Não costumo andar com elas à vez

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Embora Lisboa estivesse cheia de luzes e de charme. Embora eu sentisse umas saudades gigantes das minhas ruelas de Alfama, perfumadas a sardinha, decidimos que o melhor programa para este fim de semana passado era rumar ao Monte no Alentejo.

Curtir o último fim de semana da saudade, antes de eu partir novamente em viagem daqui a umas horas.
Atende-se, que a palavra Viagem, embora associada à palavra Saudade, não se oferece a qualquer tipo de sacrifício. Porque a seguir ao amor que tenho aos meus, tenho uma paixão assolapada pelo mundo. Lá fomos nós rumo ao Alentejo, coxos de uma loira, que a Caetana já tem asas maiores e a festa de uma amiga, foi a desculpa necessária para pernoitar em Lisboa.
Não costumo andar com elas à vez, mas sabe bem curtir um filho de forma isolada, vê-lo revelar-se longe da influência dos irmãos, dos tentáculos do “quero ser” e “devo parecer” e “tenho que crescer”. Percebe-se muito de um filho quando o consumimos inteiro, sem divisão de qualquer espécie, quando o deixamos ser maestro do seu próprio ritmo. Assim, percebi-te mais dócil e mais crescida. Continuas a ser o meu Tom Sawyer, a menina dos caracóis despenteados, que não suporta andar com os pés calçados. Continuas a comer com o garfo e a faca trocados, e a deixar mais grão de arroz à tua volta do que aqueles que te foram servidos no prato.
Estás muito mais dependente, nota-se que as saudades do pai te colaram à mãe.
Mas não me importo. Às vezes pisas-me com muito força a tentar fundir-te comigo, mas o meu pescoço entrelaçado nessas mãos gorduchas é uma reserva de tinto:).
Adoro essa tua voz rouca e a gargalhada fácil, da piada, ainda mais fácil.
Finalmente começas a ler com jeito. Pode ser que um dia quando fores grande, sem mãos papudas e com a voz grossa, me entrelaces novamente o pescoço e soletres ao jeito doce de piada sincera: – Gos-to-de-ti-mãe.
Quanto a mim, vou te amando.

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