O cabelo cresce loirinha

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Andaste a fugir à tesoura durante 6 meses.
Quando o pai cá esteve, passei-lhe a incumbência, mas a agilidade feminina levou a melhor e regressaste à mãezinha com o mesmo cabelo aciganado com que te entreguei ao pai.
Ontem cedeste aos meus argumentos e deixaste que eu te cortasse o cabelo depois de despejares dois quilos de máscara hidratante, que fez com que a Camila desse um duplo mortal na banheira logo a seguir.
Tinhas o cabelo miserável, mas tu achas que eu exagero na adjectivação e quando viste no chão os cinco dedos pareceu-te toda uma pata de elefante.
Rebentaste em lágrimas, agarraste as pontas molhadas entre os dedos e soluçaste, como se fosse um membro amputado e uma despedida para sempre. Não contente, disseste-me que te tinha arruinado o dia, a semana e a vida (quem sabe).
Sou mulher, minha menina, já chorei muita franja de escovinha cortada pela minha mãe, já saí do cabeleireiro com vergonha de me ver reflectida nas montras e já roguei pragas ao impulso colectivo das tintas de supermercado. Faz parte. O Pedro estava surpreendido com o nível da crise (tem dois filhos rapazes) com a grossura da lágrima e com o exagero da adjectivação, que é o melhor teste de ADN em matéria de crise:)
Foram 15 minutos de crise até que o mundo ficasse tão acetinado como a máscara que colocaste no teu cabelo, foram alguns duplos mortais na minha caixa torácica e até valeu abrir uma colheita especial de 2011 (sempre fomos boas nas boas desculpas).
O cabelo cresce loirinha e felizmente, nós também

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