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Tirem-lhes as pilhas…

…ou dêem me uma bateria nova.

Entrei a pé juntos nesta quinzena de Verão com as loiras. Vinha rebentada das milhas em aviões, das viagens em Trabalho, dos dias de quinze horas. Sei que não vos acolhi com o mesmo colo com que vos recebi no ano passado. Não falo com arrependimento, porque o que já vai, lá vai. Mas falo com um bocadinho de pesar sobre a consciência activa. Faltou-me tempo mental para vos gozar, faltaram-me as horas necessárias de sono, para virar brinquedo, faltou-me a vontade pragmática para vos alimentar e cuidar. Dei-me pouco, reconheço. Dei-me menos de mim a mim e pouco de mim a vocês. Sei que um dia, quando a maturidade lúcida vos fulminar, vão perceber nas razões do meu cansaço. Não peço desculpa porque tenho crédito de mimo que chegue para as vezes que me ausentei. Vou sentir apenas para mim. Vou digerir com carinho, para não esgravatar na culpa, e daqui a umas semanas, quando voltarem para o meu regaço, prometo uma bateria carregada. Dar-vos ei o tempo na medida justa, os abraços desmedidos e vou reaprender convosco a ser brinquedo nas vossas mãos. Desta mãe que vos adora e que já sonha com esses dias. IS

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Vida Cigana: Ao Toque do Tambor

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Somos Alfamistas, amantes do bailarico, amigas intimas do churro, do pimento assado e da sardinha na brasa. Ficamos mega vaidosas quando o nosso bairro se traja para receber e assistimos às marchas com a ansiedade de um Mundial de Futebol. Mas este ano, decidimos que íamos dar um mergulho tardio nos Santos, quando o alcatrão secar das passadas irrequietas e podermos voltar a ver as paredes de Alfama, e o sorriso grandalhão das pessoas que lá conhecemos. No entretanto, entregamo-nos aquilo que sabemos fazer melhor, viver.

Há umas semanas a minha amiga Vera liga-me a perguntar se alinho numa de acampamento cigano, um sitio giro que não sabia bem onde ficava, mas tinha duas carruagens de madeira, muito campo, muita actividade para os miúdos e espaço que chegue para soltar as crianças descalças e pôr a conversa em dia. O programa era durante a semana e implicava  faltar às aulas. Disse-lhe logo que sim. Esta recta final das aulas rebentou-nos  de cansaço. Tudo o que eu pensava era fugir. A Vera levava os três filhos, eu as minhas duas loiras e enfiava-mos-nos durante dois dias nas carruagens a ressacar da vida urbana. Tenho andado tão ocupada, que mal tive tempo para googlar na véspera o sítio, e quando pus a primeira no carro, ia guiada pelo GPS da Vera, mas tão animada, que parecia uma criança à porta da Kidzania.

E assim, sem ter a mínima noção do local, e a menos de 30 minutos de Lisboa, na bela localidade de Aveiras de Cima, conheci o Parque Rural do Tambor.

O site não faz justiça ao sítio e as fotografias não revelam o lado mais boémio e romântico do local. Só vivendo se conhece. Até me custa alinhar as palavras mais bonitas para descrever a nossa estadia. As carruagens dá para ter uma ideia nas fotografias. Mas o melhor do sítio é o complemento entre a tranquilidade do espaço e a simpatia arrasadora dos donos. E quando digo arrasadora, digo à séria. São dois jovens de 60 anos, cuja a impressão imediata não é apenas: “que simpatia” é mesmo o “quem me dera que fossem avós dos meus netos”. O Tio Zé e a Tia Mariazinha vivem no Parque e são a alma do parque. Foi deles a ideia do labirinto no milharal, a criação dos programas de passeio para as escolas, o celeiro com a máquina das pipocas, os cultivos, o tour de tractor em cima de fardos de palha, a caça ao pirilampo à noite, os baloiços, a tenda India e tudo o que os nossos olhos alcançam e as crianças possuem. O Parque Rural do tambor vale pela experiência de partilha, pelo enquadramento, pelas dinâmicas criadas, pelo espaço imenso onde se respira, mas o que me fica na memória, o que a inscreve na minha história dos sítios a voltar, é sempre a alma das pessoas. E quando arrancamos com as crianças nos carros, a tristeza já era saudade e tudo o que pediam era para ficar, para voltar, para regressar ao sítio do tio Zé e da Tia Mariazinha.

É aqui que o descobrem. Mas vivam-no como deve ser:)
Parque Rural do Tambor ou versão crianças “O sítio do Tio Zé e da Tia Mariazinha”

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