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O fazer ocupa lugar

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Não tenho dado grandes notícias porque o fazer ocupa lugar.
Mas esta fotografia sintetiza “mais ou menos” o momento que ando a viver. Depois dos dois últimos meses a lutar pela manutenção das rotinas de estudo e da tranquilidade possível da vindima do lar, eis que chega o tão esperado pai.
A mãe alivia o cesto e passa a fermentação das uvas ao progenitor. Acredita que o fruto está podado da melhor forma possível e entrega-se ao cultivo privado do seu talhão: As palavras, as fotografias, as tertúlias, as viagens e o amor.
Estava tão habituada ao cuidado da vinha, que tive alguma dificuldade em largar a faca da poda, em poisar o cesto e olhar só para o meu terreno de cultivo. Não posso negar que este monopólio de mãe-cuidadora produziu um mosto tremendo de saudades das minhas filhas, mas para continuar a vingar no meu processo de autenticidade, preciso de cuidar do meu terroir para me fazer essência e depois vinho. Uma forma de sonho entornada na pessoa que quero ser. O natal está a porta, as uvas regressam ao fermento do lar e eu vou dar mais uns encostos de poda e mimo. Depois, posso lavar os cestos e deixa-las estagiar na barrica do pai enquanto dou um pulinho de mãos dadas ao Equador e deixo o vinho a respirar:)

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Não sei bem quem é que consegue

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Não sei bem quem é que consegue. E ainda menos quem tenta. Mas não posso ficar senão feliz por quem consegue perceber na unidade do tempo a maior riqueza do homem. Nunca fui rica no sentido monetário do termo, tudo o que hoje tenho foi minha conquista. Quando quis casar comprei com o meu dinheiro o meu vestido de noiva a prestações. E trabalhei muito enquanto estudava para comprar, também a prestações, a minha carta, o meu primeiro carro, a minha primeira renda e os meus primeiros vícios. Não gosto do discurso gabarolas da infância sofrida, mas é bom recordar o que conseguimos, quando achávamos que não tínhamos nada, para poder saborear à séria tudo o que já temos. A verdade é que não me falta nada. E isso é tão bom de pronunciar, que o melhor mesmo é dar-lhe a volta sem medo e dizer de coração cheio que tenho tudo. Temos muito medo de afirmar plenitudes de felicidade, não vá a vida esnobar sobre os sonhos futuros. Mas o que eu mais aprendi nas pequenas conquistas da vida é a não ter medo de exaltar a felicidade dos dias. E assumi-lo sem escrúpulos como um agradecimento enorme à vida. Podia dizer que vivo para pouco. O meu pouco que é tudo: As minhas filhas, as minhas viagens, as minhas palavras, os meus vinhos e petiscos, o meu Pedro, o pai das minhas filhas, as minhas irmãs, os meus amigos maduros, as minhas amigas loucas, os meus livros e o meu tempo. Tenho o coração cheio, uma vida cheia e uma cabeça cheia de sonhos que combinam tudo isto. E o mais que tenho, para além do amor que é terreno fértil, é Tempo.
O tempo que resgatei à vida para poder viver com à máxima intensidade cada uma destas paixões. Sim, acho mesmo que a perseguição dos sonhos me tornou uma mulher rica. E a consciência disso, uma mulher sã. Podia dizer que tive sorte mas seria uma batota enorme sobre o esforço. A sorte que tive foi a sobriedade prematura de perceber no Tempo a unidade máxima de realização. E pressenti-lo a tempo, do tempo, que precisava para mim.

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Aguenta coração.

