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Até velhinhos

Ate velhinhos | Isabel Saldanha

Eu não sei a medida exacta do tempo, nem da verdade.
Pouco sei do que dizem saber e aquilo que a idade me ensina é que só o que sinto está certo.
Nada quis na vida que perdurasse muito, com medo de me demorar no que não queria mesmo.
Já quis tanto por tão pouco.
Já me dei sem lucro de coisa alguma.
Já vivi dos proveito dos sonhos e fantasias, quando tudo o que a tua mão me decifrava era o espaço de uma boleia.
Já apertei com força o desejo, só para ensaiar a vontade de ficar, onde o coração já não fazia morada.
Agora acho que cresci, como na altura me sentia crescer.
“Agora é que é”, dizia, sabendo que o sufoco de não ser era um sinal que talvez fosse.
E quando o Agora não foi e a dor transformou as borboletas que voavam no meu interior em traças de roupa velha, eu acho que cresci.
O que é que eu sabia disso?
O que é que eu já sei?
Se cada experiência é um desvario e um coração não toca igual. Continuo a não saber a medida exacta do tempo, nem tenho a certeza absoluta se o que já cresci, chega para te segurar a mão.
Sei que desta vez não queria ir à boleia de um até já.
Que me custa imaginar um Adeus e que o futuro é um campo por lavrar onde tento plantar fundo os meus dias.
Também sei que elogio com frequência a beleza das tuas mãos mas o que eu queria mesmo dizer é que nunca largasses as minhas.

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Lets go girls

Idosa atrevida
Não me posso queixar, porque a custódia partilhada das loiras, permite-me galhofar 15 dias por mês. Não posso reclamar, porque desde que sou gente grande, que viajo com amigas e amigos por períodos consecutivos de duas semanas, pelo menos uma vez por ano. Não posso resmungar porque tenho a sorte de ter uma profissão sem horários e posso beber vinho no meu local de trabalho. Não me posso irritar com a chuva porque ela é um pressuposto estável de Novembro. E não posso barafustar com a vida porque conquistei a pulso a propriedade do meu tempo.
E porque estou privada de uma boa dose de reclamações, fruto do caminho que escolhi, só posso dizer, que hoje vou curtir com as minhas amigas, falar mansinho das pessoas que adoramos e lançar desafios ao Globo, de agenda aberta sobre a mesa e copo para brindes avulsos nas nossas mãos. Táxi a caminho.
Bora lá:)

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