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#MÃEDASFILHAS

Era tudo tão loiro e tão fácil:)
Até me dá vontade de rir, só de pensar no que me queixava de barriga cheia.
Duas criaturas impecáveis, que dormiam um sono acima do justo, relativamente autónomas, dentro da fragilidade própria da idade e sempre mega sociáveis. Ainda estamos no arranque das aulas e eu não me devia queixar…eu sei…até porque estas fotografias antigas, foram tiradas no Meco nas férias de Verão de 20…e o sol brilhava para nós como se fosse mesmo, só para nós.
E a vida não é um Verão eterno, só mais comprido, a adivinhar pelas temperaturas. Mas engana, porque apetece prolongar o espírito da coisa e a rotina impõe-se implacável. Devia fazer tanta coisa que adio. Faço tanta coisa que podia adiar. Se pudesse começava por sacudir esta capa de culpa, que se cola às mães como uma segunda pele, parece aquele humidade dos trópicos que nos escorrega pelas entranhas.
Até ser mãe era mais ligeira. Amplifiquei-me emocionalmente, mas pesa-me sempre, o peso das coisas por fazer. Coisas que eu sei de cor…como faria. Estão lá na lista dos to do´s, agarradas com um post it ao coração.
É por isso que suspiro pelo meu tempo, na minha semana com elas, da mesma forma que suspiro de saudade na minha semana sem elas. De uma certa forma, tenho a minha rotina emocional assegurada nesta montanha russa da custódia partilhada. Lamento pouco enquanto me faço à vida dos dias, mas sabe bem este bater de tecla, como quem bate um papo. Não somos assim tão diferentes, gosto deste lado da humanidade que não se envergonha de viver no limbo da imperfeição. Dá-me até, uma certa ternura, a forma como acusamos o que negligenciamos. Não sei onde estão as boas mães, mas sei que é nesse intervalo de gente, que estão as mulheres verdadeiras.

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Família Saldanha (mas não é a minha)

Estas tragédias que vivemos nos últimos dias reforçam-me sempre a importância da unidade da família.
E quando faço estas sessões penso invariavelmente na minha. Protejam sempre os vossos, na medida do Impossível, dos problemas predadores, do desmazelo das rotinas, das pressas dos dias, da tentação das paixões rasteiras. Fechem-se as vezes que precisarem de se fechar sobre vocês mesmos, porque não há bolha com maior capacidade de oxigénio que a dos nossos. E mesmo quando parece sufocante é como um abraço apertado num dia de calor. Não deixa de ser um abraço. Sou pouco de lamentar mas se tivesse a maturidade que tenho hoje tinha dado o meu peito a todas as balas. Tenho a sorte de ser testemunha nestes momentos que se repetem com famílias que vou acompanhando ano após ano. A ver crianças pequenas a ficar adolescentes e os pais a envelhecerem de mãos dadas. Não trocava o que faço por nada. E fecho-me com tranquilidade no triângulo delicioso da minha família.

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PORTUGAL SEM TRIPÉ

PORTUGAL SEM TRIPÉ

Já é público e oficial. E é com imenso orgulho, daquele grande, grande, que anuncio que fui convidada, juntamente com um fotógrafo que adoro, o Luis Mileu – https://www.instagram.com/mileu/, para ser júri de um concurso promovido pela HUAWEI e pelo Turismo de Portugal.

O desafio é simples: Tirar uma fotografia que ilustre o que de melhor têm as regiões e os recantos do nosso Portugal. Não precisa de ser um postal, não precisa de ser um detalhe, é o que quiser, desde que faça jus à beleza imensa do nosso País. As fotografias podem ser tiradas com o dispositivo que quiser (máquina ou telemóvel). Depois, só tem que partilhar no instagram com o hastag #portugalsemtripe e fazer upload no site www.portugalsemtripe.

São sete as regiões, queremos ver Portugal inteiro a participar em grande. No final, serão eleitas as sete melhores fotografias, assim como as maravilhas do mundo.

E o que é que a malta ganha? Perguntam vocês.

Para além de um Boot Camp com workshops de Phonephotography meus  e do Luis Mileu, ainda leva na mão um Huawei P10 com uma mega câmara Leica, que o vai deixar a pensar, porque é que passou a vida carregado com uma máquina.

Hoje foi o lançamento oficial. E já andei a tirar fotos com o meu P10.

