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Já lá vão 4 anos

Que o tempo passa, passa. Que passe é bem!
Há 4 anos atrás no convento de Mafra conheci a Cristina. Tinha o mesmo sorriso que tem hoje e a mesma energia contagiante, que lhe reconhecem. É alta, pensei. Mas o que mais me impressionou foi o tamanho do seu sorriso, tão grande como a sua simplicidade, mesmo do alto dos seus louboutins. Não estava nervosa porque pouco conhecia da Cristina, e nessa altura, não fazia ideia que o shooting fazia parte de um projecto maior chamado Daily Cristina. Foi lá que conheci a minha amiga Inês (lembro-me tão bem da honestidade da nossa primeira conversa), o Tiago Froufe e a Inês Franco. Éramos iguais mas mais pequeninos. É inegável que tu empurras para à frente as pessoas que acreditas, e que acreditas mais num bom coração que num exímio profissional. Esse é talvez um dos teus maiores talentos, o de saberes escolher os teus. Mas não há casamento a solo. E a equipa fermentou e cresceu em conjunto. Foram muitos shootings de improviso, muitas megas produções, foi muita gargalhada, muita conversa boa e muito trabalho. Nunca me lembro que nos tenhamos zangado, mesmo quando “quase” nos obrigas a madrugar para correr ou para não ficar sozinha a tomar o pequeno almoço. Acho que vamos ser sempre uma equipa, como uma daquelas irmandades que não se desfaz. E o mais engraçado é que somos todos tão diferentes, de sonhos e lugares opostos, mas tudo gente de alma boa. Que se juntou voando, para te fazer voar.

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Moedinha número 1

Refiro-me muitas vezes à Caetana chamando-a da minha “moedinha número 1”. Como não é do tempo dela tive que lhe explicar que o Tio Patinhas, tio do famoso pato Donald e homem de abastada fortuna, tinha uma moeda número 1. Tinha várias, uma piscina delas, onde mergulhava sem se magoar. Mas tinha a sua moeda número 1, protegida numa redoma.
Aquela com que a sua fortuna começara. A Mariana é a tua primeira filha. E minha afilhada. E vai ter uma mana. Como a Caetana tem a Camila. (Enfim, espero que uma versão de irmã mais apaziguada). Combinamos esta sessão como quem combina um café à pressa. A Luz já era fraca, saquei da máquina, de um ISO elevado e disparei. Entre a conversa solta fui tirando estas fotografias. Ainda não as viste, eu sei. Está aqui uma amostra, um mimo desta madrinha “maluca” como dizes à tua moedinha número 1. Por estes dias vais ter a segunda moedinha e tudo o que conheces vai mudar outra vez. Não faz mal. Vai parecer complicado ao princípio mas depois fica melhor. Ter uma casa cheia com aqueles que gostamos é de longe a melhor decoração. Como provavelmente vais ter pouco tempo daqui para a frente, antecipo-me e levo já umas três destas fotos emolduradas, quando for conhecer a nova cria. Ainda não sei se já decidiram o nome, mas eu já decidi que vou gostar tanto dela como da minha Mariana.

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( mais, pelas) AMIGAS

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Sempre adorei estas sessões de amigas. Lembram-me das coisas que ainda quero fazer com as minhas.
Lembram-me da urgência do tempo. Dos milhares de fins de semana combinados em noites de conversa boa. Lembro-me inevitavelmente das histórias que ficaram por acabar.
Da forma como crescemos rápido. A Maioria emparelhadas e já com filhos. E como agora tentamos encaixá-los nos nossos serões.
Devíamos dar sempre tempo a este tempo nosso. Porque a gargalhada da amizade enrijece-nos, torna-nos mais imunes, mais capazes.
Porque o tempo passará sempre. E será sempre melhor neste passar acompanhado.

