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D & M #tillwereold and #sexy

Gosto de fotografar casamentos estrangeiros. Não é preconceito é desafio.
As noivas não querem apenas ficar cândidas e bonitas, querem ficar sexy´s! E do ponto de vista fotográfico é um desafio diferente.
Claro que todas as noivas querem ficar bem, mas a maioria está focada na fotografia da moldura que vai para cima da cómoda dos sogros e estas noivas pensam na tela gigante que vão imprimir em cima da cama:)
As fotografias pedem um toque de editorial de moda e há uma entrega vaidosa ao momento, que é justo e efetivamente, tudo o que ele pede, depois da cerimónia da igreja e do beija pão dos parentes.
A Damaris é uma miúda tímida, cheia de humildade e entrega. Lembro-me que agradecia sempre que lhe tirava uma sequência de fotografias.
O casamento foi pequeno e intimista. Família próxima e amigos chegados, assim como deve ser. Só caras conhecidas num momento em que se celebra o amor e um compromisso para a vida. E isto é universal, e já agora sexy, seja em que língua for.
Um beijinho enorme D&M!

A torcer pelo vosso #atévelhinhos

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Não sei bem quem é que consegue

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Não sei bem quem é que consegue. E ainda menos quem tenta. Mas não posso ficar senão feliz por quem consegue perceber na unidade do tempo a maior riqueza do homem. Nunca fui rica no sentido monetário do termo, tudo o que hoje tenho foi minha conquista. Quando quis casar comprei com o meu dinheiro o meu vestido de noiva a prestações. E trabalhei muito enquanto estudava para comprar, também a prestações, a minha carta, o meu primeiro carro, a minha primeira renda e os meus primeiros vícios. Não gosto do discurso gabarolas da infância sofrida, mas é bom recordar o que conseguimos, quando achávamos que não tínhamos nada, para poder saborear à séria tudo o que já temos. A verdade é que não me falta nada. E isso é tão bom de pronunciar, que o melhor mesmo é dar-lhe a volta sem medo e dizer de coração cheio que tenho tudo. Temos muito medo de afirmar plenitudes de felicidade, não vá a vida esnobar sobre os sonhos futuros. Mas o que eu mais aprendi nas pequenas conquistas da vida é a não ter medo de exaltar a felicidade dos dias. E assumi-lo sem escrúpulos como um agradecimento enorme à vida. Podia dizer que vivo para pouco. O meu pouco que é tudo: As minhas filhas, as minhas viagens, as minhas palavras, os meus vinhos e petiscos, o meu Pedro, o pai das minhas filhas, as minhas irmãs, os meus amigos maduros, as minhas amigas loucas, os meus livros e o meu tempo. Tenho o coração cheio, uma vida cheia e uma cabeça cheia de sonhos que combinam tudo isto. E o mais que tenho, para além do amor que é terreno fértil, é Tempo.
O tempo que resgatei à vida para poder viver com à máxima intensidade cada uma destas paixões. Sim, acho mesmo que a perseguição dos sonhos me tornou uma mulher rica. E a consciência disso, uma mulher sã. Podia dizer que tive sorte mas seria uma batota enorme sobre o esforço. A sorte que tive foi a sobriedade prematura de perceber no Tempo a unidade máxima de realização. E pressenti-lo a tempo, do tempo, que precisava para mim.

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Uma união singular

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A minha filha Camila é louca por um bom casamento. Há poucas coisas que a fazem tão feliz como simular no alto de uma cadeira que é um padre e que me está a casar a mim e ao Pedro.
Mesmo trocando as falas e os versículos, o pronunciar rouco do “declaro-vos marido e mulher” numa pespineta desdentada, derrete-me.
Mas não é dela que quero falar.
Quero falar sobre este casamento que fotografei em Julho na Herdade do Reguenguinho.
Passei lá à porta este fim de semana e lembrei-me.
Sabem? Não gosto particularmente de festas de casamento. Ainda menos de as fotografar.
Não digo isto por descrença à celebração do amor. Esse, move-me todos os dias.
O que não gosto em alguns casamento é a tensão, a tensão para que tudo corra sob os auspícios dos desejos partilhados entre quem ama, quem paga e quem manda. São poucos os casamentos que se soltam do predicado do sonho dos outros, e que celebram apenas o reflexo perfeito, de quem combinou juntar-se um dia entre amigos e família para celebrar a sua união. E nesta cerimónia foi exactamente isso que aconteceu.
Aceitei fotografar o vosso casamento porque foram vocês que o desenharam, no reflexo do que sentiam, sem ambições maiores que reunir à vossa volta, no vosso sítio, tudo aquilo que são.
E isso torna tudo tão fluido, que me senti mais uma amiga de polaroid na mão a tirar umas chapas avulso a uns grandes amigos.
Não há casamentos perfeitos. Mas há uniões singulares. E a vossa foi seguramente uma delas.
Fico a torcer pelo vosso amor. Com o desejo que ponham nele, a mesma autoridade, a determinação e o carinho, que colocaram em cada detalhe do vosso casamento.

