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Assuntos de família

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Já vamos na terceira sessão com esta família. Todos os anos repetimos. Todos os anos os vejo crescer. As crianças, o projecto, a família. Quando os encontro, passam-me a tranquilidade, de que há coisas boas que permanecem boas. No meu entretanto de espaço, já houve tanto tumulto que quando me perguntam: – Então Isabel, e tu? Novidades? Por momentos até sinto uma certa inibição de contar. A verdade é que nos “entretantos” de toda as famílias há momentos, bons e maus, angustias e alegrias. Não há imunidade, basta estar vivo. E deve ser tão grande o motivo de orgulho em saber permanecer, quanto o de mudar, quando não estamos felizes. E estas sessões acontecem neste momentos. Em que assumimos a felicidade plena das nossas escolhas.
Obrigada Adela, Bernardo, Luis, Carlota e Duarte.

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Fragmentos de um Verão

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“Férias”, aquela palavra que isolada soa sempre bem, mas férias não são isolamento, são colectivo numeroso, aqui para os meus lados.
Não é fácil, ninguém disse que era fácil, mas todos os anos melhoramos com os erros dos anos que já passaram.
A família ganha nova configuração, acrescem trabalhos, ganha-se em número, empenha-se a liquidez, ganham-se novas rugas, abrem-se velhas garrafas. Aprendemos a dois, que a felicidade a seis só é possível, se contemplar momentos a dois. Aprendemos a requisitar ajuda, apertámos no orçamento, mas ganhamos o direito a um pôr do sol só para nós. Levámos baldes e setas, raquetes e brinquedos velhos do Verão anterior, redobramos o ânimo, olhamo-nos com cumplicidade e brindamos à vida.
Isto é tudo muito fugaz para suspiros demorados, que não sejam no enlaço do torpor, de quem já foi com a palhinha aos açúcares baixos da caipirinha.
Estamos felizes. Se podíamos estar mais?
Talvez, mas a idade tem essa magia, a de amaciar a ansiedade de tudo o que poderia ser, com a alma cheia de tudo o que já é.
Estes são alguns fragmentos do nosso Verão…

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MULHERES

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Quando eu era criança acreditava em fadas.
Suponho que uma das coisas mais chatas do processo de crescimento é a falência de alguns sonhos sobre a realidade.
Mas o processo de maturação não tem porque ser subtrativo, pode e deve ser aditivo.
E a somar à fada que se perde, descobre-se a Mulher que somos.
E sinceramente, gosto mais da multiplicidade e da eficiência da mulher que descobri, do que da fada que me encantava.

‪#‎norescaldododiadamãe‬

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Uma Família do Sempre

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Foi num fim de semana no Turismo Rural da Terra do Sempre que conheci 4 Famílias. Fazia parte do programa fazer umas mini sessões em estilo informal a cada um dos agregados.
Muito o meu género de trabalho! Tudo de galochas postas a caminho de uma quinta para alimentar bezerros com garrafas de mini convertidas em biberons de leite. Mas o melhor das fotografias é o diálogo nos “entretantos”, é conversar com as mães e os pais e pôr em paralelo os nossos episódios, as nossas dúvidas e partilhar questões de rotinas que desvendam todo um universo de hesitações. Gosto de saber como vivem em família, faz-me sempre sentir menos receosa das minhas opções. Gosto de perceber as rotinas de estudo e os horários de sono. Não procuro aval para a minha forma de ser, procuro enriquecimento na forma de o fazer. Agradeço à Joana, a ajuda que deu à minha Camila com a ficha de matemática e a dica de chamar a atenção a Professora.
A vida é mesmo feita deste encontros e episódios. E enquanto tiver a oportunidade, a atenção e a energia, não hei de desperdiçar, nem as pessoas, nem os diálogos.

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Bom dia!

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Quando se faz o que se gosta, torna-se difícil explicar às crianças que até chegar a esta fase, tive que levar com um milhão de coisas que não gostava.
Por isso, quando a Camila insiste em dizer-me que o que mais gosta da Escola é o recreio.
Só posso imaginar que vá dar uma excelente vigilante:)
Bom dia!

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CARAÇAS PARA AS LOIRAS!

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Ajuda, não ajudando, que as crianças das fotografias sejam um bem passageiro, de desfrute imediato e sorriso congelado para a a doce recordação.
Já as minhas loiras….caraças!
Parecem duas bolas de fogo em colisão com a terra. A mais velha desafia-me com enredos semânticos, com olhares pontiagudos e amuos súbitos, só passíveis de serem justificados, ao abrigo de uma cláusula que não me recordo de ter subscrito. Argumenta com um vocabulário tão rico, que às vezes, dou por mim, arrependida por todo o estímulo que fiz à leitura. E é de tal forma insistente, que me drena a motivação para o diálogo, que é uma proteína rica em mim.
Talvez me tenha demorado demasiado a viajar ou talvez esteja ainda mais demorada a aterrar.
A mais nova também é herdeira de boa sintaxe, mas como é bera, prefere a força acutilante das expressões mais curtas. Nunca vi ninguém trancar-se tão rápido. Às vezes penso que o melhor seria dar-lhe palmadas nas costas para desprender o cadeado. Rosna na mínima contrariedade e acelera o passo de braços cruzados e andar à soldado, assim que lhe dou um comando, que não se ajusta ao seu espaço sideral.
Não lhe querendo dar uma dimensão interplanetária, vou amaciando para mim mesma, a tese de que tudo, não passa de uma fase, que elas não terão encravado numa constelação qualquer, que as estrelas continuam a brilhar e que a terra gira todos os dias à volta do sol, mesmo quando ele se disfarça de lua.
Teria ajudado à minha missão que o transporte destes sorrisos de São Tomé aterrasse em solo mais acolhedor.
É curioso, mas hoje, sinto-me um astronauta cuspido à pressa da nave mãe.
Os movimentos parecem fluídos, quase etéreos, mas às vezes demora anos de luz, até que os pés se detenham novamente no chão. Resta-me a certeza que a gravidade do Espaço não permite que as lágrimas caiam, diminuindo a ironia da gravidade de tudo o que se passa na terra.
E daqui de cima a vista é maravilhosa! heart emoticon

