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És uma mulher do Caraças!

post revista

Às vezes nem sei por onde começar.
E depois há sempre um engraçadinho que nos diz: “Pelo princípio”. Mas tenho tantos princípios em mim, que o melhor mesmo é começar.
No passado dia 7, a Cristina Ferreira, apresentou publicamente um novo projecto.
Estava a milhas de saber o que era.
Tinha a certeza que ia ser Grande, mas ainda estava a apanhar as passas da passagem de ano e a tentar colocar, sem pressas, as rodas deste comboio, sobre os carris apressados da vida, para me perder em grandes congeminações.
Descobri nesse dia, que ias lançar uma revista mensal e que eu era parte integrante desse projecto. Descobri-o nas minhas mãos, com um exemplar que me foi dado e que dizia na primeira página:
“Esta é a tua página. Começa a trabalhar.”
E sei que para além da fotografia, fui convidada a ter uma coluna minha. E também sei que a revista sai para a rua em Março.
E isto é para ti: Muito Obrigado! Não seria justo, se te dissesse que não sei o que fiz para merecer, mas será ainda mais honesto se te disser que o continuarei a fazer.
E pouco me interessa o que dizem. Tanto como me interessou, os que já disseram, ou os que ainda dirão. A verdade mais crua é que tens a habilidade de fazer acontecer, a sensibilidade de te rodeares de pessoas apaixonadas pelo que fazem, a resiliência para levares adiante e a capacidade de te reinventares constantemente. És uma mulher do Caraças! E essas, eu também sei que as vou querer sempre perto de mim.

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Propósito: Escrever.

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Eis-me.
Alentejo, dia 09 de Dezembro de 2014. 17:58.
3 amigas. 3 livros. 3 copos de vinho.
1 Monte, uma lareira e uma garrafa magnum Terra D´Alter.
Propósito: Escrever.
Até agora:
2 horas e 40 de caminho.
2 horas e 40 de conversa.
1 hora e meia de almoço no Cercal.
30 minutos no Litoral (supermercado)
10 minutos a recolher lenha.
15 minutos à procura dos fósforos.
45 minutos gastos a acender a lareira.
10 minutos a tirar o fumo da casa.
20 minutos na acomodação.
1 hora nas redes sociais.
30 minutos a lanchar.
Conquistas:
Entrecosto, linguiças, broa, queijo de cabra.
Actualização do estado no facebook.
Post no instagram e lareira acesa.
Propósito: Escrever.

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Houve um tempo

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Houve um tempo em que a minha janela se abria para um labirinto de portas. Em que a vida era toda buffet e eu era toda recreio.
Houve um tempo, em que o tempo era amigo e parecia demorar-se comigo no não ser nada. Nesse tempo, em que o tempo era esquecido de si mesmo, eu era feliz.
Nada era, nada se impunha.
Sem ambição de coisa alguma. Sentava-mo-nos eu e o tempo e o labirinto de portas à nossa frente.
Houve um tempo, em que o olhar demorado sobre a janela não pedia mais nada. Nada mais, que o olhar demorado sobre a janela. Nesse tempo eu existia, respirava, inalava e sentia, sem grande responsabilidade sobre cada uma delas.
E sem pressão de coisa alguma, sem a ambição de ser alguma coisa, eu tinha a estranha impressão de estar sendo, essa janela aberta para um labirinto de portas.

Boa semana* (acho que se nota, que estou a convalescer de um estado febril)

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As tuas melhoras, pá!

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Estou doente. Não no sentido metafórico, de quem se sente indignado pela ineficácia de um estado democrático, nem pelo uso abusivo que em Portugal se faz das expressões “temporário”, “medida”, “preventivo” ou “coação”. Estou doente.
Estou com gripe. Uma gripe tão dura, que nem o arrebitar lento da justiça me desentope. Tusso com frequência, mas nem por isso me consigo libertar dos vírus da descrença, de que tudo o que se vê, é pouco para o que por cá se faz. Dói-me o corpo. Sinto-o corrompido pela vontade de se prostrar no sofá.
Quero branquear as minhas dores.
Sinto-me responsável. Sistémica. Tenho os ouvidos tão entupidos. Só queria puder libertar o meu capital de dor, e pô-lo a render lá fora, numa off shore. Longe do meu corpo, longe de mim.
Sinto o pescoço pesado, como se tivesse estado 72 horas num interrogatório sem puder usar os cotovelos. Tenho fome. Mas não consigo fazer pausas legais para comer. Só queria sair daqui para o sudoeste asiático num avião descaracterizado, a uma hora qualquer. Podia fazer disto segredo. Fingir que estou bem. Mas disseram-me que “xiuuuuu” é uma metáfora sibilina que se usa, antes de se contar. As tuas melhoras, pá!

