NÃO, NÃO ANDO A FAZER M*A.

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Hoje publiquei uma frase na cronologia do Pedro a dizer: “Saudades tuas”.
Recebi dois telefonemas: Uma amiga que perguntava se o Pedro estava fora e outra, que com ironia sarcástica (que só a a amizade longínqua permite) comentava: – Deves andar a fazer m*a para tanta declaração de amor.
Ri-me. Não. Respondi. Ando a “fazer bonito”. Estou crescida, rematei.
Sei que nunca fui pessoa de grandes declarações públicas de amor, com excepção honrosa ao sangue do meu sangue, nas pequeninas pessoas das minhas filhas. Mas o tempo passa, sabes. Vamo-nos tornando mais senhoras da nossa vida, proprietárias orgulhosas das nossas conquistas, soberanas no que sentimos, orgulhosas por dar, vaidosas de puder estender a partilha aos que gostamos. Ao principio, revia com desconfiança as frases, tudo parecia excessivo, meloso, até falso. Mas ao primeiro “Enter”, é como o lacre numa carta ida. Sabe tão bem, que chega a virar vício. Não me interessa quem diz que não ha pachorra para isso. O que já não tenho mais mesmo é pachorra para viver por menos. Não sei o dia de amanhã, nem me angustia que as palavras lançadas hoje possam perder sentido nas coisas que lho retiram. Hoje amo, hoje gosto, hoje sou e hoje sinto. E sem qualquer eminência que o passar do tempo condene o que o hoje dita, lanço-me sem filtros ao amanhã.
Não, não ando a fazer m*a. Repito.
A mesma com quem já feri, quem um dia esteve uns passos largos de confiança à minha frente.
E não me venham com histórias. Nada é mais falso que acreditar que a verdadeira juventude da vida esteja na rebeldia dos erros.
E se assim for, que venham daí todas as rugas da verdade. Porque hoje, tudo o que me parece excessivo é o que guardo sentido sem o dizer. “Saudades tuas”.

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