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Sessão Nadia & Família

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Querida Nadia,

Percebi bem as tuas saudades de Portugal. Acho que percebi que gostavas que eles tivessem o mesmo orgulho que tu tens, das tuas raízes.
E adorei que tivéssemos conversado sobre isso. Sobre a Saudade franca. Não é fácil estar longe da nossa primeira morada. Seja em França, na Suíça, em Londres ou na África do sul.
E sei bem, que tudo o que se recria lá fora, não se cria com a mesma expressão com que é cozinhado cá dentro. Também tenho o pai das loiras emigrado e não há dia que passe que não pense que o mundo é injusto, quando afasta famílias, quando nos obriga a ir semear lá fora, sabendo que o tempo não se recupera nos regressos curtos.
Mas os nossos filhos são cidadãos de um mundo maior, que alargamos para eles, para que lá coubesse todo o amor, todos os sonhos e as nossas ambições. Tenho a certeza que vão amar Portugal como se cá tivessem vivido e que vão regressar um dia, fortes, sãos e inteiros para ajudar a fazer deste sonho, que o emigrante leva longe, de levar o nosso País ainda mais além. Obrigado pelos chocolates. Bem melhores os que se fazem por aí.
E venham nos visitar sempre:)

Beijinhos portugueses,
Isabel S

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Gostei dele como gostei de pouca gente.

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Não gosto de ser repetitiva, mas a verdade é que não tive grande sorte na família que me calhou. Pelo menos, na que não dependeu directamente de mim para a sua constituição. E se calhar (repetindo o verbo) não há forma bonita de se dizer isto: Mas com excepção de alguns parentes, quase tudo não rezará na história, pelo menos, não na minha. Mas há um homem que me marcou profundamente, que lançou as raízes da sua alma dentro da minha e que fez toda a diferença na construção positiva da pessoa que hoje sou: O meu avô.
Gostei dele como gostei de pouca gente. No meio do caos, ele ensinou-me a estruturar as dúvidas, a orgulhar-me das incertezas, a não ter medo de chorar e a fazer cerimónia com a tristeza. Ensinou-me a hierarquizar as dores e a arruma-las sem medo de as tratar por tu. O meu avô era uma pessoa simples, sem a graça das frases feitas, que não fossem feitas apenas por si. O que ele me ensinou, sem me querer ensinar, revela-se em todas as madrugadas do meu dia e em todas as noites que parecem não acabar. Quando a Inês me desafiou para esta sessão, não podia ter ficado mais feliz. Uma neta e uma avó, só pode ser uma narrativa feliz. A sessão aconteceu em Campo de Ourique, no bairro onde a avó trabalhou e viveu grande parte da sua vida. Percorremos a pé as ruas, desde a Igreja do Santo Condestável até ao Jardim da parada. Detivemos-nos nos cruzamentos para abraços e histórias. A Inês pedia a avó que não chorasse a recordar, mas a avó já não tem vergonha das lágrimas que escorrem quando o coração sente. A Inês reconhece na sua avó um pilar, uma mulher de força, uma referência. E como é uma miúda cheia de inteligência e coração, sabe que as pessoas boas da nossa vida se gozam em presença, para fazer durar ainda mais, na nossa memória. A Inês não é daquelas netas que só vê os avós em noites de consoada e dias de celebração. A Inês procura diariamente a avó, e não é apenas no consolo da voz num telefonema distante, é na mãos sobre as suas mãos. Enquanto fotografávamos a Inês revivia as histórias da avó, como quem sabe uma música de cor. A minha assistente estava tão comovida que se virava para limpar as lágrimas. Foi talvez das sessões mais ternurentas que fotografei, e se não tirei 1000 fotografias, foi porque gastei mais de 1000 segundos, para sorver em palavras boas, o que só as imagens mais felizes conseguem traduzir.

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Progressos engarrafados

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Não cheguei a tempo de apanhar o granizo na janela. Estava entretida com trabalho. E como adoro o som do trovejar, embrenhava-me ainda vez mais no que estava a fazer, como se cada relâmpago fosse o dedo tirano de um pai mandão e eu fosse apenas a filha obediente. Assim, enquanto a paisagem posava para os telefones da vida, eu escrevia e editava. Quando virava a cabeça para a janela era só para pedir que a chuva se encostasse à noite, que a tempestade durasse até ser horas de abrir o vinho, que o granizo fosse a outra banda sonora do filme que ia ver. E ainda que não tivesse visto o granizo, senti cada pedrinha que embateu na janela, como a pulsação da alma, que procura na tempestade o desequilíbrio perfeito para se fazer vingar. Depois fui à rua, sentir o ar frio e resgatar os ilíquidos da tempestade. Hoje é dia de pensar a fundo no meu vinho. O vinho #filhasdamãe que se fez com os acabamentos de granizo e uva. E ainda que estas imagens, nada tenham a ver, têm tudo. Porque a vida irrompe como uma tempestade a atalhar o sol. E estas imagens têm imenso sol, a mesma pose da tempestade e o mesmo clique do relâmpago e do trovão.
Não cheguei a tempo de apanhar o granizo, mas abri a janela à melhor das tempestades, a que cria.
E amanhã dou notícias dos progressos “engarrafados” da minha trovoada, sob a forma singela de uma garrafa de vinho.

