Celebração da vaidade

IMG_0029_4043 Todas as sessões contam uma história. E se me retirassem a possibilidade de conversar com as pessoas acho que deixava de fotografar. Perder a oportunidade de beber das experiências dos outros é a minha Kidzania. Gosto de perceber o que é que as move, o que é que as faz levantar de manhã, gosto de saber o que fazem, o que é que adoravam fazer, se vivem apaixonadas, se acreditam no amor, se tem a família com que sonharam… não sou intrusiva mas acho que por ser uma devoradora de livros, é demasiado tentador para mim, ceder à construção de uma personagem e dar-lhe um enredo. E mesmo com pouca informação, tenho a que baste, para uma teia de considerandos que me enchem a cabeça de ideias e os meus cadernos de cabeceira cheios de rascunhos.
Por isso, é fácil adivinhar que quando uma cliente quer marcar um momento particular da sua vida com uma sessão, fique deliciada com a oportunidade de ser “a” testemunha desse momento. Às vezes as pessoas justificam-se, é um vício tramado dos tempos, e uma ambição pessoal que tenho de um dia ver, verdadeiramente concretizada, a democratização da consciência.
Há tanta legitimidade na celebração da vaidade, que vem com o orgulho próprio de nos sentirmos muita bem num determinado momento, como na coragem de querer umas boas chapas depois de vir acima das cinzas de um divórcio. Não há nada de superficial em sentir-mo-nos bem connosco próprios e nada de errado na tentativa de o sermos.
Às vezes sentir, é mesmo o único sentido que devemos dar às coisas. E se amadurecer significa edificar uma tese de mestrado por cada decisão de vida então acho que prefiro mingar a crescer.

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