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Aguenta coração.
A Caetana perguntou-me ontem ao jantar se eu estava desejosa que o pai chegasse. Confesso que até fiquei com medo que ela tivesse escutado algum desabafo, desses, que qualquer mãe com discernimento faz quando está pelos cabelos ou prestes a perde-los a todos:)
Disse que não percebia a pergunta. Perguntei-lhe, se estava a querer dizer que eu estava cansada das minhas filhas ou desejosa que o pai chegasse, porque também eu tinha saudades.
Fitou-me. Para não incorrer em conversas desanimadoras do desempenho do meu esforçado papel maternal (e paternal desde há uns meses para cá) rematei: – Eu não estou desejosa que o pai chegue, para me ver livre de vocês (mentirinha). Mas a verdade é que me vai descansar o coração saber que vamos pôr um fim nessa saudade. E sim, também eu tenho saudades do pai.
Um dos melhores amigos da mãe. E os amigos bons nós queremos por perto.
Contente com a minha resposta sorri. A Camila que até então observava, acaba de dar uma garfada no bife, engole e diz:
– Ó mãe, mas eu vou ficar o tempo todo com o pai, todo! Desculpa lá, mas a mãe tem nos o tempo todo, é injusto! Eu quero estar com o pai.
Olho para o Pedro que estava ao meu lado, suspiro, e sai-me um:
– Bitch…
Pergunta a Caetana do canto da mesa:
– Porque é a mãe está a chamar a Camila de Praia?
Meio embaraçada respondi: – Porque vocês às vezes são tão incertas como as ondas do mar.
E pus uma garfada à boca para lançar um parágrafo sobre a discussão.
Haja sempre lirismo em casa e muito amor, pensei.
E venha a mim a minha “bitch”, porque eu estou mesmo a precisar de férias:)

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O amor é fermento mas…

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Sempre ouvi dizer que um dos alicerces das melhores relações é a Admiração mútua. E é das coisas mais bonitas de se sentir, de se ver e de se ouvir. Às vezes esquecemo-nos de o fazer na esperança que a vida compense nas suas várias valências.
Mas um elogio de quem é próximo é como comida caseira.
Vá lá, diga-lhe o quanto está gira hoje. Elogie-lhe as capacidades de fazer acontecer. Tire-lhe uma fotografia espontânea e diga-lhe nos olhos o “gato” que ele é.
O amor é fermento, mas só vai dar pão se for bem amassado.
Parabéns Nuno Neves e Inês Franco, está na cara, o quanto vocês se admiram e na barriga o quanto vocês se amam:)

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Lábia generosa do Natal

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Adoro a lábia generosa do Natal.
Ontem trouxe alguns presentes para debaixo da árvore.
Claro que as miúdas foram logo agachar-se e abanar os presentes para verificar receptores e validar conteúdos.
No final a Camila diz: – Mas a mãe não tem nenhum presente, coitadinha…..
Responde a Caetana: – Estás enganada Camila. Tem o maior de todos, o nosso amor.
Conclusão: A mãe não tem presentes:))

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Este post é para o João Carvalho.

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Este post é para o João Carvalho.
Provavelmente desconheces, mas a minha filha Camila, que já tem grandes dificuldades em concentrar-se nas aulas e nos trabalhos de casa, achou na paixão recente que nutre por ti, um alibi perfeito para riscar todas as folhas dos cadernos com o teu nome.
Hoje fui acordada de madrugada, de um sono profundo, só para validar o coração que te quer entregar no dia dos namorados, e a minha filha nunca foi criança de pensar no longo prazo.
Diz que quer que eu fale com a tua mãe para marcar um encontro e não se importa de partilhar-te com as amigas, desde que sobre um pouco de amor para ela. Todas as frases começam com “Mas o João”, “E o João”, “O João também”. Se antes tinha direito ocasional a um retrato meu, agora é raro, para não dizer inexistente, porque não há marcador, pincel e lápis que não esteja ao serviço da paixão.
Ao principio achei graça, só porque é raro vê-la manifestar um interesse continuado por alguma coisa.
Mas entretanto já passaram 3 semanas e hoje de manhã quando fui buscar-lhe o afia, lá estava o teu nome escrito num dos cantos dobrados do caderno, em formato de segredo.
Tudo bem João.
Estamos habituadas a pragas e somos miúdas de grande paixão.
Mas não me roubes todos os cantos, de todas as folhas, porque quando eu não acho conforto na folha em branco é lá que me aninho.

