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TEENS

Na senda das pré adolescentes, aqui vai uma amostra da colecção que fotografei para a Antimilk. Já vai um tempinho. Estas miúdas giras já devem votar.:)
O fim de semana também está à porta, as loiras vão para o colo do pai e eu vou para o colo do Pedro para a frente da lareira.
Os astros não podiam estar mais alinhados, mesmo com o seu “q” de acne e saudosismo.
Bom fim de semana!

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Pés para que te quero.

Se há sessões fotográficas difíceis para mim, são as sessões fotográficas de sapatos. A descentralização do rosto para as pernas interfere logo com o meu ângulo habitual de visão e de autor. E acreditem que eu não sou daquelas pessoas esquisitas, tipo a minha irmã mais velha, que não gosta de pés. Eu adoro. Adoro tudo nos pés. Além de susterem o corpo, há poucas sensações, tão elevatórias para mim, como uma foot massage. Estranhamente, não gosto de andar descalça em casa, mas adoro andar descalça na rua, então sob o alcatrão aquecido é do melhor que há. Para facilitar a minha integração no bairro novo onde moro ando sempre calçada:) Reservo a palma preta do pé para as aventuras do gang. Enquanto fotógrafa, franzo o meu nariz às sessões em que os pés ganham aos rostos e as pernas suplantam os braços. E mesmo quando gosto do resultado final (esta colecção é do ano passado) há sempre um trabalho gigante e detalhado de pós produção, que passa por acetinar a pele das modelos e tornar tudo brilhante e bonito. Já trabalho com a equipa desta marca há uns anos o que facilita em tudo. Eles já sabem que fico sempre resmungona nas sessões, em que não entro a pés juntos, e que até ver a primeira foto a sair do forno, sou mais desconfiada que Ganso de quinta. Depois no final o resultado é sempre superado, mesmo que continue a resmungar que não volto a fazer aquilo outra vez. Já uma foot massage…era tão bem vinda…

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MIX & MATCH

Vamos lá mostrar trabalho do bom. Com pessoas do bem, com marcas das boas.
E o vermelho é cor que gosto. Deixo as tendências para a minha grande amiga Elsa que domina a arte. Deixo o styling para a Cátia que se entregou a desfilar pelo Chiado com um frio de rachar e uma timidez que achei verdadeiramente sincera e deliciosa. E eu fico-me pela objectiva, na sombra da pequena máquina a disparar brilho.

* Cátia Dias from Style it Up
Shooting for NUDE

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PIPAs de gente boa

Com este gosto desmesurado para a escrita e com os posts longos que escrevo, imagino que seja difícil para quem aqui chega, discernir com precisão o que faço.
Sou fotógrafa. Adoro escrever. Escrevo porque não consigo deixar de o fazer. E fotografo porque também não consigo deixar a máquina quieta. Faço fotografias com pessoas, o meu elemento, seja em publicidade, catálogos, editoriais de moda, foto reportagens e sessões de família. E gosto particularmente destas sessões em família porque as pessoas são repositórios de histórias. Sou faladora e gosto de conhecer as pessoas que me procuram. Uma sessão nunca é para mim apenas um somatório de captação de imagens e momentos felizes, gosto de “cuscar” os que as faz felizes. Gosto de saber o que fazem, por onde andaram e por onde pensam andar num futuro. E quem sabe declinar parte das histórias que oiço em textos e saber que uma sessão rende muito além da fotografia, a narrativa que se constrói e a amizade que se ganha. Sim, fotografo famílias e pessoas e adoro. E basta enviar um email para marcarmos uma sessão: isabel@isabelsaldanha.com.
Sei que não tenho uma agenda fácil. Mas já dizia o meu avô, se queres alguma coisa feita, pede a quem não tem tempo.

