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As miúdas, as meninas, as mulheres das ilhas.

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Cada vez que regresso a São Tomé há um pensamento que regressa comigo. As miúdas, as meninas, as mulheres das ilhas.
É difícil comparar com as nossas miúdas, meninas e mulheres.
Aqui as crianças parecem mais crianças. São-no no estado puro de quem cresce descalço sobre a terra, de quem sorri sem medo para quem passa, de quem segue para a escola a pé, a rir com outras crianças, de quem mergulha nu no mar e participa sem queixume visível da vida em comunidade.
Parecem tão pequeninos para tanto e são mesmo.
Como eu quis, e não consegui, que na mesma idade as minhas miúdas andassem mais descalças, mas consegui que nadassem nuas em todas as praias, não consigo ainda, que vão para a escola sozinhas, mas já consigo que vão à mercearia comprar o pão e as frutas que faltam. Vou tentando, sempre que posso, fintar-lhes os vícios da cidade, das rotinas cómodas, das certezas sem fim. Ambiciono muito para as minhas miúdas, meninas.
Não lhes falta nada. Mas ainda lhes falta muito.
Esse muito que ainda lhes falta é o sacrifício. E nós hoje, ainda pouco fazemos por essa doutrina sã que criou tanto filho bom.
É uma luta quase inglória porque quando há não se retira. Quando se tem não se adia.
Um dos pensamentos que ganha força aqui é a certeza de que vos tenho que dar menos para vos saber dar mais.
E se algum dia tiver receio que me culpem por isso…
Invade-me a certeza que o vosso coração irá mais cheio por cada vazio meu.

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