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Não sou ferrenha mas sou benfiquista.

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Não sou ferrenha mas sou benfiquista.
A minha mãe é do Porto, o meu pai era do Belenenses e metade das minhas irmãs é do Sporting. E o Pedro é do Braga:) Temos para todos os gostos:)
O pai das loiras é lagarto mas não resisti a mandar-lhe as fotos das Filhas da mãe ao rubro, enquanto se empinavam na varanda da rua a cumprimentar os pares que desciam ao Marquês.
Vestiram todo o vermelho que tinham nos armários, mesmo que isso implicasse uns collants cheios remendos, a t-shirt da maratona e um casaco vermelhinho dois tamanhos baixo. Pegaram no meu batom vermelho e fizeram riscas de índio nas bochechas, “SLB” na testa, pintaram a boca e a manta até onde podiam.
Quando a vitória era mais que certa, pegamos em tabletes de chocolate e sumos de pacotes e juntámo-nos à cascata de gente que descia. Nunca a Camila ouviu tanto palavrão junto.
Mas o compasso apressado da festa, os tubos de escape, as bandeiras gigantes, os cânticos em uníssono, as famílias inteiras, confundiam a gramática. Quando chegamos aos cordões de segurança, a Caetana delirou com a ideia de ser revistada, e antes que o polícia a mandasse avançar, já ela estava de braços erguidos e pernas afastadas, como se tivesse sido catada numa rusga, cheia de gomas nos bolsos.
Os ombros ainda doem ao Pedro das cavalitas forçadas, porque a festa era extensa e a visão panorâmica é a tricampeã da realidade. Voltamos para a casa a cantar pela rua, de mãos dadas e cheias de pica. Capitalizamos o momento da vitória num momento de família. Acho que é por isso, que celebro com ânimo estas conquistas, porque no dia da vitória, parece sempre tudo um bocadinho menos egoísta.

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Na minha alma #atevelhinhos.

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Pergunta a neta adolescente ao avô:
– Como é que o avô e a avó conseguiram ficar tanto tempo juntos? Responde o avô:
– Porque nós somos de uma geração, que quando as coisas avariavam nós mandávamos arranjar, não deitávamos fora.
O que é que terá mudado assim tanto no tempo, que nos tornou tão intolerantes aos erros dos outros?
O que é que acelerou de tal forma, que não nos deixa pousar com clareza nas coisas já conquistadas.
Porque é que leva tão pouco tempo a arder a paixão por tudo?
O que é que nos tornou tão mais enjoados, estupidamente acessíveis e intrinsecamente egoístas?
Quem nos fez presas fáceis do romantismo de chavão?
Porque é que quisemos ser tão parcos em demonstrações e tão fecundos na exigência ao outro.
Onde é que nos perdemos?
Como é que nos encontramos outra vez?
Dá para pedir para ver o filme do início?
Dá para voltar aquela fracção de segundo, em que uma avaria, não era mais que o despontar da graça preciosa daquele carácter. A pequena utopia que se encontra em quem se ama, e que não se quer nunca mudar, sob pena de estragar tudo.
Dá para reclamar para viver num tempo em que a construção da história é mais soberana que a vivência do momento?
Porque se der. É lá que me quero encontrar.
Sem medo, que uma ponta espigada do meu mau feitio não tenha conserto na tua emoção.
Carregada do meu jeito imperfeito de ser. Desejosa de descobrir nas tuas falhas os recantos da minha paixão.
E gravar a lacre na minha alma #atevelhinhos.

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Orgulho do caraças

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Hoje ganhaste o 2º lugar no corta mato da escola, subiste ao pódio com um olhar tão doce, que me comovi. Seguravas a medalha com tanto brio, que os dedos ficaram marcados com o relevo do logotipo. E ainda ontem, estavas tão ansiosa.
Eram 5h da manhã, e já estavas na minha cama a pedir chocapic, porque alguém te disse que o chocolate era energizante.
Às 7 da manhã já estavas equipada, e só me pedias que não me atrasasse, porque querias chegar a tempo do aquecimento.
Acho que nunca cheguei tão cedo à escola.
Não sou fanática por competições, nem tenho qualquer tipo de obsessão com a soma de vitórias.
Hoje, só tenho um orgulho do caraças da tua resiliência, da tua força de vontade, da tua voz sibilina quando cerras o pulso, e enfrentas o teu medo em pequenos diálogos contigo mesma. Tenho um orgulho do caraças, porque já te conheci tão aérea, que para te buscar de volta à terra, tive que aprender a voar. Um orgulho do caraças por ver a humildade com que agarras as conquistas, e a ternura com que te sentaste a consolar a amiga que chorava pelo último lugar.
Um orgulho do caraças, por saberes que a tua irmã Camila só corre para boiões de Nutella, e teres passado o caminho todo no carro a elogiar as suas capacidades físicas.
Não sei bem o que fiz, nem onde me reveja.
Mas o que vejo em ti orgulha-me.
Do caraças minha loira.

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