"Já ninguém quer casar"

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Olho para esta fotografia e rio-me.
Gosto de flores, sempre gostei de flores.
Sei por experiência, que o bouquet se pode tornar um apêndice suado nas mãos da noiva, mas admiro-lhe o acréscimo de beleza que traz à composição de tudo.
Um ramo de flores diz muito de quem o carrega. Mas a história deste bouquet é singular.
Só a história do bouquet, porque a noiva que o carrega, está de barriga virada ao sol, numa dessas ilhas invejosas que polvilham o pacífico, de mãos dadas com o amor. (Ao que me consta no Instagram.)
Passo a explicar: Todos os casamentos, mesmo os mais modernos têm momentos. Um deles é o arremessar do bouquet da noiva às mulheres solteiras da sala (ou em condição de namoro prolongado sem desfecho formal:).
É engraçado o momento, porque permite identificar o número de mulheres solteiras da sala e agrega-las em torno de um só propósito. Claro, que para qualquer “Maria Capaz” que se preze, o anseio feminino e desesperado por um “pede-me” não é motivo de orgulho, menos ainda de momento, menos ainda de protocolo. Mas não nos detenhamos nessas considerações (a considerar).
A verdade é que o mulherio alinha em gargalhada na cena, como eu já alinhei, nos tempos curtos, em que fui rapariga solteira.
A noiva dança, rodopia, simula, ri-se, provoca e lança.
As mulheres solteiras batem palmas, mas quando o olhar sobe acompanhando o disparo do ramo, baixam os braços.
O ramo rodopia sozinho, os olhares dos convidados acompanham a dança das flores, e o ramo cai.
Soltam-se as pétalas e as gargalhadas. Os olhares cruzam-se, interrogam-se. A noiva alça as mãos em beicinho sobre as ancas.
“Já ninguém quer casar”, diz-se pela sala.
A noiva apanha o ramo atordoado, pede ao DJ que prossiga e encosta a promessa ao lado, com o suspiro consentido das mulheres da sala. “Siga”, pensam em uníssono.
E a valsa prossegue, sobre um chão caiado a pétalas e um acordão em rodopio.

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