Aqui vai um cheirinho do dia. Mas não se percam muito por aqui e vão apanhar Portugal aí fora. E não se esqueçam do hashtag: #portugalsemtripe.

http://www.portugalsemtripe.pt/

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Já lá vão 4 anos

Que o tempo passa, passa. Que passe é bem!
Há 4 anos atrás no convento de Mafra conheci a Cristina. Tinha o mesmo sorriso que tem hoje e a mesma energia contagiante, que lhe reconhecem. É alta, pensei. Mas o que mais me impressionou foi o tamanho do seu sorriso, tão grande como a sua simplicidade, mesmo do alto dos seus louboutins. Não estava nervosa porque pouco conhecia da Cristina, e nessa altura, não fazia ideia que o shooting fazia parte de um projecto maior chamado Daily Cristina. Foi lá que conheci a minha amiga Inês (lembro-me tão bem da honestidade da nossa primeira conversa), o Tiago Froufe e a Inês Franco. Éramos iguais mas mais pequeninos. É inegável que tu empurras para à frente as pessoas que acreditas, e que acreditas mais num bom coração que num exímio profissional. Esse é talvez um dos teus maiores talentos, o de saberes escolher os teus. Mas não há casamento a solo. E a equipa fermentou e cresceu em conjunto. Foram muitos shootings de improviso, muitas megas produções, foi muita gargalhada, muita conversa boa e muito trabalho. Nunca me lembro que nos tenhamos zangado, mesmo quando “quase” nos obrigas a madrugar para correr ou para não ficar sozinha a tomar o pequeno almoço. Acho que vamos ser sempre uma equipa, como uma daquelas irmandades que não se desfaz. E o mais engraçado é que somos todos tão diferentes, de sonhos e lugares opostos, mas tudo gente de alma boa. Que se juntou voando, para te fazer voar.

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Moedinha número 1

Refiro-me muitas vezes à Caetana chamando-a da minha “moedinha número 1”. Como não é do tempo dela tive que lhe explicar que o Tio Patinhas, tio do famoso pato Donald e homem de abastada fortuna, tinha uma moeda número 1. Tinha várias, uma piscina delas, onde mergulhava sem se magoar. Mas tinha a sua moeda número 1, protegida numa redoma.
Aquela com que a sua fortuna começara. A Mariana é a tua primeira filha. E minha afilhada. E vai ter uma mana. Como a Caetana tem a Camila. (Enfim, espero que uma versão de irmã mais apaziguada). Combinamos esta sessão como quem combina um café à pressa. A Luz já era fraca, saquei da máquina, de um ISO elevado e disparei. Entre a conversa solta fui tirando estas fotografias. Ainda não as viste, eu sei. Está aqui uma amostra, um mimo desta madrinha “maluca” como dizes à tua moedinha número 1. Por estes dias vais ter a segunda moedinha e tudo o que conheces vai mudar outra vez. Não faz mal. Vai parecer complicado ao princípio mas depois fica melhor. Ter uma casa cheia com aqueles que gostamos é de longe a melhor decoração. Como provavelmente vais ter pouco tempo daqui para a frente, antecipo-me e levo já umas três destas fotos emolduradas, quando for conhecer a nova cria. Ainda não sei se já decidiram o nome, mas eu já decidi que vou gostar tanto dela como da minha Mariana.

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( mais, pelas) AMIGAS

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Sempre adorei estas sessões de amigas. Lembram-me das coisas que ainda quero fazer com as minhas.
Lembram-me da urgência do tempo. Dos milhares de fins de semana combinados em noites de conversa boa. Lembro-me inevitavelmente das histórias que ficaram por acabar.
Da forma como crescemos rápido. A Maioria emparelhadas e já com filhos. E como agora tentamos encaixá-los nos nossos serões.
Devíamos dar sempre tempo a este tempo nosso. Porque a gargalhada da amizade enrijece-nos, torna-nos mais imunes, mais capazes.
Porque o tempo passará sempre. E será sempre melhor neste passar acompanhado.

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Sessão Nadia & Família

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Querida Nadia,

Percebi bem as tuas saudades de Portugal. Acho que percebi que gostavas que eles tivessem o mesmo orgulho que tu tens, das tuas raízes.
E adorei que tivéssemos conversado sobre isso. Sobre a Saudade franca. Não é fácil estar longe da nossa primeira morada. Seja em França, na Suíça, em Londres ou na África do sul.
E sei bem, que tudo o que se recria lá fora, não se cria com a mesma expressão com que é cozinhado cá dentro. Também tenho o pai das loiras emigrado e não há dia que passe que não pense que o mundo é injusto, quando afasta famílias, quando nos obriga a ir semear lá fora, sabendo que o tempo não se recupera nos regressos curtos.
Mas os nossos filhos são cidadãos de um mundo maior, que alargamos para eles, para que lá coubesse todo o amor, todos os sonhos e as nossas ambições. Tenho a certeza que vão amar Portugal como se cá tivessem vivido e que vão regressar um dia, fortes, sãos e inteiros para ajudar a fazer deste sonho, que o emigrante leva longe, de levar o nosso País ainda mais além. Obrigado pelos chocolates. Bem melhores os que se fazem por aí.
E venham nos visitar sempre:)

Beijinhos portugueses,
Isabel S

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Gostei dele como gostei de pouca gente.

