Procura desesperada do botão do Pause

Joana Almeida-78-2

Foi há 5 anos que a Camila entrou para a creche pela mão da mana. Tinha a certeza que ia ser bom para o “pigmeu da montanha” e as paredes da casa já pediam clemência das mãos frenéticas da loira pequena, e de todos os seus anseios artísticos de lápis de cor. Ontem foi a festa de finalistas, para o ano temos a 1º classe, carteiras individuais, Tpc´s, e uma panóplia infindável de novas rotinas que põem qualquer mãe sóbria na procura desesperada do botão do Pause. Mas ainda tenho as férias amnésicas pela frente, e não tenho por feitio sofrer por antecipação. O que eu queria mesmo era agradecer de coração à Cecília, a professora da Camila, que não teve qualquer preocupação em educá-la, no sentido académico da palavra, mas que lhe deu mimo de sobra, colo até mais não, bolachas maria que fermentaram aquelas bochechas, elogios que a fizeram engordar, carinhos que a faziam correr para os seus braços todas as manhãs e um sorriso tão generoso, que a verdadeira educanda neste processo fui eu. Obrigado por ter sido uma professora-mãe, e por teres cuidado do meu furacão como se ela fosse o melhor pronuncio de uma Primavera. Vou ter saudades deste tempo, em que o bibe protegia a nódoa. Vou ter saudades de me sentar em bancos pequeninos, para a ver fazer as pequenas performances, que a ensinaste a decorar com afinco, até vou ter saudades daqueles trabalhos hiper criativos em material reciclado, que me davam vontade de a educar em casa. Vou ter saudades das reprimendas brandas, dos piscares de olhos, e das mensagens por “whatsapp” a relembrar os momentos que não poderia nunca esquecer.
Obrigado por teres estendido o teu colo de professora até aos braços inseguros desta mãe. Eternamente gratas.
Isabel e Camila.

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