigado a dizer mais coisa nenhuma. Não sei se é só a mim que me comove, mas sou capaz de passar horas a lamber uma frase. Imagino que há frases que só podem ser pronunciadas com significância, por dois tipos de pessoas, as muitos simples, e as altamente complexas. Não acredito na classe média de algumas frases.
Acredito sim, que podia ir ao café na aldeia de Lameiros em São Luís, e ouvir o Ti Manel a dizer, enquanto puxa à cadeira: – Não tenho jeito para viver. E depois imagino, uma alma forjada em vida, uma mente irrequieta, uma inteligência dilacerante, numa voz seca e enfastiada pronunciando: – Não tenho jeito para viver!

Perdoem-me os medianos que não se acusam, mas sonho viver para pronunciar frases assim. Não no contexto de uma entrevista, mas no mais banal contexto da vida. E hei-de fazê-lo, sem qualquer necessidade de imortalizar a frase, lápis ou caderno. Vou dizê-las com a mesma displicente autoridade, do António Lobo Antunes e do Ti Manel. Terei nesse instante pronunciado, a mais suculenta certeza, que consegui resgatar à vida, tudo o que lhe é Essência.

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