Duas folhas soltas

Óbvio que não é estranho que as fotografias corram bem entre nós. Não apenas porque sou fotografa e porque a Marta também o é. E porque somos amigas, grandes amigas. E porque somos praticantes activas da Metáfora. E porque adoramos livros e gomas. São quase 20 anos que nos separam e parece que somos gémeas, embora eu às vezes sinta por ti, aquela ternura de mãe que acolhe e o olhar protector da mana mais velha. Não é a idade que nos separa, nem aqueles centímetros que tens a mais que eu. Aliás, quase tudo nos impele uma para a outra. Como se o destino fosse uma gigante força centrífuga e nós fossemos duas folhas soltas da mesmo árvore mãe. Quando dizem que estávamos destinadas, rio-me. Gosto de me sentir em controle do destino. Mas a verdade intrínseca da vida é que controlamos muito pouco. E se tu és parte desse descontrole…então um grande bem haja a essa parte descontrolada da vida, que nos eleva a maré alta dos sonhos e nos faz acreditar, num mundo cheio de barreiras, que nada é verdadeiramente impossível. Não desconfiem nunca do amor. Do amor não. Nem das folhas soltas, nem da força centrifuga que faz com que duas folhas rodopiem, como se fossem fruto de uma mesma mãe.

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