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RECTA FINAL….

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Estamos na recta final do ano lectivo. Percebi isso, pela dificuldade que tive em encontrar um explicador de matemática que elevasse a negativa da Caetana para um Satisfaz. Também percebi isso pela súbita inflação do brio das minhas crias, na realização das tarefas propostas pelas professoras e percebi por acréscimo, que vem aí um tornado de 3 meses de férias….que é um rival à altura da negativa a Matemática. Aliás, não sei se a dificuldade da equação não o suplanta. Sem apoio de retaguarda é uma sensação de semi-pânico pensar em ocupar duas crianças durante 90 dias. Prolonga-las em Atl´s na escola, soa-me logo a namoro prolongado sem a chama da paixão, é preciso muda-las de cenário e pedagogia, afinal de contas, é para lá que regressarão no final da minha pena:)
Arrasta-las comigo é impensável, mantê-las em casa é um cenário de terror. Quando penso nas ocupações de tempos livres imagino-me, no mesmo transfer matinal, só que com menos roupa, se contarmos com a benevolência tardia do verão. E depois, não posso esquecer que há sempre lanches, material obrigatório e um cem número de tarefas para cumprir que fazem de mim uma espécie de mãe escuteiro.
Googlei “campos de férias longe” para ter a certeza que a motorista cá de casa apenas teria que cumprir o ponto de partida e o de chegada, mesmo que elas tenham que sair de casa naquele dia, com o saco de cama, a mochila oversized, o cantil preso no cinto, o casaco de frio atado à cintura e as chinelas enterradas à força no único bolso disponível.
Imagino-lhes logo o sorriso alado distribuído universalmente pelo rosto, a dimensão da aventura, o desbravar de novos mundos, os amigos estreantes, os hinos do campo à volta da fogueira, a roupa suja a acumular num saco e o meu sono, isento de insónias, livre de culpa, carregada de opções, com laivos ligeiros de saudade e muito vinho branco.
Quando era pequenina também tive que andar a sprintar a matemática.
Mas se há uma disciplina, que nunca nos ofereceu dificuldade cá em casa, e que nos lembra que no final de contas (estejam elas certas ou erradas) somos todas filhas da mesma mãe é o Estudo do Meio.
E mesmo que inferiorizado pelos seus pares, a verdade mais absoluta, é que não há Fim que valha, se não tivermos o Meio certo. heart emoticon

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Um canino vale o mesmo que um molar

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Tenho a sorte, muito trabalhada por ambos, de ter uma relação para lá de boa com o pai das minhas loiras.
Mas Custódia partilhada, é custódia partilhada. E ainda que falemos quase diariamente sobre os mais diferentes aspectos da educação das miúdas, há sempre situações imprevistas que nos escapam. E outras tantas, que parecem tão ridiculamente pequeninas que nem perdemos tempo a falar delas.
A fada dos dentes foi um desses assuntos. Espertas, as loiras garantem que os dentes que caiem em casa do pai valem 10 €, contra os 2€ por dente que se praticam cá em casa, independentemente da sua posição na boca. Um canino vale o mesmo que um molar. Assimilada esta realidade, percebo agora que a fada dos dentes do meu lar está em situação de precariedade, enquanto há uma fada e duas loiras sortudas que florescem lá para os lados do pai.
E também consigo estabelecer alguma relação causa-efeito, quando realizo, que de todos os dentes que as minhas filhas têm na boca, só dois é que caíram cá em casa. O mais engraçado é que quando a Caetana me liga toda contente para me dizer, que lhe tinha caído mais um dente (agora percebo o histerismo das minhas crias com a arqueologia da dentição) a Camila berrava qualquer coisa lá atrás.
Nisto, a Caetana dá um berro – Desaparece!!! Estou a falar com mãe ao telefone!
Contente e/por Incapaz de exercer qualquer reprimenda educativa à distância, pergunto-lhe o que é que a Camila tanto grita.
Responde a Caetana furiosa: – Ela é parva mãe!
Está a dizer que eu arranco os dentes só para ganhar dinheiro!
Esperemos bem que não.

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Sem medo bandida!

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Acorda às 7h! Sai da cama bandida!
Tens os pés frios? Temos pena. Ardem-te os olhos do sono em dívida? Não verberasses tanto pela noite a dentro. Sossega-te rapariga, que esse teu jeito de acordar como se todos os dias fossem véspera de Natal, não traz presente.
Tropeças ou manténs-te a pé sem jeito?
Tens que acordar as crias. Sim. Não adianta demorares-te a olhar de soslaio pela porta. Primeiro, porque não tens tempo. Segundo, porque sim, são mesmo tuas.
Raivinhas de anseio por vidas diferentes, é muito infantil.
Se te visses, agora mesmo ao espelho, nesse mesmo desalinho, com que reclamas o bom que tens, talvez te chegasse à pele a idade real da vida.
Bora bandida!
Vai lá abanar as trunfas loiras escondidas no bafo quente dos lençóis. Não te esqueças que uma mãe é terna mas assertiva. Se amoleceres não vai pegar, se quebrares, não vai acontecer. E não vale a pena, cair na tentação de lamberes o sono das crias, porque isso não amortiza pecado das horas que não lhes deste.
É a vida miúda. E lembra-te, ao primeiro apito sóbrio do micro ondas, quando te aperceberes que já estás atrasada, que estás mal entalada, mal vestida, mal dormida, que é essa mesma vida que te faz feliz.
Sem medo bandida!
Vai lá e veste as pequenas com carinho. Não te esqueças que para além da ética, está a estética. Penteia-lhes os cabelos com o mesmo gosto com que o Robert Redford lavou os cabelos da Meryl Streep. Lembra-te que o gesto é memória. É isso mesmo bandida, ser mãe é narrativa.
Fecha lá as marmitas das loiras, emparelha com mestria os pedaços de bollycao com a fruta fresca. Fecha as mochilas rosa sem brusquidão. Sem bufos de surdina, bandida…E não te esqueças, ajuda carregar as mochilas, que as tuas costas estão mais ao jeito de descida. Peso e responsabilidade, por muito jeito que te dê, não têm porque ter irmandade. E agora Bandida?
Toca a andar. Põe-lhe os cintos, mas sem gritos. Não descures a boa vizinhança, a predisposição temperamental, e com um quase nada de esforço, desbota a cara de avental.
Então bandida? És mulher moderna ou mãe arrependida?
E nada de compensar a desorganização do lar, com o pé pesado, o grito amuado ou a mão na buzina. E já sabes, quando as poisares no chão do templo, que chamas escola, não te apresses na carícia. Que não há maior delícia que a imagem de uma mãe a beijar a sua cria.

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