Sessão Mummy | Alfama

Já me tramei muitas vezes com a displicência com que aplico esta frase, sobretudo quando a recebo de troco.:) Acho que comecei a usar o termo, a primeira vez que descobri que estava grávida. Perguntavam-me muitas coisas, metade das perguntas, eu nem sabia responder. A maioria delas, ainda nem tinham a forma de interrogação para mim. Só queria curtir aquele estado, que chamam curiosamente de Graça, e que até hoje, foi o que mais caro me saiu. O logo se vê…vê se cedo demais. Tudo o que aconselho a uma grávida é a curtição da graça do estado. O corpo pesa, as hormonas invadem-nos, a sensibilidade espreita, o apetite devora-nos, o tempo, ora desacelera brutalmente, ora parece atropelar-nos, temos inveja dos pés das outras, das sobremesas das mesas do lado, do andar acelerado das crianças, do sono mal exercido, e uma certa moinha, que aquele bebé no ovo, ainda não seja o nosso. Eu curti estar grávida. Tanto curti que fui repetente. Gosto mais de não estar gravida, confesso. Sinto-me mais ágil, embora tenha o dobro do trabalho, agora que elas estão cá fora. A minha sorte é que posso reviver continuamente o estado, perpetuando-o nas minhas sessões, sem ser “obrigada” a engravidar de novo:)). Mas uma coisa é certa, ninguém me irá ver, nunca a chatear nenhuma grávida com perguntas. Fora as da cortesia, limito-me a partilhar o que a experiência de estar grávida me deu a conhecer…muito pouco sobre o que aí vinha e muito, sobre quem sou. Talvez essa seja mesmo a factura mais bem paga do estado, a “Graça” de nos conhecermos ainda melhor.

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