Mercado dos Lavradores

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De todos os spots onde estive hoje, sem atirar o meu coração às paisagens, às escarpas, levadas, vales e mares do Norte da Ilha, sem retirar o sabor fabuloso das ponchas da Serra de água, os filetes de São Vicente, o Pôr do sol no Paúl do Mar e a Casa das Mudas (onde prometo voltar para um shooting, que local maravilhoso), o que curti mesmo foi o Mercado dos Lavradores.
Já não cheguei à melhor hora da faina, porque a ternura das ponchas de maracujá da noite anterior levedou-me o sono:) Mas deu para sentir os cheiros da fruta em pirâmide, provar as anonas, os diferentes tipos de maracujá (uma das minhas frutas preferidas) deu para sentir a textura dos frutos que não encontramos em Lisboa e, acima de qualquer fruto ou frescura, a simpatia avassaladora das pessoas, que se dispunham às provas, às frutas, às fotos e aos esclarecimentos. Para quem adora viajar, seja para que local do mundo for, os mercados serão sempre os epicentros de vida por excelência, a confluência de cores, de interesses, as melhores salas de jogo limpo de uma cidade. Podia passar horas num mercado, só na conversa solta, tocando as pessoas ao compasso do toque da fruta, clicando sobre os contrastes, perdendo-me nos cheiros.
E mesmo a zona do peixe, onde entrava pequenina de nariz franzido pelas mãos do meu avó, é o palco mais perfeito de um mercado. Entre o branco picado do gelo, os espadas alinhados como pasta fresca nas bancadas, os cutelos afiados nas mãos curtidas dos homens do mar, as balanças gigantes de ferro, as escamas brilhantes dos peixes, a marcar de prateado o ladrilho dos caminhos e os sorrisos francos de quem vende, o melhor que o mar nos dá, dão me tudo:)

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