Não fotografo casamentos

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Não o faço por qualquer antipatia ou trauma com a cerimónia:). Não o faço, porque quem me conhece bem sabe que sou fã de pessoas e que as sessões são para mim um momento privilegiado de conversa e partilha. Não o faço, porque gosto demasiado de celebrar a vida para ser apenas espectadora. Os casamentos têm um protocolo definido, uma indumentária própria, um ritmo programado, nem toda a gente se conhece e nem toda a gente se quer conhecer. A relação quantitativa é demasiado desproporcional, sinto-me perdida e intimidada. Entre o tem que ser, o deve ser, e o gostava que fosse, perco-me…stresso com os planos que me fogem, com os beijos que não vejo, com os grupos que se amontoam à minha frente, esqueço-me das relações de parentesco, fico com fome, de pessoas, de interacção, do palco onde me reconheço como sou, relacionando-me, dando e recebendo para recolher no intervalo das gargalhadas aquele clique que eu sei que é o meu. Gosto da grandeza dos pequenos grupos, da intimidade que se estabelece quando nos conseguimos ouvir uns aos outros, gosto de provocar momentos, potenciar desbloqueios, fazer das sessões uma extensão da minha casa e no fim, regressar, com a sensação que saí para tomar café com amigos com uma máquina na mão. Essa é a minha praia e as pessoas são o meu sol.
Amem como se não houvesse amanhã, comprometam-se sem medo, falem como quem não quer calar, entreguem-se sem hesitações a quem vos quer receber, abracem as vossas decisões, dêem corda aos vossos sentimentos. Estarei aqui, sempre, pronta para congelar em fotografias esse caminho feito de dúvidas e certezas, lágrimas contidas e sorrisos largos.
E depois se quiserem, convidem-me para celebrar com vocês o momento, só não me peçam para fotografar o vosso casamento…vejo-me melhor a brindar ao vosso lado!

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