*Shooting Mafalda Castro for NUDE

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É aqui que eu estou

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“Por momentos pensou esquivar-se por entre a transparência da água. Susteve a respiração e mergulhou inteira no quente da banheira. Debaixo de água olhou para cima, empurrou as gotas pesadas com a grossura das suas pestanas e viu tudo igual, tudo turvo, como via à superfície.” IS

É aqui que eu estou nas Casas do Côro em Marialva. Já aqui estive há oito anos quando a Camila ainda não era projecto e a Caetana tinha dois anos. Tenho boas recordações mas não foi delas que vim à procura. Vim ao encontro de mim. E é aqui que estou a escrever à boca da lareira grande, com o tinto sobre a mesa e os dedos em riste sobre o teclado. Claro que já me encheram com uma posta mirandesa, uma sopa de cebola gratinada com presunto, uma entrada de queijo da serra derretido com doce de pimento, uma salada de folhada de bacalhau e coentros e um bolo de chocolate quente com gelado de nata. Tenho uma poltrona de veludo a galar-me a digestão. Mas vou fingir que não sei quem é e prosseguir. A escrita dá me pica, o sono só me alimenta a esperança de um novo amanhã. Até já:)

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Oficialmente de fim de semana

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Entramos oficialmente de fim de semana.
Amanhã de manhã ainda fotografo, depois, aeroporto para buscar o pai e aula de cross-fit à tarde com a mana, só para ver como é dar no duro com os duros.
No domingo arranco a seguir ao almoço para as Casas do Côro, lá para os lados da Marialva, para escrever (com o Côro dorido, vem bem a calhar).
Vou sozinha.
O moreno fica bem e a saudade é fermento na relação.
Vou só eu, o meu portátil, os meus livros e o meu cabelo novo…ainda não partilhei aqui mas virei morena à séria:)
Preciso de estar uns dias sozinha com as minhas palavras, a namorar o rascunho do meu livro e a sentir o tempo a vazar devagarinho. São 4 dias, sem limite de caracteres, mas cheia de vontade de me prostar junto de uma lareira de boca grande, a ver os dedos frenéticos a desenharem palavras.
Vou comer bem e dormir como um recém nascido de filme. Quando me apetecer. Sempre que me apetecer.
E se me apetecer mesmo, não faço nada, que é prática que não assino mas pressinto que me fazia bem.
E agora, agora mesmo, vou dar corda aos sapatos e preparar o jantarzinho das loiras, que estão com o estômago tão colado ao coração com a chegada do pai, que ficam cheias à primeira garfada! E bem a propósito de tudo, vou abrir um tinto, para comemorar a aproximação da vida aos sonhos.
Sempre super agradecida!

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Esta semana não pus os pés no ginásio

