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“Diz a Camila…”

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Diz a Camila ontem num café:
-Mãe! Tenho um miúdo na turma do lado que é deste tamanho!
(E com os braços abertos, afasta as palmas das mãos uns 20 centímetros.) É anon!
– Não é anon que se diz Camila, é anão.
– É isso. É mesmo pequenino, mãe:)
Aproveito sempre e introduzo o respeito pela “Diferença” (nem sempre resulta):
– Os anões são mais pequeninos. – disse.
A Camila sabe que deve respeitar e ser carinhosa com as pessoas que são diferentes da maioria. Que nunca se deve gozar com as diferenças dos outros. E que sempre que vir alguém a gozar ou a fazer troça, deve fazer queixa ou chama-lo à atenção.
Diz a Camila, ansiosa por falar:
– Eu sei mãe, eu sei. Eu trato toda a gente bem.
Eu só queria pedir -lhe para ir visitar a aldeia dele, que deve ser o máximo!

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Amamentei as minhas duas filhas

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Amamentei as minhas duas filhas.

Confesso que tive alguma dificuldade na primeira leva, doía-me tudo, sobretudo a minha falta de jeito para cobrir os apetites vorazes da criança. Tive a sorte de ter tido um parto normal sem episiotomia. Regressei a casa em menos de 24 horas, ligeira como uma adolescente, com o peso recuperado e com uma filha nos braços.

Pouco li antes sobre os desígnios da maternidade. Assumi para mim mesma, que a seu tempo brotaria no meu corpo um intelecto de mãe, munido de um instinto maternal, suficientemente sólido, para dar conta do recado. Iria amamentar porque fazia parte do pacote e eu queria um “All inclusive” na minha estreia. Fui das sortudas que querendo, conseguiu. Não pegou de primeira, mas fui insistindo na vocação e a miúda agarrou-se como um bezerro. Sempre que saía levava a minha filha ao colo e sempre que era hora do leite, dava-lhe de comer. Nunca me atrapalhei, nem deixei que olhares pré-históricos me alienassem desse prazer. Como sou muito distraída, a maioria das vezes, não trazia o traje mais cómodo para a arte da amamentação. Mas em vez de me atrapalhar entre alças e botões, esgrimindo os cotovelos como marionetas, desembaraçava-me de preconceitos, colocava a criança sobre o colo das pernas e descobria o peito.

Era a mãe, insubstituível naquele papel, legitimada pela mãe natureza para o exercício e muito feliz. Quando tinha reuniões mais formais, tirava o leite e tentava deixar o bebé ao cuidado de algum familiar. Não o fazia por pudor, fazia-o por conforto para mim e para a criança. Gostava demasiado de dar de mamar, enlaçava-me naquele momento, queria-o desfrutar com carinho. Não me fazia sentido ter milhões de mãos a paparicar-me a cabeça da criança colada ao meu peito, e menos ainda, interromper uma ordem de trabalhos com um bolçar súbito ou um arroto e um “desculpe não percebi”.

Nunca julgarei nenhuma mulher que decida levar a criança, para um qualquer lugar permitido, permitindo a si mesma ser mãe. Nem farei disso escrutínio de parágrafo, porque é para mim tão natural como a chuva em Janeiro. Regressei há uns dias de São Tomé e quando estava na cidade de Neves a fotografar, esta mãe chamou-me e disse: – Branca! Tire uma fotografia bonita a uma mãe a amamentar!

Sorri, foquei e tirei a fotografia. Infelizmente, não tenho no meu arquivo de fotografias uma minha, em pose igual para recordar. Para mim, a amamentação não é apenas uma funcionalidade dada de forma casuística à mulher. É um rio que liga às duas margens: A mãe e o seu filho. Dar ou não dar de mamar é uma questão de livre arbítrio e só à mulher diz respeito. Mas se algum dia for mãe outra vez, hei-de querer tirar uma foto igual:)

http://capazes.pt/cronicas/uma-foto-igual-para-mim/view-all/

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A três, as três

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Este fim de semana passamo-lo a três, as três.
Há muito, que vocês pediam a mãe, só a mãe.
Há muito, que já vos devia ter dado a mãe, só a mãe.
Sem uma mala feita à pressa e um chek-in qualquer.
Só o usufruto pleno do nosso espaço, a colonização das nossas paredes, a cama revirada, o bacon, o ovos e a tentativa do bolo de chocolate. Soube me bem demais acordar embrulhada nas vossas pernas, com a comichão dos vossos cabelos e o quentinho da vossa respiração. Nem sei se dormi seguido, no aperto consolado dos vossos corpos, mas há muito tempo que não me sentia assim tão descansada.
Ainda bem que o amor também se exige.
Para depois de se dar.
Para aprender a receber outra vez.
Bom dia.
E boa segunda-feira!

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Assim está bom. Dizem

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Assim está bom. Dizem.
Não é só o malte que esborrata as unhas é a pressa de mexer as mãos.
Hoje não me quero mexer.
Quero poisar-me. Poisar o olhar nas vossas invenções, a minha boca nas vossa bochechas e os meus braços em cada parcela do vosso corpo. Hoje pintem a manta. A minha, a vossa, a nossa. Encham-me a casa de sentido, até que os sentidos se esvaziem das pressas.
Assim está bom. Dizem.
Assim é melhor. Sinto.
Hoje não me quero mexer.

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