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“Se um dia voltar a casar…”

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Se um dia voltar a casar, vou querer vestir-me de palavras.
Não há nada que bata um bom discurso.
Aliás, deliro até com os maus, desde que na tentativa haja depósito atestado a sentimento.
Poiso sempre a máquina, o olhar e delicio-me nas promessas encaixadas na voz tremida. Perco-me no embaraço comovido da noiva e do noivo. Procuro-lhes as certezas com que as farei minhas.
Imagino-me sempre a mim, de mãos ligeiramente suadas, à procura de um olhar âncora nas mesas e das tuas mãos.
Ensaio às palavras que direi: Aquela metáfora chave, aquele episódio, aquela manhosice nossa, que nos torna um par único num momento ímpar.
Dizem que “as palavras leva-as o vento”, eu levo-as todas para mim.
Todos os casamentos têm o seu protocolo, mas nem todos têm discurso. Aquele momento único que não é passível de ser fotografado de forma generosa, porque a força transparente das palavras, não as faz visíveis aos olhos da máquina.
Eu acho que em todas as celebrações se deviam trocar palavras. Ninguém devia ter medo das baboseiras que sente, num mundo tão carente de expressão. Não levamos quase nada daqui, uma delas é a fortuna acumulada, e outra são as palavras que ficaram por dizer. E o mais lixado é que as palavras também são gramática na relação. Senão se pontua na altura certa, corremos o risco de não fazer sentido mais tarde.
Ilan, o noivo da fotografia, ergue-se, falou alto de perto, e mesmo quando a voz lhe tremeu, tudo parecia tão bem edificado no que queria dizer, que me comovi. E mesmo nas palavras mais simples: “És a mulher que sonhei para mim.” Havia aquele depósito sem fundo de amor e de fé. O mesmo depósito com que se atesta o carro para uma viagem de sonho.
Tenho muitas vezes insónias, mas não conto carneiros, teço discursos, ergo-me, suo da alma e das mãos, e imagino-me assim, vestida com as palavras que não quero guardar para mim.
Falem sff.

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“Já ninguém quer casar”

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Olho para esta fotografia e rio-me.
Gosto de flores, sempre gostei de flores.
Sei por experiência, que o bouquet se pode tornar um apêndice suado nas mãos da noiva, mas admiro-lhe o acréscimo de beleza que traz à composição de tudo.
Um ramo de flores diz muito de quem o carrega. Mas a história deste bouquet é singular.
Só a história do bouquet, porque a noiva que o carrega, está de barriga virada ao sol, numa dessas ilhas invejosas que polvilham o pacífico, de mãos dadas com o amor. (Ao que me consta no Instagram.)
Passo a explicar: Todos os casamentos, mesmo os mais modernos têm momentos. Um deles é o arremessar do bouquet da noiva às mulheres solteiras da sala (ou em condição de namoro prolongado sem desfecho formal:).
É engraçado o momento, porque permite identificar o número de mulheres solteiras da sala e agrega-las em torno de um só propósito. Claro, que para qualquer “Maria Capaz” que se preze, o anseio feminino e desesperado por um “pede-me” não é motivo de orgulho, menos ainda de momento, menos ainda de protocolo. Mas não nos detenhamos nessas considerações (a considerar).
A verdade é que o mulherio alinha em gargalhada na cena, como eu já alinhei, nos tempos curtos, em que fui rapariga solteira.
A noiva dança, rodopia, simula, ri-se, provoca e lança.
As mulheres solteiras batem palmas, mas quando o olhar sobe acompanhando o disparo do ramo, baixam os braços.
O ramo rodopia sozinho, os olhares dos convidados acompanham a dança das flores, e o ramo cai.
Soltam-se as pétalas e as gargalhadas. Os olhares cruzam-se, interrogam-se. A noiva alça as mãos em beicinho sobre as ancas.
“Já ninguém quer casar”, diz-se pela sala.
A noiva apanha o ramo atordoado, pede ao DJ que prossiga e encosta a promessa ao lado, com o suspiro consentido das mulheres da sala. “Siga”, pensam em uníssono.
E a valsa prossegue, sobre um chão caiado a pétalas e um acordão em rodopio.