INES & AVO-19

Não gosto de ser repetitiva, mas a verdade é que não tive grande sorte na família que me calhou. Pelo menos, na que não dependeu directamente de mim para a sua constituição. E se calhar (repetindo o verbo) não há forma bonita de se dizer isto: Mas com excepção de alguns parentes, quase tudo não rezará na história, pelo menos, não na minha. Mas há um homem que me marcou profundamente, que lançou as raízes da sua alma dentro da minha e que fez toda a diferença na construção positiva da pessoa que hoje sou: O meu avô.
Gostei dele como gostei de pouca gente. No meio do caos, ele ensinou-me a estruturar as dúvidas, a orgulhar-me das incertezas, a não ter medo de chorar e a fazer cerimónia com a tristeza. Ensinou-me a hierarquizar as dores e a arruma-las sem medo de as tratar por tu. O meu avô era uma pessoa simples, sem a graça das frases feitas, que não fossem feitas apenas por si. O que ele me ensinou, sem me querer ensinar, revela-se em todas as madrugadas do meu dia e em todas as noites que parecem não acabar. Quando a Inês me desafiou para esta sessão, não podia ter ficado mais feliz. Uma neta e uma avó, só pode ser uma narrativa feliz. A sessão aconteceu em Campo de Ourique, no bairro onde a avó trabalhou e viveu grande parte da sua vida. Percorremos a pé as ruas, desde a Igreja do Santo Condestável até ao Jardim da parada. Detivemos-nos nos cruzamentos para abraços e histórias. A Inês pedia a avó que não chorasse a recordar, mas a avó já não tem vergonha das lágrimas que escorrem quando o coração sente. A Inês reconhece na sua avó um pilar, uma mulher de força, uma referência. E como é uma miúda cheia de inteligência e coração, sabe que as pessoas boas da nossa vida se gozam em presença, para fazer durar ainda mais, na nossa memória. A Inês não é daquelas netas que só vê os avós em noites de consoada e dias de celebração. A Inês procura diariamente a avó, e não é apenas no consolo da voz num telefonema distante, é na mãos sobre as suas mãos. Enquanto fotografávamos a Inês revivia as histórias da avó, como quem sabe uma música de cor. A minha assistente estava tão comovida que se virava para limpar as lágrimas. Foi talvez das sessões mais ternurentas que fotografei, e se não tirei 1000 fotografias, foi porque gastei mais de 1000 segundos, para sorver em palavras boas, o que só as imagens mais felizes conseguem traduzir.

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Progressos engarrafados

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Não cheguei a tempo de apanhar o granizo na janela. Estava entretida com trabalho. E como adoro o som do trovejar, embrenhava-me ainda vez mais no que estava a fazer, como se cada relâmpago fosse o dedo tirano de um pai mandão e eu fosse apenas a filha obediente. Assim, enquanto a paisagem posava para os telefones da vida, eu escrevia e editava. Quando virava a cabeça para a janela era só para pedir que a chuva se encostasse à noite, que a tempestade durasse até ser horas de abrir o vinho, que o granizo fosse a outra banda sonora do filme que ia ver. E ainda que não tivesse visto o granizo, senti cada pedrinha que embateu na janela, como a pulsação da alma, que procura na tempestade o desequilíbrio perfeito para se fazer vingar. Depois fui à rua, sentir o ar frio e resgatar os ilíquidos da tempestade. Hoje é dia de pensar a fundo no meu vinho. O vinho #filhasdamãe que se fez com os acabamentos de granizo e uva. E ainda que estas imagens, nada tenham a ver, têm tudo. Porque a vida irrompe como uma tempestade a atalhar o sol. E estas imagens têm imenso sol, a mesma pose da tempestade e o mesmo clique do relâmpago e do trovão.
Não cheguei a tempo de apanhar o granizo, mas abri a janela à melhor das tempestades, a que cria.
E amanhã dou notícias dos progressos “engarrafados” da minha trovoada, sob a forma singela de uma garrafa de vinho.

*Shooting Mafalda Castro for NUDE

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É aqui que eu estou

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“Por momentos pensou esquivar-se por entre a transparência da água. Susteve a respiração e mergulhou inteira no quente da banheira. Debaixo de água olhou para cima, empurrou as gotas pesadas com a grossura das suas pestanas e viu tudo igual, tudo turvo, como via à superfície.” IS

É aqui que eu estou nas Casas do Côro em Marialva. Já aqui estive há oito anos quando a Camila ainda não era projecto e a Caetana tinha dois anos. Tenho boas recordações mas não foi delas que vim à procura. Vim ao encontro de mim. E é aqui que estou a escrever à boca da lareira grande, com o tinto sobre a mesa e os dedos em riste sobre o teclado. Claro que já me encheram com uma posta mirandesa, uma sopa de cebola gratinada com presunto, uma entrada de queijo da serra derretido com doce de pimento, uma salada de folhada de bacalhau e coentros e um bolo de chocolate quente com gelado de nata. Tenho uma poltrona de veludo a galar-me a digestão. Mas vou fingir que não sei quem é e prosseguir. A escrita dá me pica, o sono só me alimenta a esperança de um novo amanhã. Até já:)

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