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Lets go girls

Idosa atrevida
Não me posso queixar, porque a custódia partilhada das loiras, permite-me galhofar 15 dias por mês. Não posso reclamar, porque desde que sou gente grande, que viajo com amigas e amigos por períodos consecutivos de duas semanas, pelo menos uma vez por ano. Não posso resmungar porque tenho a sorte de ter uma profissão sem horários e posso beber vinho no meu local de trabalho. Não me posso irritar com a chuva porque ela é um pressuposto estável de Novembro. E não posso barafustar com a vida porque conquistei a pulso a propriedade do meu tempo.
E porque estou privada de uma boa dose de reclamações, fruto do caminho que escolhi, só posso dizer, que hoje vou curtir com as minhas amigas, falar mansinho das pessoas que adoramos e lançar desafios ao Globo, de agenda aberta sobre a mesa e copo para brindes avulsos nas nossas mãos. Táxi a caminho.
Bora lá:)

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Feliz entre caixotes

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“Caixote” é a palavra contemporânea que melhor me define no momento. Basicamente, e na semana passada, em que estive sem as loiras, não vi senão volumes, restos, roupas, dossiers, cabides, móveis, fotografias, quadros, molduras, panelas, livros, jarros, lâmpadas, caixas de ferramentas, sacos de lixo e caixotes.
Foram mais de 100 caixas, sem contar com os monos e volumes, que transitaram de Alfama para a nova morada, numa mudança que teve início de madrugada e terminou às duas da manhã.
Os dias seguintes, não foram nada românticos. O contra relógio da chegada das loiras, a pressão do trabalho à perna, a vontade de devolver um intelecto a um corpo funcional, os objectos do dia-a dia sumidos entre o papelão, os dísticos, contratos, a papelada da nova morada, o reconhecimento da zona, o sono curto, o parquímetro da Emel, os novos caminhos, o percurso até ao lixo, a descoberta do melhor café, onde é que encontro uma boa padaria?, onde é que consigo fazer a depilação, as unhas (baratinho), comprar fruta a preços de fruta, a inversão de marcha sem GPS, a procura das pessoas simpáticas, um sentido de bairro, a saudade do Tejo e a minha janela.
Tem sido intenso. Muito intenso.
As loiras aterraram no entretanto, pasmaram, vibraram, vasculharam, e já se sentem tão em casa, que o bairro de onde vieram, não passa de uma tela longínqua de memórias repetidas na saudade da mãe.
Agora é tempo de fazer ninho aqui. Arregaçar as mangas e regressar ao trabalho, à escrita, às minhas fotos, às minhas filhas e a mim. Esta semana ainda não vi caixote, ainda não parei, nem para me arrumar a mim mesma. Mas sinto-me tão viva, que apesar do cansaço evidente, e de tudo o que ainda há para fazer, acordo para a vida, toda contente que ela seja minha.
Foi por isso, que disse logo que sim ao convite do IKEA, e passei um dia com plafond ilimitado, a fazer shopping. E lá andei eu, feliz entre caixotes, como se tivesse o tempo e o mundo para decorar uma casa.
Amanhã é o dia da decoração final. Dar ao espaço aquele gostinho filha da mãe, e fazer em Loures, aquilo que devia estar a fazer na casa onde vivo. E o melhor, é que há neste empenho ao projecto do IKEA um certo sentido demissionário das minhas coisas, que me seduz.
Só porque uma das coisas boas da vida, é toda a ironia que ela tem.