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E AGORA? COMO É?

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Uma das minhas melhores amigas separou-se há umas semanas, nesse dia ligou-me a dizer que tinha consumado a decisão com uma conversa directa e assertiva. Não hesitou, não vacilou e a voz não lhe tremeu. O seu discurso emanava na velocidade o “cagaço” óbvio da decisão. Deixei-a falar, deixei a discorrer sobre os motivos, revendo-os, como se reforçasse para sí mesma a certeza da sua acção. Quando lhe começaram a escassear as palavras, quando a voz cansada se enramelou de dor, senti-a respirar profundo e soletrou: – E agora? Como é?…
Não gosto de conselhos vagos em situações difíceis. A amizade compadece-se das melhores verdades. E agora?
Agora vai ser difícil. Vai ser diferente. Mas vais conseguir. Como eu consegui.
Nos próximos tempos vais rever muitas vezes os motivos, vais ser atravessada pela incerteza de tudo o que deixas para trás. Vais ter medo. E vais te sentir irremediavelmente sozinha, mesmo quando tiveres rodeada de todos os que gostam de ti.
Mas tu estavas sempre tão bem disposta…?
Parecia eu sei. Mas sabes, convém fazer uma certa cerimónia com a dor. Dá-lhe espaço de manobra para o teu próprio crescimento, mas lembra-la sempre, que quem comanda o rumo das coisas és tu. E que a decisão que tomaste tinha como Norte, ser mais feliz.
Sabes que a separação, faz-me sempre lembrar o pânico que nos assalta quando mudamos de casa, e nos encontramos sozinhas entre os caixotes espalhados pelas divisões. Parece tão titânico o esforço, que a vontade de abraçar a nova morada é substituída por uma vontade súbita de ir dormir para um hotel. Os caixotes têm escrito o que contêm, foste tu que os arrumaste, lembras-te? Parecem muitos, demasiados e és só tu. Os teus braços e os teus olhos só alcançam o esforço de tudo o que há para fazer. Não faças nada hoje.
Deita-te entre os caixotes, no colchão improvisado da tua decisão. Amanhã quando acordares e começares a desembrulhar devagarinho, os despojos dessa guerra, parecer- te-ão as primeiras tábuas da ponte que mandaste construir. E devagarinho a ordem normal das coisas que conheces, dar-te-á a confiança que precisas para enfrentar o que ainda não conheces.
E agora?
Agora chora um bocadinho. Que não se muda uma casa sem se lavar o chão.

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Não fotografo casamentos

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Não o faço por qualquer antipatia ou trauma com a cerimónia:). Não o faço, porque quem me conhece bem sabe que sou fã de pessoas e que as sessões são para mim um momento privilegiado de conversa e partilha. Não o faço, porque gosto demasiado de celebrar a vida para ser apenas espectadora. Os casamentos têm um protocolo definido, uma indumentária própria, um ritmo programado, nem toda a gente se conhece e nem toda a gente se quer conhecer. A relação quantitativa é demasiado desproporcional, sinto-me perdida e intimidada. Entre o tem que ser, o deve ser, e o gostava que fosse, perco-me…stresso com os planos que me fogem, com os beijos que não vejo, com os grupos que se amontoam à minha frente, esqueço-me das relações de parentesco, fico com fome, de pessoas, de interacção, do palco onde me reconheço como sou, relacionando-me, dando e recebendo para recolher no intervalo das gargalhadas aquele clique que eu sei que é o meu. Gosto da grandeza dos pequenos grupos, da intimidade que se estabelece quando nos conseguimos ouvir uns aos outros, gosto de provocar momentos, potenciar desbloqueios, fazer das sessões uma extensão da minha casa e no fim, regressar, com a sensação que saí para tomar café com amigos com uma máquina na mão. Essa é a minha praia e as pessoas são o meu sol.
Amem como se não houvesse amanhã, comprometam-se sem medo, falem como quem não quer calar, entreguem-se sem hesitações a quem vos quer receber, abracem as vossas decisões, dêem corda aos vossos sentimentos. Estarei aqui, sempre, pronta para congelar em fotografias esse caminho feito de dúvidas e certezas, lágrimas contidas e sorrisos largos.
E depois se quiserem, convidem-me para celebrar com vocês o momento, só não me peçam para fotografar o vosso casamento…vejo-me melhor a brindar ao vosso lado!

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