EU QUERIA...

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Fazia lá ideia do tipo de mãe que ia ser.
Nunca pensei muito como é que iria educar uma criança.
Talvez tenha ajudado à equação, ter sido ainda muito criança quando resolvi ter uma.
E para falar na mais pura das verdades, não me lembro de ter lido um livro só que fosse sobre a matéria, com medo de me ter que virar ao contrário e ficar com a etiqueta de fora.
Para elas, tinha sonhos iguais aos que se efabula quando colocamos o olhar sobre um terreno imaginário onde vamos edificar uma casa.
Queria que fossem soltas como o vento quente, que não tivessem medo das pessoas, que aprendessem que a vida é um diálogo fabuloso que se constrói entre os sonhos e a realidade, queria que ousassem muito, como se em cada fim houvesse um começo de alguma coisa nova. Queria muito que se sujassem, que experimentassem os arrepios de andar descalças sobre o cru da vida, queria que vivessem mais do meu sol, que do consolo da minha sombra, queria que se invadissem sem pedir permissão, que utilizassem o corpo como a materialização imperfeita das suas metas, queria que amassem e perdoassem, com a espontaneidade com que respiram, que curtissem as diferenças que o mundo lhes oferece, sem nunca desconfiar das cores que ainda não conhecem, queria que se sentissem senhoras de si, antes de querem ser donas de outra coisa qualquer.
E queria que percebessem a sorte que têm de ter ao lado quem sonha tudo isto para elas.
E sim, queria que fossem filhas da mãe, na gargalhada, na força com que defendem os sonhos, na garra com que lutam pelo que lhes escapa e na forma como defendem os que ama.
E queria que à noite dormissem sempre tranquilas e que a respiração apenas lhes lembrasse, que tudo o que ainda não foi hoje, pode vir a ser amanhã.
Assim como eu faço quando adormeço, com tudo o que ainda sonho para elas.

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