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Momentos do caraças

003IKEA _ Ambiente 17 _ Isabel Saldanha

Ironia das ironias. Mas das boas.
Foi ter sido convidada pelo IKEA para decorar um ambiente de loja para este Natal, quando estou a braços com uma mudança de casa e respectiva decoração. O melhor disto tudo, é que fico já com uma ideia do que vou fazer para o Natal, e aproveito, e faço uma selecção das fotos que quero imprimir e emoldurar. Assim, resolvo já um assunto que iria ser concluído lá para meados de 2016, quando o último caixote descobrisse uma nova morada.
O único senão, é o tempo que gasto a lamber as fotos que vou imprimir, e a escolha do tamanho das fotografias, porque me apetece ter tudo em grande!
Que momentos do caraças! (substituto feliz da palavra saudade:)

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Ainda há muito Mundo

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Não preciso de consultar o Atlas, nem de rodar o globo, para saber que ainda há muito Mundo onde quero “botar pé”.
E ainda que isso seja uma verdade absoluta, cada vez que consigo conciliar, o luxo da Liberdade, do tempo e de dinheiro para viajar, também é verdade, que há destinos que nos marcam como uma segunda morada. E São Tomé e Principe foi e é um deles.
Ainda hoje no carro, as loirinhas perguntavam-me quando é que lá podíamos voltar. Quando é que regressavam para brincar na praia onde os amigos moravam. Babo com elas, nas recordações de uma viagem, que nos marcou de uma forma tão profunda e positiva, que tenho a certeza absoluta que o regresso está perto.
E hoje tive um sinal disso mesmo…

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The balance of the opposites

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Sem qualquer correspondência a um cargo diplomático, sou Embaixadora da RVCA. Uma marca que a malta mais ligada ao surf e ao skate conhece bem. E que para além dos caps, das sweatshirts largueironas, dos casacos de capuz, das mochilas, das camisas de corte largo (tudo peças, que uso quase todos os dias) tem um lema de fundo, que tem tudo a ver, com a forma como vivo “The balance of the opposites”.
Coincidentemente sou balança, mas nem por isso, vivo com menos dificuldade, as dicotomias do meu carácter, os extremos em que opero, os cenários onde circulo, as qualidades variáveis das pessoas que gravitam à minha volta, os meus sonhos oscilantes, e o “nem sempre” doce balanço das minhas filhas da mãe.
Foi só assim, e só por isso, que na assunção da vulnerabilidade do meu carácter, nos assaltos constantes das minhas ambições, na concertação entre uma noite a jogar Playstation e uma caminhada à beira mar, acedi representar a marca.
Viver para mim, é mesmo uma viagem aos extremos de nós mesmos, a procura mitológica de um equilíbrio, que só existe enquanto se Procura. Não há mal nenhum em ser máquina em construção. Assumir com franqueza, a fraqueza do que ainda somos, enquanto tentamos ser, é um passo à frente, uma manobra arriscada, a onda imperfeita, que nos leva além.
E é por isso que sempre que me perguntam qual é o meu signo, eu respondo: – Balança! Balança, balança mas não cai:)

https://www.rvca.com/b/capsule
Skate Park Expo com Ruben Gamito — com Ruben Gamito.

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Sede de loucuras

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Há dias tive uma reunião importante, e uma das questões que me colocaram foi “Qual era o meu compromisso de valores”? Não me lembro exactamente do que respondi, mas falei verdade.
Quem mente não faz caminho. Devo ter ficado vaidosa com algumas analogias que utilizei na resposta (quando se gosta de palavras, abusa-se das metáforas) e quando cheguei a casa redigi a minha resposta, não para repetir discurso, mas para não esquecer:

“Energia e alegria de vida, muita! Entusiasmo por aventuras, sede de loucuras, viagens e paixões. Paixão por quem sou, paixão pelo que faço. Residente num universo onde a boémia e a disciplina fazem as pazes ao final do dia. Onde uma mulher que é mãe, é primeiro uma mulher. Em que as crianças são educadas sem peneiras, num ambiente de inquietude, curiosidade e pensamento inclusivo.
Onde os adultos não são estátuas de referências, mas seres orgânicos, que inspiram até nas suas fragilidades.
Onde não há certezas e isso não é uma angústia.
Que vive numa casa, onde o maior repositório de energia está na atitude franca com que se agarra a vida.
Onde as rotinas incluem o fast food e o fast forward.
Onde o exercício físico também contempla tocar às campainhas e fugir.
Onde se come mais gomas que goma.
Onde a celebração da vida, dita, que às vezes temos que sair à pressa sem nos pentear. E que quando o calor chega, os pés vivem descalços sem o assombro do sujo e do perigo. E quando o frio aperta não se poupa nos abraços.
Onde se priorizam os sorrisos e as gargalhadas, mas não se escondem as lágrimas.
E os finais são sempre felizes, mesmo quando se perde.”

IS

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