Embrulha que é vermelho

Sempre que fotografo a Cristina, saio de lá com o propósito de regressar na próxima sessão em versão upgrade. Eu, entenda-se, que ando sempre de casacos com gorro, mochilas e botas pretas com um bushzinho a fugir.
Acontece que desde que larguei o fato e a gravata, que não consigo usar nada que me aperte a barriga, que se cole demasiado às pernas, que me embarace os braços, que me comprima o peito. Antes, ainda dava por mim em versão duas peças, uma larga e uma justa, ainda curtia os saldos, as compras e os provadores. À medida que o tempo passa, vou perdendo a vontade de me enfileirar com peças debaixo do braço à espera da minha vez. Só a ideia de vestir dentro de um chuveiro apertado, com um ar condicionado bipolar, a esticar os cotovelos e a tentar manter a cadência da respiração, mata em mim qualquer impulso consumidor. A verdade é que precisava de comprar umas camisolas quentes para as loirinhas, e as lojas todas arrumadas a aguardar a chegada dos saldos são uma tentação. Devia fazer como toda a gente, e esperar pelo rasgar da fita para atravessar a linha que separa os 100% do 50%, mas não me consigo imaginar a revirar roupa aos montes, sem que isso me revire o estômago. Hoje lá fui eu dar um pulinho à Zara, convencida que os saldos já estavam aí. Estava vazia, mas com tudo tão alinhado, que olhei de novo para à porta, para me certificar que não tinha entrado na Massimo Dutti.. À excepção das empregadas, estava eu e a Caetana, a minha mochila preta, o meu capuz, e o meu cartão MB no bolso. É tudo tão caro ou é minha impressão? Saí de lá, com as camisolas debaixo de olho, tentada a regressar amanhã. E como não queria dar uma de fona, entrei no celeiro, comprei um mix de vitaminas e aproveitei a promoção do creme facial do mar morto. Amanhã, se me sentir mais viva para o consumo regresso e até só capaz de cometer a loucura e comprar um trapinho para mim.

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