Família Christine

Uma das graças e desgraças das famílias está na conciliação diplomática de pontos de vista. Mesmo as crianças que vêm com o disco por formatar já têm uma combinação de ADN que ditará a complexidade lixada dos seus feitios. E é justamente nessa premissa que descanso quando me debato até a exaustão com uma ideia que não vinga no meu universo familiar. Uns desforram-se na cozinha, outros nos cigarros, no álcool, nas pastilhas, no chocolate (somos todos) e nas coitadas das cutículas.
Eu por cá, dou-me às partículas.
E quando me sinto a passar, respiro profundo e começo a rimar:
Tenho um divã cá dentro
onde me sento a suspirar
por todas as ideias que tenho
que não consigo inculcar.
E é nesse local do cérebro
que me vou refugiar
quando o que eu digo é vacuo
ou parece aos outros vago
e não me sei explicar.
Que é rico, também concordo,
conviver com diversidade
mas às vezes dava jeito
que no reino cá de casa
houvesse apenas a graça
de ser só eu a reinar.
Paciência nós sabemos
que a ciência descobriu
que os seres já nascem complexos
que todos vivemos de egos
E eu fico por aqui.

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