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( mais, pelas) AMIGAS

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Sempre adorei estas sessões de amigas. Lembram-me das coisas que ainda quero fazer com as minhas.
Lembram-me da urgência do tempo. Dos milhares de fins de semana combinados em noites de conversa boa. Lembro-me inevitavelmente das histórias que ficaram por acabar.
Da forma como crescemos rápido. A Maioria emparelhadas e já com filhos. E como agora tentamos encaixá-los nos nossos serões.
Devíamos dar sempre tempo a este tempo nosso. Porque a gargalhada da amizade enrijece-nos, torna-nos mais imunes, mais capazes.
Porque o tempo passará sempre. E será sempre melhor neste passar acompanhado.

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NÃO, NÃO ANDO A FAZER M*A.

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Hoje publiquei uma frase na cronologia do Pedro a dizer: “Saudades tuas”.
Recebi dois telefonemas: Uma amiga que perguntava se o Pedro estava fora e outra, que com ironia sarcástica (que só a a amizade longínqua permite) comentava: – Deves andar a fazer m*a para tanta declaração de amor.
Ri-me. Não. Respondi. Ando a “fazer bonito”. Estou crescida, rematei.
Sei que nunca fui pessoa de grandes declarações públicas de amor, com excepção honrosa ao sangue do meu sangue, nas pequeninas pessoas das minhas filhas. Mas o tempo passa, sabes. Vamo-nos tornando mais senhoras da nossa vida, proprietárias orgulhosas das nossas conquistas, soberanas no que sentimos, orgulhosas por dar, vaidosas de puder estender a partilha aos que gostamos. Ao principio, revia com desconfiança as frases, tudo parecia excessivo, meloso, até falso. Mas ao primeiro “Enter”, é como o lacre numa carta ida. Sabe tão bem, que chega a virar vício. Não me interessa quem diz que não ha pachorra para isso. O que já não tenho mais mesmo é pachorra para viver por menos. Não sei o dia de amanhã, nem me angustia que as palavras lançadas hoje possam perder sentido nas coisas que lho retiram. Hoje amo, hoje gosto, hoje sou e hoje sinto. E sem qualquer eminência que o passar do tempo condene o que o hoje dita, lanço-me sem filtros ao amanhã.
Não, não ando a fazer m*a. Repito.
A mesma com quem já feri, quem um dia esteve uns passos largos de confiança à minha frente.
E não me venham com histórias. Nada é mais falso que acreditar que a verdadeira juventude da vida esteja na rebeldia dos erros.
E se assim for, que venham daí todas as rugas da verdade. Porque hoje, tudo o que me parece excessivo é o que guardo sentido sem o dizer. “Saudades tuas”.

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Hoje estou estupidamente feliz.

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Estes dias têm sido tão velozes, que nem tem dado tempo, para dar aos momentos, o que eles merecem.
Hoje estou estupidamente feliz. As miúdas têm os últimos testes (não me canso de o dizer) e para mim, começa um reinado de tranquilidade, outro tipo de tranquilidade, já que as loiras rondarão o pedaço em busca do que fazer. Mas cada coisa no seu dia. Para ser feliz, é preciso saber reagendar preocupações. Mas não era nada disto que eu queria partilhar. Só não me contenho de alegria. (hoje é Burger king para toda a gente e o melhor reserva tinto para os crescidos). O que eu queria mesmo é dar os Parabéns à Rita da fotografia. A cozinheira dos cozinhados que fotografei para um livro delicioso que já está nas bancas deste Portugal. Disse na apresentação do livro, que quando a Rita me contactou por email estava longe de achar ser, a pessoa indicada para um roll de fotografias de alimentação saudável. Eu, rainha obstinada das tábuas de enchidos, discípula de Baco e devoradora de gomas. Mas é no contraste que se ganha definição e demo-nos como melão e presunto.
Obrigado miúda do Sul por me teres confiado o norte das tuas fotografias. E por teres sublinhado com este projecto que as calorias da amizade são as que mais nos engordam de vida. Que mantenhas sempre esse teu açúcar.
http://ritasmessykitchen.blogspot.pt/

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Aguenta coração.