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As minhas loiras piolhosas e os meus livros

Gosto da imagem baliza, porque imagino logo os sonhos a serem atirados com a força de um pontapé. E adoro estas fotografias que tirei em São Tomé porque adoro retratar da vida e tenho saudades dessa dimensão no meu trabalho fotográfico e prometi a mim mesma que este ano vou trabalhar esta vertente.
Espero que tenham escrito as vossas resoluções para 2018, e espero sinceramente, que tenham acordado no dia 1 com a ressaca de um bom vinho e aquela angústia da folha em branco, porque antes de um grande passo há sempre um enorme cagaço. Sem esse nervo apertado, não há combustível que chegue para acelerar um sonho. Não acredito em mudanças que não fazem suar a alma. Eu já escrevi os meus. Foram modestos, não sonhei muito grande, porque me quero fazer em parcelas pequeninas e há sonhos que ando a preguiçar dentro de mim. Podia perder-me me metáforas só a olhar para estas imagens. E se quisesse ser ainda mais inteligente, não apenas romântica e poética, reparava que há na ausência de conforto uma Liberdade imensa. Tão intensa, que até fere, porque em nada confere a esfera que nos habita. Não se pode ir buscar o pé descalço numa quinzena bem passada no golfo da Guiné e aterrar na Europa cheios de tiques de um pequeno burguês. Tenho um inquilino hippie dentro de mim. Nascesse eu outra vez (que é frase que não gosto) e estava bem acampada numa auto-caravana, rodeada das minhas loiras piolhosas e dos meus livros. Haveria de escrever uma história por cada sítio que passasse, de cada gente boa que conhecesse, de cada fogueira montada, de cada estrela cadente, sem a decadente cadência da rotina apertada. Viveria apenas de histórias e para histórias. Esse é um pontapé que vou dar com força na minha baliza. Nem que sejam preciso mais 6 pés, nem que seja necessário formar um gang e nem que o tenha que chamar pé preto. E nunca irei ser apenas a inquilina de um sonho, hei de ser a hippie desconsertada que o governa e guia.

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Talvez me mates…

…mas faz um ano que tirámos estas fotos e estamos a celebrar a vida.
Já falei que chegue da tua história.
Agora consumo-te apenas como grande amiga, meia irmã, meia filha, meia minha mãe, meio metro que me falta, meia metade minha.
É tudo o que me basta. Mas sabes miúda? Gosto mesmo que os outros saibam que és um ser humano gigante e que o facto, de me teres procurado quando soubeste da tua doença, sem que nos conhecêssemos muito bem, elevou-me como pessoa. São as pessoas com quem nos rodeamos que fazem de nós quem somos. Nunca fui mulher insegura, nem houve um segundo de hesitação da minha parte, quando depositaste em mim a confiança de ser “a” amiga. Não é todos os dias que nos escolhem. As pessoas depositam demasiada esperança nas relações amorosas. É muito importante, mais do que importante, é bom, se tivermos a sorte de achar a companhia certa para a nossa narrativa de vida. Mas quando tarda e não vem, ou mesmo quando é já presente, não ocupa o lugar amplificado da amizade. E os amigos são o alicerce polvo dos nossos dias. Disse-te na altura que tinhas escolhido mal, que era desregrada, que fumava, que tinha horários loucos e pensamentos múltiplos de múltiplos, que não era muito organizada e que esquecia rapidamente as coisas que não me interessavam. Não queria ser cuidadora tua, quando ainda passava os dias a aperfeiçoar os meus skills incipientes de mãe, levados ao limite por duas criaturas adoráveis mas verdadeiramente turbinadas (que tu conheces bem).
Disse-te que sonhava com o mundo enorme e que voava mesmo de olhos abertos. Esqueceria em dois segundos as tuas fragilidades, levar-te-ia a correr comigo, colocar-te ia em condições onde não haveriam condições. E era exactamente isso o que tu querias, filha da mãe!, alguém que se esquecesse no minuto zero a tua vulnerabilidade, que te falasse, te ouvisse e te vivesse como senão existisse um diagnóstico, um protocolo e um milhão de regras. Não as quebramos todas, acho que nunca te coloquei verdadeiramente em risco…e sabes? Penso muitas vezes nisso, quando solto as minhas filhas e as vejo destemidas a subir telhados e árvores, a atravessar a corrente dos rios, a cortarem coisas com facas ou a cozinharem ao lume em bicos de gás. Mas também penso que não sei ser diferente e que é exactamente aí que somos iguais. O pior e o melhor que temos são de uma honestidade atroz. E há uma coisa que nunca vou esquecer: Quando me contaste tudo estávamos em Belém e começou a chover a potes, eu quis parecer normal, fazer a conversa e o momento fluir, para que tu tivesses a confiança que o mesmo se passaria com a vida. Tu estavas encaixada dentro daquelas bolas ocas de madeira para te protegeres da chuva (temos essa fotografia no nosso Instagram, vale milhões emocionais) eu levantei-me, coloquei me ao teu lado e peguei no telemóvel. Na verdade, eu não queria tirar uma fotografia, eu queria que o tempo me desse uma dica, que não se atrapalhasse no silêncio demorado nem na chuva a engrossar. Ergui o telemóvel com as duas e foquei o rio, olhei de soslaio para ti, sorri, e tu disseste-me com imensa serenidade:
“Nunca mais vou querer nada entre mim e a realidade”.

