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Tenho saudades

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Do andar de baixo numa avenida nova, chega-me um cheiro. Detenho-me, pauso-me nas escadas, encosto-me à porta. Há um conforto neste odor, como a almofada amassada do dia em que partiste. Como aquela camisa que amachuca no chão a saudade. É cheiro de mar na grelha, de gordura salgada sobre o carvão, é cheiro de Alfama. É cheiro a Santos. Está me na alma, entranhou-se me na memória, acorda-me os sentidos, puxa-me, recupera-me, exalta-me. Habito numa avenida nova com um cheiro que é velho para mim. Sento-me no patamar das escadas, indiferente a quem passa, acordada apenas pelo sentido do olfacto. E deixo-me transportar como uma quadra que se enterra com força no jarro de um manjerico. Tenho saudades dessa morada onde me achei. E tenho ternura por essa memória que se colhe num cheiro, como o ramo tosco que a criança dá à mãe. Estou aqui sentada. Mas é lá que o cheiro faz sentido.
Tenho saudades tuas Alfama. E não me tenho feito convidada desse olfacto, nem parte desse colectivo de narizes que te inala nesta quadra. Talvez me proteja um pouco da saudade, como um fado morno que se escuta atrás da porta.
Vou deixar passar a festa grande e o corrupio. E quando o cheiro ficar mais perdido, sei de coração, que te vou encontrar, nesse mesmo patamar de saudade onde hoje me sento.

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Não sou gaivota

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Uma das coisas que me dá mais saudade são os passeios por Lisboa.
De Alfama, e sem ser de barco, chegava ao Castelo em minutos e punha a mão no Tejo em segundos. Sem falar da vista, que o alcançava em todas as janelas. E o que eu gostava daqueles cruzeiros estacionados no beiral da minha janela, com aquelas luzinhas amarelas e toda a gente em pé, no convés da chegada. O que eu adorava a percepção da sombra gigante a anunciar a partida. Tinha sempre poesia de todos os ângulos, quer fosse o trânsito dos navios, o voo paralisado das gaivotas contra o vento ou o tejo cinzento e amuado nos dias em que chovia. Este ano que aí vem vou procurar nova morada. Talvez não recupere o Tejo na minha janela, talvez tenha a sorte do rio desaguar num mar ainda maior, ou talvez abra a porta para um jardim esverdeado, permutado sem esforço à calçada lisboeta. Seja o que for e onde for é de ir. Gosto de fazer morada em várias moradas. E nunca me assustou a mudança, o que me assusta sempre é a paralisia lenta de ir permanecendo igual sabendo que não sou gaivota.

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Um dia destes mudo-me novamente.

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Um dia destes mudo-me novamente.
Sinto saudades da Baixa e do rio.
Perdi-me de Alfama.
Onde acordo agora, chego a todo o lado, mas não vejo o rio.
Não vejo os barcos atracados, os navios a rasgar estrada, nem consigo que os olhos abracem a outra margem de mim.
Onde vivo, há muitas artérias e caminhos mas poucos lugares.
As pessoas têm pressas, até delas mesmas.
Onde habito, há demasiados escritórios e consultórios. Tenho um elevador que nos leva, mas poucas coisas há que me elevam.
Perdi-me de Alfama.
Onde as deito a noite cai deserta. Não há almas a passear nas ruas, nem namoricos sob a luz embaciada dos candeeiros.
Nem o canto rouco do bêbado conhecido.
Onde vivo há supermercados, farmácias e correios.
Mas ninguém nos conhece os gostos, as dores e as moradas.
Onde vivo se ficar doente, desço ao primeiro andar. Mas tenho a ingratidão das saudades, a chorar por uma constipação a olhar o rio.
Onde moro é tudo muito engomado. Tão contrário ao desapego de ti. Um dia destes mudo-me novamente.
Só porque tenho saudades do encosto entre as pessoas, das conversas de rua e de mim, ali.
Talvez me tenha perdido de Alfama.
Talvez isso me ajude a compreender o que se ausenta em mim.
É mentira se disserem que não gosto do aqui. Embalei tudo o que tinha.
E mesmo do rio, eu trouxe um bocadinho de sal para dar Tejo às minhas lágrimas. Maldição seria se a felicidade não fosse tão nómada como as coisas que mais amo neste vida.
Não desgosto de onde moro, só não te namoro da mesma forma e não me acostumo a viver sem ti.
*Shooting for Buenos Aires | http://www.buenosairesworld.com/