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Esta semana não pus os pés no ginásio e por ironia, acabo a semana a fotografar o Bruno Salgueiro numa box de cross Fit. Para quem não o conhece, este é o homem que faz humor com o Fitness. Com uns vídeos curtos, divertidos e teatrais. Se tivesse budget era o meu PT. Pelo menos, tenho a certeza que trabalhava a parede abdominal a rir.
http://www.runforrestrun.pt/films/20/dicas-do-salgueiro-desculpas
Não sou maníaca do desporto, nunca serei a rainha das maratonas, nem a madrugadora das aulas de cycling.
Gosto de ir ao ginásio porque para dar no “cravo” é preciso compensar na “ferradura”. Sou uma miúda de alheiras, de copos de tinto, de linguiças assadas na varanda e do cozido à quarta feira. Os meus pequenos -almoços são torradas de carcaça com doce de abóbora e só paro de comer, quando deixo de ter fome. Nunca tomei suplementos e o que levo dentro da garrafa para o ginásio é água, mesmo.
Tenho a sorte genética de ser magra, mas isso não significa que esteja amnistiada da prática de exercício. Adoro andar até sentir a falência dos joelhos e já percorri cidades inteiras a pé com mochilas de 20 kg às costas. Tenho gomas em quase todas as gavetas e quando como Carbonara cozo uns bróculos, só para as natas não morrerem sozinhas. O maior detox que já fiz foi beber água ao jantar.
Não sei….não estou, completamente, no mau caminho. Estou no meu caminho. Gosto desta elasticidade do ser e ninguém me demove de considerar que um dos maiores encantos deste Mundo é a diversidade. A mesma, que permite que as minhas maratonas incluam todo o tipo de ressacas. Hoje não fui ao ginásio, não tratei do jantar, já não tenho gomas e estou constipada que se farta. Vou coabitar o sofá com as minhas loiras e uma manta XL, aquecer uma sopa para mim, uns cereais para elas e umas pipocas de sobremesa. Vamos alugar um filme, que já vimos cem vezes e vamos aninhar-nos, que é coisa que devíamos praticar sem moderação, sem qualquer complexo calórico, até nos embebedarmos de amor mútuo.
Bom fim de semana!

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M de Miúda Maravilha

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A Ema ligou-me para uma sessão. Mas antes, foi generosa nas palavras e contou-me o propósito: “O objetivo é poder mostrar a todos, que as pessoas com alguma limitação física têm as mesmas capacidades, ou semelhantes de executarem qualquer função, desde que não lhes bloqueiem logo a priori o caminho… e não haja estigmas e preconceitos, que para quem está de fora acha que é um exagero da pessoa, mas a verdade é que não é… eu infelizmente já passei por uma ou outra, mas para relatos que oiço, mesmo assim tenho estado muito bem…” A Ema tem duas filhas, a mais velha, a Matilde nasceu prematura, ficou com lesões permanentes e com um diagnóstico de paralisia. Como todas as mães que amam incondicionalmente os filhos, a Ema luta todos os dias para avançar sobre o prognóstico mais pessimista da filha. E vence. Vence sobretudo porque ao lado de uma imensa força transbordante que o amor lhe dá, as coisas acontecem. A passos pequeninos, quase impossíveis de acreditar, a Matilde supera-se, empoleira-se e caminha. Conversámos muito, antes e depois da sessão. Inevitavelmente encolho-me perante a dimensão do desafio que a vida lhe colocou.
Nós sabemos a força que o amor tem, mas são poucos os que têm que o pôr à prova dessa forma: Sem brechas para o desânimo, sem contemplações nas rotinas, sem lágrimas públicas do medo, só força à mostra para que a filha veja no seu empenho, um aditivo poderoso ao combustível que a faz vencer-se. Não imagino, mesmo tentando muito, a luta diária que é necessária para que a normalidade se instale, quando tudo à nossa volta fica diferente. Fiz a sessão e conheci a Matilde. E a Matilde brilha.
Tem tanta energia que quando se apoia no nosso braço, sentimos os músculos a erguer juntamente com o seu sorriso gigante.
Quando estamos grávidas e nos perguntam o que desejamos para os nossos filhos, somos unânimes em responder: Saúde, tudo normal se puder ser. Não o dizemos por preguiça, dizemo-lo porque reconhecemos na diferença muita dificuldade. Porque não queremos que tenham lacunas de integração e de amor. Porque os desejamos capazes de ter uma vida autónoma, à luz das suas escolhas e das suas capacidades. Há algum tempo que não falo com a Ema, mas estou certa que a Matilde continua a vencer-se, e que a Ema se vence todos os dias.
No que depender de mim, o sorriso da Matilde erguer-se-á muito acima das suas dificuldades. E a cadeira de rodas, será apenas o suporte temporário, mais visível, de quem já nasceu preparado para rolar a fundo sobre a vida.
1 Beijinho desta vossa admiradora.
Isabel

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