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A minha e as minhas Famílias

Fico sempre com muita ternura quando vejo uma mãe e uma filha abraçadas.
Deve ser porque ando atrás da minha Mogli (a minha filha mais nova) e não recebo nada.
Já sei que é uma fase, andamos nisto desde que se pôs de pé, mas pode ser que passe lá para os 25.
Também queria muito, fazer uma sessão fotográfica com as minhas, antes que elas achem tudo isto abominável. Estou cansada dos seflies familiares em que uma de nós fica invariavelmente com um membro cortado, quando não é mesmo a cabeça.
Com a Caetana safo-me a fotografar, mas com a Camila só com um fotógrafo sniper atrás de um arbusto.
Andamos com mau feitio. E apesar da naturalidade que se quer numa sessão, não gostava de a imortalizar de trombas, mesmo que isso corresponda à verdade 90% das vezes.
Obrigada Tiago e Família por me deixarem partilhar as vossas fotografias. A vossa miúda também tem um feitio efervescente, já o pequenino está na maior em qualquer cenário e circunstância. Tinha saudades de vos mostrar as minhas sessões, tenho muitas para partilhar. Boa gente, bons momentos fazem boas fotos.
E no fim de semana do feriado vou fazer a minha sessão, nem que levE o bolso cheio de gomas para a criança sorrir:)

