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Não costumo andar com elas à vez

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Embora Lisboa estivesse cheia de luzes e de charme. Embora eu sentisse umas saudades gigantes das minhas ruelas de Alfama, perfumadas a sardinha, decidimos que o melhor programa para este fim de semana passado era rumar ao Monte no Alentejo.

Curtir o último fim de semana da saudade, antes de eu partir novamente em viagem daqui a umas horas.
Atende-se, que a palavra Viagem, embora associada à palavra Saudade, não se oferece a qualquer tipo de sacrifício. Porque a seguir ao amor que tenho aos meus, tenho uma paixão assolapada pelo mundo. Lá fomos nós rumo ao Alentejo, coxos de uma loira, que a Caetana já tem asas maiores e a festa de uma amiga, foi a desculpa necessária para pernoitar em Lisboa.
Não costumo andar com elas à vez, mas sabe bem curtir um filho de forma isolada, vê-lo revelar-se longe da influência dos irmãos, dos tentáculos do “quero ser” e “devo parecer” e “tenho que crescer”. Percebe-se muito de um filho quando o consumimos inteiro, sem divisão de qualquer espécie, quando o deixamos ser maestro do seu próprio ritmo. Assim, percebi-te mais dócil e mais crescida. Continuas a ser o meu Tom Sawyer, a menina dos caracóis despenteados, que não suporta andar com os pés calçados. Continuas a comer com o garfo e a faca trocados, e a deixar mais grão de arroz à tua volta do que aqueles que te foram servidos no prato.
Estás muito mais dependente, nota-se que as saudades do pai te colaram à mãe.
Mas não me importo. Às vezes pisas-me com muito força a tentar fundir-te comigo, mas o meu pescoço entrelaçado nessas mãos gorduchas é uma reserva de tinto:).
Adoro essa tua voz rouca e a gargalhada fácil, da piada, ainda mais fácil.
Finalmente começas a ler com jeito. Pode ser que um dia quando fores grande, sem mãos papudas e com a voz grossa, me entrelaces novamente o pescoço e soletres ao jeito doce de piada sincera: – Gos-to-de-ti-mãe.
Quanto a mim, vou te amando.

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Na Minha Carteira Até à Última Noite do Ano

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Há mais de 10 anos que escrevo os meus desejos num papel, dobro em 6 pedaços e guardo na minha carteira até à última noite do ano (não convém trocar de carteira).
Amanhã por esta hora, já terei escrito os desejos para 2015 e lido os de 2014. Estou com aquele entusiasmo de véspera de Natal. Confesso que não me recordo exactamente de tudo o que pedi. Mas tenho agradável sensação, de ter colhido muito acima do que sonhei. Aproveito que estou no Alentejo, que hoje já andei de enchada na mão, para comprovar que raramente se colhe acima do que se semeia.
Há algumas regras concretas na definição dos desejos:
– Devem ser concretizáveis no prazo de 12 meses
– Devem ser mensuráveis
– Devem ser específicos e objectivos
– Devem depender essencialmente de nós para a sua concretização
– Se soubermos muito bem o que queremos, podemos dar-nos ao luxo de ter dois extras:)
– Não vale pedir genéricos: Amor, Saúde e todo aquele vernáculo zodíaco generalista que nos iliba de tudo, porque não se pode pedir tudo.
Não é assim tão fácil, como parece, pedir.
Enfim, pedir até é fácil, mas na tarefa de definição dos desejos é um pressuposto que se vá ao fundo de nós mesmos, que procuremos aqueles vazios, os nossos buracos do queijo para preencher. Nem tudo o que desejamos muito nos preenche e esse é o primeiro erro, o mais fácil e o mais comum. Até podemos arrastar desejos de ano para ano, mas convém perceber se funcionam como uma cenoura ou se são vontades de outros, mascaradas de desejos nossos.
Nem sempre foi assim. Fui aprimorando a minha lista, como acredito ter feito com o meu carácter, e com a minha vida. Assim, cada ano que passa, sinto uma responsabilidade acrescida no balanço das minhas concretizações. Mesmo antes de desdobrar o papel, posso dizer, sem pedir licença, que sou muito feliz. E que a sorte, que alguns dizem que tenho, também depende deste exercício tão pequeno, nesta data tão sem importância em que se vira o ano.
Porque a verdade, é que nada virá a nós, se não nos virarmos a nós mesmos.

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Propósito: Escrever.

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Eis-me.
Alentejo, dia 09 de Dezembro de 2014. 17:58.
3 amigas. 3 livros. 3 copos de vinho.
1 Monte, uma lareira e uma garrafa magnum Terra D´Alter.
Propósito: Escrever.
Até agora:
2 horas e 40 de caminho.
2 horas e 40 de conversa.
1 hora e meia de almoço no Cercal.
30 minutos no Litoral (supermercado)
10 minutos a recolher lenha.
15 minutos à procura dos fósforos.
45 minutos gastos a acender a lareira.
10 minutos a tirar o fumo da casa.
20 minutos na acomodação.
1 hora nas redes sociais.
30 minutos a lanchar.
Conquistas:
Entrecosto, linguiças, broa, queijo de cabra.
Actualização do estado no facebook.
Post no instagram e lareira acesa.
Propósito: Escrever.

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