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WORKSHOP Iniciação à Fotografia & Escrita Criativa

workshops foto e escrita

WORKSHOP DE INICIAÇÃO À FOTOGRAFIA

O Workshop realiza-se no dia 31 de Janeiro (Sábado) das 10h00 às 17h30 em Alfama | Lisboa.

É destinado a pessoas com um nível de conhecimento fotográfico básico, entendendo-se por isto o uso da máquina fotográfica em modo automático, desconhecimento da maioria dos menus e pouca ou nenhuma prática em uso manual (manipulação de aberturas e velocidades).

O Workshop é 70 % prática, com vários exercícios em contexto real. Sendo o conteúdo teórico distribuído da seguinte forma:

  • Máquinas e Menus (Quick Review)
  • Relação com o fotografado
  • Luz:  Aberturas e Velocidades, Panning
  • ISO – Sensibilidade à luz
  • Pontos de foco e medição de luz
  • Enquadramento

Relembro que o nº de vagas é limitado a 12 pessoas, pelo que envio em anexo as condições e valores para efectuar a sua inscrição.

Deverá enviar email com os dados abaixo solicitados: 

  • Nome: 
  • Profissão: 
  • Data de Nascimento: 
  • Email:
  • Contacto:
  • Conhecimentos fotográficos:
  • Marca e Modelo da Máquina*:

(Anexar comprovativo do pagamento do valor da inscrição) 

* Não são aconselhadas máquinas compactas.

O valor total do Workshop são 150 € 


WORKSHOP DE ESCRITA CRIATIVA

O Workshop realiza-se no dia 1 de Fevereiro (Domingo) das 10h00 às 17h30 em Alfama | Lisboa.

O que é que é preciso para frequentar o Workshop: Vontade, boa disposição, fome de letras e paixão.

Deverá enviar email com os dados abaixo solicitados: 

  • Nome: 
  • Profissão: 
  • Data de Nascimento: 
  • Contactos (Email e Telemóvel)

O valor total do Workshop são 80 € 

Material Necessário:  Bloco e Caneta ( vulgo papel e lápis)


CONDIÇÕES

Para formalizar a inscrição e assegurar a vaga deverá liquidar 50 % do valor correspondente à inscrição através do NIB: 0033 0000 00042544507 57 | Millennium BCP *

* Todas as transferências devem ser notificadas com o envio do comprovativo para o email: isabel@isabelsaldanha.com

Notas

Para se inscrever no Workshop é indispensável possuir uma câmara. O pagamento da inscrição deve ser realizado de imediato para garantir a vaga, sendo o restante valor, pago até ao dia do workshop, através do NIB: 0033 0000 00042544507 57 | Millennium BCP (Nota: Todas as transferências devem ser notificadas com o envio do comprovativo para o email: isabel@isabelsaldanha.com

Quando as transferências bancárias forem feitas por outra pessoa que não os mesmos, estes devem informar sempre por e-mail, qual o nome da pessoa que efectuou o pagamento. Se o participante pretender desistir da frequência do workshop, o valor da inscrição não será devolvido.

A ficha de inscrição enviada só será considerada efectiva quando tiver sido liquidada o valor da respectiva inscrição do Workshop. Se o pagamento não ocorrer até uma semana antes da data do WSP, não será considerada a inscrição. Quando as transferências bancárias forem feitas por outra pessoa que não os mesmos, estes devem informar sempre por e-mail, qual o nome da pessoa que efectuou o pagamento. Se o participante pretender desistir da frequência do workshop, o valor da inscrição não será devolvido.

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