De férias eu não estou

IMG_0133Lá vou eu….Eu, que acabei de dar uma perninha a Lisboa para meter as mãos na massa do trabalho. Eu, que entrei de férias domingo, depois de ter trabalhado dois fins de semana seguidos. Eu, que tive um mês a carimbar passaporte e ninguém tem grande condescendência, porque eu também não tenho, por toda a gente que carimba muito. Eu, que lambi o chão com as provas do 4º ano da Caetana e a leitura insípida e gaguejante da Camila.
Eu, que me vi Grega (nunca fez tanto sentido a aplicação deste termo) para organizar os ATL`s de Verão, com o pai a milhas e as minhas milhas por fazer. Eu, que ainda mal aterrei do jet lag, do dedo que parti na Tailândia, do passivo, da otite e das saudades de tudo e de mim, e de mim, e de mim.
Recém chegada, ainda coxa de tudo, parti para esse cognome de férias, com as minhas duas filhas e os dois filhos do Pedro.
Em dois dias, já tentei a teletransportação para as Maldivas, tentei a alienação no fundo de um copo de tinto, tentei esconder-me atrás de um tremoço, tentei fingir, enquanto dormia, que os gritos das crianças eram bandos de meninos thaitianos a acelerar passo na beira mar. Mas quando me vi de novo a descamar o peixe, a pendurar o fato de banho encharcado, a escorregar no piso molhado dos pézinhos pequenos….chorei? Não.
Gritei? Quase. Suspirei. É mais romântico e menos agressivo para as crianças.
A malta dá sempre a volta: cozinha todas as vezes que eles comem, dobra todas as vezes que eles mandam para o chão, apanha sempre, classifica mergulhos com a autoridade de um professor de natação, enche copos como um barman em casamento, estende toalhas várias e domina todos os maus feitios. Mas quando me perguntarem onde estou, vou ter a honestidade de quem nutre um profundo amor próprio e às palavras:
-Estou por aqui direi.
De férias eu não estou.

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