Família Elsa

Nunca tirei uma fotografia destas com a minha mãe. Ela pertence a uma percentagem dentro de uma geração em que a relação maternal era pura hierarquia. Os pais providenciavam os meios de sustento e os filhos obedeciam. O carinho existia mas era escasso e formal, amar era revestido a severidade e havia limites claros na intimidade das relações familiares, não fosse alguém abusar e começar a sentir-se em casa:)
Por isso, quando oiço as pessoas lamentarem a degradação geracional dos valores, eu brindo à contemporaneidade, por que ela permite congelar momentos destes em que uma filha pré-adolescente olha sem medos para a mãe amiga. Tenho a mania que sou moderna e vou querer réplicas de fotos destas, mãe e filha no surf, mãe e filha no spa, mãe e filha brindam e tudo a duplicar porque somos 3 cá em casa. E não o faço por ressabia do passado, vou fazê-lo porque sei que não há confiança sem partilha e para mim o amor é o lugar onde isso acontece. Não tive o melhor dos estágios mas os filhos abrem-nos o coração à desfolhada e agora é olhar para mim, toda cheia de sentimento…tudo o que primeiro se estranha, depois se entranha.

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