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PLAY DEAD

Não gosto de baratas. Mas há uma coisa em que elas são mesmo boas, a encenar a morte. Colocam-se de carapaça no chão, de antenas inertes e patas encolhidas. Disseram-me os peritos em desbaratização que o faziam para evitar que o veneno ingerido subisse às vias respiratórias, prolongando o tempo de vida. Se soubessem a quantidade de vezes que me apeteceu fazer o mesmo, aqui mesmo, no chão desta casa que leva o melhor de mim.
Talvez tente, hoje não, que o chão não vê aspirador há dias e dias e eu estou de preto.
Ontem quando estava a regressar de um trabalho recebi um telefonema de uma amiga, uma dessas amigas fortes, que vai a tudo, com tudo o que tem. A conversa era leve, finalizada com uma proposta de um copo de vinho num final de um dia qualquer. Mas quando lhe atirei com a pergunta banal: Como é que está tudo contigo?, fiquei com a impressão que a chamada tinha caído, deixei de ouvir por uns segundos demorados. Acho que nunca a tinha ouvido chorar, mas lá estavam, as lágrimas, as palavras enrameladas e a culpa. A filha da mãe da culpa, que não se finge de morta mesmo quando o corpo que a carrega não aguenta mais. Do pouco que percebi entre as cortinas de choro, havia um emaranhado de vazios por preencher: Os filhos que vemos pouco, as amizades avulso e os amigos sem pulso, as consultas que estamos há semanas para marcar, a reunião na escola mil vezes adiada, a ressaca demorada, a paciência rara, o casamento estanque e as ondas da Nazaré, as relações no trabalho, os atrasos, os embaraços, os recebimentos, os extravios e os envios, o ginásio que não chegámos a pagar, a viagem que não chegámos a marcar, a irmã que estamos em falta e a falta que temos de nós. Ela não conseguia parar de falar, como aqueles trapos infinitos que saem da garganta do mágico. Eu percebo que ela não queira parar de falar, como se a única solução naquele momento fosse o afogamento por excesso. Eu percebo, porque também sei, que quando se inspira e se trava de repente, há uma percepção de desmaio e de tontura, que aprendemos a disfarçar de coisa feita. Não sei bem que vidas são estas, parecem as máquinas de lavar aos tombos na marquise. Mas ninguém parece sair ileso desta centrifugação. E ela diz a chorar, que é tudo demais. Que a escola reclama presença, que o educador se mostre ao educando, exímio no cumprimento do papel que assumiu por voluntária maternidade. Que mandam emails e notificações e passwords de acesso ao aluno virtual, duas vezes real. E que há festas, trabalhos de casa, trabalhos de grupo e experiências premeditadas para potenciar a participação generosa entre progenitor e cria. E também há fichas para assinar e testes para ver e livros para ler e corta-matos e falta de serras eléctricas para aliviar o peso de tudo isto.
Sabes? Sabes? Não tenho horas que cheguem para ser tudo o que me pedem para ser num dia. Nem sei ser tudo. E chora. Sou uma merda, diz. E vejo pessoas, como não as ver, que parece que chegam como polvos a todas as dimensões da vida. Que tomam pequeno almoço em família e está tudo feliz e tudo condiz. E as crianças vão aos “pulinhos” para a escola e não há migalhas, não vejo as minhas nódoas naqueles casacos, nem as canetas desbotadas naquelas mochilas. E os meus filhos não sorriem assim…ou sorrirão, e eu já não reparo. Mas eu sei que não sorrio. E se por azar me vejo reflectida num espelho qualquer, acho-me velha e feia, mil vezes envelhecida em cada manhã. E não há corrector de olheiras que disfarce o olhar vazio. Sinto-me baça Isabel, sinto-me baça.

(…To be continued)
#CRÓNICA 3 | MULHER

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Coisas boas de Mãe

A última vez que fui mãe, em verbo imediato e parido, foi há 9 anos. E já só tenho algumas memórias da minha gravidez.
Foi tudo tão desejado e depois tão tranquilo, que nem os pontos que não levei, me ajudam a recordar, o preciso momento em que as minhas filhas saíram da minha barriga para o meu colo. Tenho reminiscências de um ternura desmedida, da vontade que tinha de lhes conhecer as feições e de um “cagaço” sincero de tudo o que ia mudar, a minha vida, o meu corpo, o meu destino. A minha irmã está neste momento no hospital para ter a Maria da Luz.
É nestas alturas que recordo as minhas barrigas e o nascimento das minhas miúdas.
Parece-me tudo tão distante agora. Há coisas que nem recordo com precisão. Passa tudo tão rápido.
Olho para elas agora, gigantes, autónomas, opinativas e já pouco lhes encontro o traço dos bebés que foram.
No fundo, todas as mães sabem, que cresçam o que crescerem, haverá sempre espaço que chegue de colo, mesmo que seja sentado:)
Ainda não sinto saudades de ter um bebé. Não sei se alguma vez terei outra vez. Mas conheço de cor a magia única daqueles momentos em que nos entregam nas mãos um filho. Sei o que é a ampliação imediata de um coração, o choque de adrenalina do primeiro toque, o som único dos nossos filhos e a relação que se vai criando, em cada momento de alegria e de cansaço. Desses momentos tenho saudade. A bolha dentro da bolha. A vida que se abre dentro da vida.

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