Roubei muitas horas ao sono

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Uma das determinações de Setembro, antecipadas às resoluções do fim de ano, é dedicar-me mais, a uma das coisas que mais amo fazer, Ler.
Quando era uma croma adolescente, antes das hormonas trocarem a estante dos livros, pelos espelhos e reflexos de todas as divisões, eu lia uma média de 35 livros por ano. Nessa altura, papei todos os clássicos que estavam à mão, na estante de casa e sobretudo na biblioteca do meu avô. Imprimia a lista dos Pulitzers, nobéis, e lá ia eu, tentar a digestão de todos os livros cuja elite literária tinha premiado.
Apanhei muita seca, a tentar descodificar diálogos complexos para a minha idade, a imaginar paisagens, adjectivadas com palavras desconhecidas, esforcei-me por sentir dores que não eram minhas, sensações que não conhecia, países que não sabia georreferenciar. Mas também roubei muitas horas ao sono, com palavras que não conseguia soltar, diálogos que desejava ter, sítios que queria visitar e enredos que ansiava viver.
Gostava mesmo muito, que as minhas loiras crescessem com o mesmo gosto pela leitura, que percebessem desde cedo que os livros se vão revelando em cada fase de crescimento, e que nos permitem viver milhares de vezes mais.
Gostava que ganhassem o mesmo gosto à textura do papel, ao cheiro das folhas e à graça de abrir um livro comprimido pela primeira vez.
Este ano que aí vem, e no que ainda sobra deste, vou lançar um clube de leitura pequenino, e vou falar mais sobre os livros que ando a ler, a forma como me tocaram e onde me revi. Não há nada como o combustível das palavras dos outros para soltarmos as nossas. E assim, quem sabe, não avanço encorajada para o parto prematuro do meu:)
Uma boa semana para todos!

*Sessão Família (com uma princesa das letras).

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