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Aguenta coração.
A Caetana perguntou-me ontem ao jantar se eu estava desejosa que o pai chegasse. Confesso que até fiquei com medo que ela tivesse escutado algum desabafo, desses, que qualquer mãe com discernimento faz quando está pelos cabelos ou prestes a perde-los a todos:)
Disse que não percebia a pergunta. Perguntei-lhe, se estava a querer dizer que eu estava cansada das minhas filhas ou desejosa que o pai chegasse, porque também eu tinha saudades.
Fitou-me. Para não incorrer em conversas desanimadoras do desempenho do meu esforçado papel maternal (e paternal desde há uns meses para cá) rematei: – Eu não estou desejosa que o pai chegue, para me ver livre de vocês (mentirinha). Mas a verdade é que me vai descansar o coração saber que vamos pôr um fim nessa saudade. E sim, também eu tenho saudades do pai.
Um dos melhores amigos da mãe. E os amigos bons nós queremos por perto.
Contente com a minha resposta sorri. A Camila que até então observava, acaba de dar uma garfada no bife, engole e diz:
– Ó mãe, mas eu vou ficar o tempo todo com o pai, todo! Desculpa lá, mas a mãe tem nos o tempo todo, é injusto! Eu quero estar com o pai.
Olho para o Pedro que estava ao meu lado, suspiro, e sai-me um:
– Bitch…
Pergunta a Caetana do canto da mesa:
– Porque é a mãe está a chamar a Camila de Praia?
Meio embaraçada respondi: – Porque vocês às vezes são tão incertas como as ondas do mar.
E pus uma garfada à boca para lançar um parágrafo sobre a discussão.
Haja sempre lirismo em casa e muito amor, pensei.
E venha a mim a minha “bitch”, porque eu estou mesmo a precisar de férias:)

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Tenho boas amigas.

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Tenho boas amigas. Até nisso consegui ter sorte.
Mas algumas delas, das boas, conheci nos últimos 4 anos.
Acho que a partir de uma certa idade, vemos com mais discernimento as pessoas que nos fazem bem e que nos fazem falta. Somos mais senhoras da nossa história, filtramos mais, mas falamos sem adereços quando nos pedem a opinião.
Não temos saco para o “faz de conta”, não queremos fazer cerimónia com as nossas qualidades, nem varrer para debaixo do tapete as nossas histórias menos felizes. Bebemos quando temos sede, comemos quando temos fome, choramos quando temos vontade e não desperdiçamos um momento se der para ser feliz.
Estamos mais coladas à nossa essência, sem vergonhas demoradas pelas nossas imperfeições.
A essas amigas boas, abrimos-lhe a porta muito antes de nos pentearmos, não sacudimos as lágrimas, nem escondemos o desmazelo aflito com que nos atrapalhamos em algumas fases da vida. Oferecemos-lhe o que somos, a cara lavada, uma alma sacudida e muita história orgânica.
Hoje, devia dizer o “Bom dia” com as fotos maravilhosas que tiramos na nossa Sessão com a blogger Mafalda Castro. Mas não me pareceu bem abrir-te a porta já com o fato engomado.
Gosto das coisas que fazemos juntas, porque no meio só há oxigénio do bom.
Obrigado pela mensagem de ontem.
Eu também agradeço ao Criador as pessoas boas que se cruzaram nos meus caminhos e faço um reforço para que se demorem na minha história.

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Um livro para a BFF

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Dizem que os queridos apanham muita porrada.
Não sei bem o que é que isso quer dizer, quando por oposição, o Amor com amor se paga. Ontem a minha filha estava insegura em relação à amizade da sua BFF (Best friend forever). E decidiu fazer-lhe um mini livro com um texto introdutório, desenhos e uma colectânea de frases sobre a amizade. Chamou-me para partilhar comigo o conteúdo, e encheu-me de orgulho que se conseguisse exprimir com tanta sinceridade acerca do que sente.
Mesmo abusando da adjectivação (quem sai aos seus…), não havia numa só palavra, uma fuga de verdade.
Eu não sei se a menina que vai ler o teu livro perceberá a dimensão do que sentes, mas se eu recebesse esse livro dava-te uma porrada de amor.

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Há clientes e há clientes.

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Há clientes e há clientes.
E depois, ainda há os clientes, que para além de nos receberem com um abraço apertado, encerram as hostes com um branco gelado, que nos servem um queijo de cabra em pão fresco, que nos convidam a sentar, que nos ouvem, a quem ouvimos, com quem mastigamos, conversamos e rimos.
Clientes, que numa fracção de segundos, viram amigos.
Como se aquele momento, fosse apenas um reencontro de saudades selado com fotografias.
E ainda que o embalo do vinho ajude à peregrinação da amizade, é a forma como se dão em tudo, que define como tudo acontece, e que dita tudo o que virá a seguir.
Família gira a que vocês têm!
Mas muito acima disso, a cumplicidade desprendida, de quem sabe que a vida reina acima de todos os filtros.
Parabéns daqueles de quem faz anos todos os dias!