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Um livro para a BFF

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Dizem que os queridos apanham muita porrada.
Não sei bem o que é que isso quer dizer, quando por oposição, o Amor com amor se paga. Ontem a minha filha estava insegura em relação à amizade da sua BFF (Best friend forever). E decidiu fazer-lhe um mini livro com um texto introdutório, desenhos e uma colectânea de frases sobre a amizade. Chamou-me para partilhar comigo o conteúdo, e encheu-me de orgulho que se conseguisse exprimir com tanta sinceridade acerca do que sente.
Mesmo abusando da adjectivação (quem sai aos seus…), não havia numa só palavra, uma fuga de verdade.
Eu não sei se a menina que vai ler o teu livro perceberá a dimensão do que sentes, mas se eu recebesse esse livro dava-te uma porrada de amor.

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Uma união singular

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A minha filha Camila é louca por um bom casamento. Há poucas coisas que a fazem tão feliz como simular no alto de uma cadeira que é um padre e que me está a casar a mim e ao Pedro.
Mesmo trocando as falas e os versículos, o pronunciar rouco do “declaro-vos marido e mulher” numa pespineta desdentada, derrete-me.
Mas não é dela que quero falar.
Quero falar sobre este casamento que fotografei em Julho na Herdade do Reguenguinho.
Passei lá à porta este fim de semana e lembrei-me.
Sabem? Não gosto particularmente de festas de casamento. Ainda menos de as fotografar.
Não digo isto por descrença à celebração do amor. Esse, move-me todos os dias.
O que não gosto em alguns casamento é a tensão, a tensão para que tudo corra sob os auspícios dos desejos partilhados entre quem ama, quem paga e quem manda. São poucos os casamentos que se soltam do predicado do sonho dos outros, e que celebram apenas o reflexo perfeito, de quem combinou juntar-se um dia entre amigos e família para celebrar a sua união. E nesta cerimónia foi exactamente isso que aconteceu.
Aceitei fotografar o vosso casamento porque foram vocês que o desenharam, no reflexo do que sentiam, sem ambições maiores que reunir à vossa volta, no vosso sítio, tudo aquilo que são.
E isso torna tudo tão fluido, que me senti mais uma amiga de polaroid na mão a tirar umas chapas avulso a uns grandes amigos.
Não há casamentos perfeitos. Mas há uniões singulares. E a vossa foi seguramente uma delas.
Fico a torcer pelo vosso amor. Com o desejo que ponham nele, a mesma autoridade, a determinação e o carinho, que colocaram em cada detalhe do vosso casamento.

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Na mesma posição do “Até já”.

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Disseste-me que ias comprar pão quente. E eu prometi-te 8000 caracteres do livro que estou a escrever. O monte fica longe da senhora que vende o pão. Mas o meu corpo está encostadinho à lareira acesa.
Aos bocadinhos começou a chover lá fora.
Estou na mesma posição do “Até já”.
Tenho o portátil sobre os joelhos e as labaredas a namorarem-me o corpo. Tenho um copo de tinto junto a mim e as teclas escuras pintadas com letras à minha frente.
Acho que não te vais importar, se te disser que me perdi entre o estalar da madeira e as gotas da chuva que lambiam as janelas.
Acho que vais perceber se te disser que o meu corpo cedeu ao escorrega do calor e as mãos afastaram-se, com cuidado, das teclas com que se constroem as palavras que prometi escrever.
Quando chegares vou estar na mesma posição do “Até já”.
Vais perguntar-me pelos caracteres, com o pão quente debaixo do braço. E se eu for esperta, como o calor da lareira acesa, vou te puxar para o conforto de mim para quebrarmos juntos as promessas que te fiz.

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É com Amor que se vence o medo.

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Os dias regressam, as horas impõe-se, as rotinas exigem.
Mas há neste amanhecer dos dias seguintes uma culpa irresponsável, por continuar a viver, como se nada fosse diferente, sabendo que nunca mais será igual.
Não dormi bem à noite. Levantei-me.
Fui beijar-lhes as caras. Agarrei a mão do Pedro com força.
Ouvia tudo com muita nitidez.
Nunca a minha respiração me pareceu tão forte, como se me quisesse alertar da forma mais crua para a benção da vida.
Obrigado por me teres segurado a noite com um “Amo-te”.
É com Amor que se vence o medo.

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