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“leve-leve”

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Já li um livro e já comecei o segundo. Escrevo todos os dias e namoro com todas as páginas abertas. Já perdi a noção do tempo e quase que aposto que o tempo também se perdeu de mim.
O lema da ilha é o “leve-leve” mas dizem me os amigos locais que sou de “muita corrente” e “trifásica”.
A verdade é que me sinto tão calma, uma sombra doce daquilo que a cidade faz de mim.
Adivinho alguma dificuldade na integração, em calçar a galocha acelerada, nas idas e vindas ao colégio, no garante das refeições, nos fins de semana de arresto, de entreter crianças em dias de chuva e somar-lhe o apoio árduo aos TPC´s.
E só por este parágrafo, vou beber mais uma caipirinha para reforçar que ainda tenho mais 7 dias de “leve-leve” a camuflar na perfeição a minha doce corrente trifásica.

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Terra Abençoada

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Há poucos sítios no mundo onde é tão fácil fotografar como em São Tomé e Príncipe. Dos países que já estive em África este é seguramente aquele em que as pessoas se colam às lentes da máquina. As crianças pedem para ser fotografadas, as mães sorriem com os filhos nos braços e os mais velhos param, como se tivessem a perfeita noção do desfoque.
Por hábito pergunto e mostro em seguida a foto que tirei. Tento ser rápida para que o sorriso não resvale em pose, mas com as crianças perco-me, porque se divertem entre os cliques e a revisão das fotos.
Esta é uma pequena amostra de alguns dos rostos simpáticos com que nos temos cruzado. Não sei a história de todos as caras, mas não houve um só clique que não fosse pontuado com um enorme sorriso.
E uma terra que sorri é uma terra abençoada <3

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Chegámos às 6h00 da manhã …

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Chegámos às 6h00 da manhã a São Tomé depois de 5 horas e 45 minutos de um dos voos mais turbulentos que já fiz.
Apesar do avião vir semi-cheio, e de ter conseguido estender as pernas por três lugares da fila do meio, mesmo tendo todos os kits: Pescoço, olhos e manta, e os joelhos do Pedro para amparar a minha cabeça morena, não consegui pregar olho. Aterramos com cara de peixe a findar em lota.
Quando saí do avião bastaram duas partículas de oxigénio para inalar aquela humidade quente do Equador e aquele verde espesso, que desce sem maneiras da montanha até ao mar. Fomos de transfer para o aeroporto. O dia nascia devagarinho, junto com sono em dívida de cada bochecho nosso.
Esta terra tranquiliza-me.
Assim que chegámos ao hotel, deixámos as malas no quarto e como crianças em véspera de natal, esquecemos rapidamente a necessária conciliação do sono e decidimos ir a pé até ao centro da cidade. Como o criador é amigo fomos parados por dois tipos de jeep que nos ofereceram boleia até ao café mais próximo, que pelos meus cálculos, devia ficar a 40 minutos de caminho. Bora lembrar que a humidade bate alto e que as temperaturas rondam os 28 graus e ainda não eram 8 da manhã. Suavamos como se tivessemos acabado a São Silvestre em primeiro lugar. Como a ilha é pequena perguntei ao Paulo se conhecia o Mike, o meu amigo e guia, com quem estive nas vezes que aqui vim. Passou-me logo o telefone e em menos de nada estavamos todos no café a combinar o roteiro dos próximos dias. Regressámos ao hotel já com o Mike, depois de termos passado uma hora à procura de uma bomba que tivesse gasolina. Desde o Natal, que o povo são tomense se dedica em exclusivo à arte do lazer, invadindo as praias com marmitas e famílias, como se só agora tivessem descoberto que habitam uma ilha. É curioso porque o povo não gosta de fazer praia. E esta é uma das poucas alturas do ano em que vemos as praias da marginal, às mais recônditas, carregadas de pontos pretos em movimento e alegria. Ainda tirei umas chapas, como esta, mas estou com os olhos tortos do cansaço e preciso mais de dormir que qualquer outra actividade. Amanhã vamos para o Norte da ilha, visitar as roças e comer as santolas de Neves. Amanhã sim, os meus olhos vão fazer jus à beleza da ilha e eu vou retribuir em largos sorrisos, tudo o que de bom se recebe aqui: “leve-leve”.

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