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“E gosto de ti assim…”

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Vou repetir-me: É a minha forma de te pedir permissão para publicar, quando sei que não és especialmente dada às redes e ao social:)
Mas hoje passei pela tua pasta (franqueza tecnológica) e fui espreitar.
Entretanto já foste mãe. A Mariana é minha afilhada, mas tu és a minha melhor amiga. E gosto de ti assim, esquiva, difícil de apanhar, solta, talvez até em demasia.
Não sei se te lembras, quando fui visitar a Mariana pela primeira vez dei-te uma PEN usb em formato de rolha. Talvez ninguém te tenha dito mas estes primeiros meses têm uma factura elevada na memória.
Faz parte do processo de amar, esquecer o quanto nos cansam. Utiliza a Pen e liga-me de vez em quando.
Quando regressar ai a casa levo-te post it´s.

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Até velhinhos

Ate velhinhos | Isabel Saldanha

Eu não sei a medida exacta do tempo, nem da verdade.
Pouco sei do que dizem saber e aquilo que a idade me ensina é que só o que sinto está certo.
Nada quis na vida que perdurasse muito, com medo de me demorar no que não queria mesmo.
Já quis tanto por tão pouco.
Já me dei sem lucro de coisa alguma.
Já vivi dos proveito dos sonhos e fantasias, quando tudo o que a tua mão me decifrava era o espaço de uma boleia.
Já apertei com força o desejo, só para ensaiar a vontade de ficar, onde o coração já não fazia morada.
Agora acho que cresci, como na altura me sentia crescer.
“Agora é que é”, dizia, sabendo que o sufoco de não ser era um sinal que talvez fosse.
E quando o Agora não foi e a dor transformou as borboletas que voavam no meu interior em traças de roupa velha, eu acho que cresci.
O que é que eu sabia disso?
O que é que eu já sei?
Se cada experiência é um desvario e um coração não toca igual. Continuo a não saber a medida exacta do tempo, nem tenho a certeza absoluta se o que já cresci, chega para te segurar a mão.
Sei que desta vez não queria ir à boleia de um até já.
Que me custa imaginar um Adeus e que o futuro é um campo por lavrar onde tento plantar fundo os meus dias.
Também sei que elogio com frequência a beleza das tuas mãos mas o que eu queria mesmo dizer é que nunca largasses as minhas.

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Atestada de amor

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O pai das loirinhas está fora por um mês.
Acima da boa diplomacia, uma franca amizade, e como era trabalho, e não uma escapadela furtiva as ilhas Fiji, condescendi (se bem que sou sensível ao argumento das viagens furtivas e não havia propriamente outra mezinha).
O que significa que a custódia partilhada passa a ser total, por 30 dias úteis e inúteis.
Tenho a certeza que o pai das loiras já sabe que vou exercer esse crédito em igual desproporção:) Ainda não sei se vou permutar por 2 meses na Índia* ou por idas semanais ao SPA.
Até lhe disse, ao jeito de brincadeira, que ele não me podia fazer isso, porque eu corria o risco de me afeiçoar.
Afeiçoada eu já estou. A elas e aquela pausa negociada que nasceu do fruto da nossa separação. Devia respirar compassadamente, mas estamos a meio da “experiência” e eu já arfo.
A respiração ordeira dos primeiros dias, os gestos delico-doces, o gosto das primeiras fichas de férias e o leito partilhado a três é intervalado com doses intermitentes de impaciência.
É certo que vocês sabem que eu vos amo incondicionalmente, daí a corrupção ao desvario deste meu lar. Quando entro em casa ergo logo as mãos ao jeito de rendição e quando vos beijo antes de dormir, adormeço os meus desejos no prolongamento do vosso sono. Tenho tentado ser ambos, safa-se, mas não safa tão bem.
Dar-me-ia uma certa soberania sobre a tarefas se vocês não andassem sempre atrás de mim como os filhos de uma pata.
Deve ser reflexo óbvio da falta do Pai Pato.
Quando falamos com o “daddy” por Skype tenho vontade de as empurrar para dentro do monitor. E tenho a certeza que o olhar enternecido do progenitor, se faria real, se as pudesse receber do outro lado.
Isso consola-me e segura-me.
Ainda não lhes perguntei esta semana se sou boa mãe.
Não vou arriscar a demência da culpa de tentar ser tudo.
É o amor. Ninguém disse que era incólume.
Esta é a vossa mãe. Meio avariada, meio desvairada mas atestada de amor.
E sim pai, elas sentem muito a tua falta.
E creio que a mãe Pata também.
P.S:* India, já decidi:)

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