Linguagem não verbal

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Não sei porque é que me lembrei disto hoje de manhã. Quando estava em São Tomé a visitar uma aldeia, conheci esta rapariga de seu nome Ana. A Ana era surda estava bastante agitada e tentava explicar-me que tinha tido um conflito com um rapaz da aldeia. Apontava para ele e fazia aquele gesto acelerado, de bico de papagaio falador, com as duas mãos. Descontente com a minha expressão de ignorância, adivinhando que não percebia, puxou-me à parte. Afastou-me do grupo de aldeãos que nos cercava. Pediu distância, apontou para a minha máquina para que registasse o momento, apontou para o rapaz ao longe, sentou-se à porta de uma pequena capela de madeira improvisada, e pegou em duas pedras redondas. Fechou a expressão facial, e ficou quieta como a sua voz, até ao primeiro disparo da máquina.
Depois sorriu, ergue-se com as pedras na mão, passou para as minhas e juntas deitamo-las ao chão.
Falamos demais, enviamos mensagens e ícones em excesso, e às vezes no turbilhão de ser pessoa, esquecemo-nos do poder imenso da linguagem não verbal.
E por isso hoje, troquei o tradicional entusiasmo do Bom dia, por abraços apertados! Bom dia!

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