filhas da mãe

São Tomé & Principe

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Enquanto falo a mala para me pirar daqui a bocadinho e gozo os últimos cartuchos agarradinhas às minhas loiras, deixo aqui alguns dos melhores momentos que marcaram a nossa ida a São Tomé. E um excerto que escrevi sobre este pedacinho delicioso de terra:
“Há uma ilha no Equador que é feita de verdes e de amarelos. É assim que começa a história de duas meninas que foram conhecer um sítio que virou lugar. Essas duas meninas eram irmãs e tinham 3 e 6 anos. Eram meninas de sorte porque já tinham ido viajar para a América do Sul, México, República Dominicana e para tantos outros sítios, onde existiam crianças e piscinas muito compridas, buffets gigantes e noites de musicais. Desta vez a mãe decidiu que as queria levar para longe dos resorts acéticos, dos ambientes protegidos, dos aglomerados de famílias, das pulseirinhas e do esparguete à bolonhesa. Queria um sítio diferente, onde a animação era construída ao compasso da vida serena, onde o relógio dos dias era o Sol e a Lua e as crianças construíam os seus próprios brinquedos. Um lugar onde a natureza fosse soberana, onde as estações se misturam e as ruas fervilham de pessoas. Um local onde o maior souvenir é o sorriso, e o íman que fica para colar no frigorífico é uma memória que dura para sempre.
E assim foi.
Sem saber exactamente para onde iam, embarcaram para São Tomé e Príncipe em Agosto, uma antiga colónia portuguesa que se situa no Golfo da Guiné e que foi descoberta pelos portugueses em 1470.
Algumas pessoas próximas das meninas tinham medo, porque a Malária estava quase extinta mas não totalmente erradicada, porque não existem hospitais com qualidade e porque não havia muitos turistas a levarem crianças pequeninas para o interior da ilha. Mas a mãe decidiu que era a aventura que queria que vivessem e cheias de sorte, aterraram nessa ilha feita de verdes e amarelos, numa madrugada quente. Estiveram dez dias na ilha e nunca tomaram outro banho, que não fosse o do mar morno e das pessoas quentes. Nem se lembravam que havia países onde há piscinas de quilómetros e escorregas, nem notaram a falta do buffet imenso, nem dos gelados servidos a sorver musicais. Com graça, a mais pequenina das irmãs perguntava à mãe, se ali só existiam castanhos. Se eram as únicas amarelas da ilha. E a mãe sorria, porque tudo o que a mãe sonhava era que as suas duas filhas aprendessem a viver num mundo que não distingue Pantone, com um sorriso que não distingue pessoas, entre a floresta, a areia e o que a terra devolve a quem sabe receber. Durante os dias que lá estiveram, viajaram de carrinha de caixa aberta e de coração no mesmo modo.
Respiraram a humidade densa da floresta enquanto percorriam as curvas acentuadas da estrada do Sul, pararam para se encher de verde, brincaram com todas as crianças de todas as bermas, em todas as ruas, andaram descalças nas praias de areia preta e amarela, mergulharam com os amigos novos e com os velhos a quem dávamos boleia, entraram pelas casas nas aldeias, pelos quartos nas roças e saltaram à corda no meio da população como se fossem saltimbancos ambulantes a dar show entre cidades. Quando a noite caía, elas caíam com a noite, mas a cabeça repousava nas histórias vividas e nos sonhos do que ainda iam viver.
Nunca noutro destino, noutro sítio, como neste lugar foram tão livres. Mesmo no bairro onde viviam, onde as pessoas se falavam e as ruas se entornavam de gente, foram tão bem recebidas como aqui. E mesmo quando a fome apertava entre os quilómetros de terra batida, supria-se o alimento com brincadeira, e ao jeito de desenrasca havia sempre uma mão castanha que nos apanhava um coco, que nos descascava uma papaia ou que nos safava um dos mil tipos de banana na versão frita. Quando fomos visitar as roças as duas irmãs não queriam acreditar na beleza daquelas casas comidas pelo abandono do tempo e pela força da vegetação.
Nada daquilo se parecia com nenhum sítio onde tivessem estado. Olhavam para as crianças vestidas com pouca roupa, observavam as t-shirts rotas, as linhas soltas, as sandálias descosidas e não lhes faltava na cara um sorriso rasgado. A mais velha das irmãs ia mais longe nas questões, e percebeu o quão felizes eram com tão pouco que tinham. E uma noite pediu à mãe que lhes desse a roupa que traziam nas malas. Naquele dia todas as meninas da aldeia vestiram vestidinhos compridos e saias rodadas. Mas ao invés de os fecharem em casas à espera de ocasião, vestiram-nos de imediato, como fazem as pessoas que sabem que a felicidade está no Presente da vida. Nesse dia os vestidos ficaram cheios de areia e restos de fruta, foram a banhos e a rodas. Provavelmente quando lá voltarmos, os vestidos terão a mesma força do desgaste de tudo o que é vivido. E se as irmãs já não se poupavam à vida, tenho a certeza que regressaram com a consciência acesa de que há momentos, pessoas e oportunidades que se devem consumir no momento em que a vida nos dá a conhecer.
E se a ilha marca pela beleza descomprometida da paisagem, da floresta que cresce sem travão, das árvores que dão frutos enormes, do cacau plantado, das pimentas e das bananas, a ilha marca sobretudo pelas pessoas, pelos sorrisos e pela proximidade. E se as praias desertas dão um estímulo ao turismo galopante é mesmo nas pessoas desta ilha que reside a natureza selvagem de tudo o que cresce e multiplica.
Quando chegaram a Portugal, e nos meses que se seguiram, as manas perguntavam vezes sem fim quando regressariam, tinham saudades dos amigos castanhos, das multidões das aldeias e da liberdade. Não apanharam nenhuma doença, nenhum escaldão e poucas foram as picadas de mosquito. Não passaram fome, nem sede. Dormiram todas as noites estafadas da felicidade dos dias e carimbaram o passaporte da vida, com o íman das melhores recordações. Voltei a São Tomé sem as duas irmãs, mas quero regressar em breve, com as duas meninas que vieram de uma ilha com muito mundo. E que perceberam que viajar não é sair de casa para entrar num ambiente protegido, feito à medida dos nossos sonhos. Viajar é conhecer outros sítios que se tornam lugares nas nossas vivências, que nos transformam, que nos desafiam a sermos humanos e que nos fazem crescer, mesmo quando já passaram anos desde que de lá partimos. Porque uma viagem é verdadeiramente uma semente e nós só o sabemos quando nos sentimos diferentes. E naquela ilha pequenina, rodeada de mar, aprenderam sem qualquer moral que o pior mal é não puderes ser tudo o que queres.
Só porque ali, puderam ser tudo. Obrigado STP.”

Isabel Saldanha

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Para as pessoas mais importantes do Mundo

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É assim que o pequeno se faz grande.
É nos detalhes que a alma das coisas se revela. É naquele sussurro na orelha ao acordar, é nos pés que se encaixam nas madrugadas frias, é na tábua de madeira pintada à mão, é no caminho feito de pedras que só pediam uma ordem, é no respeito do que já era bom, é no acarinhar do que já se tem de belo, é na construção humilde sob um pano de fundo trabalhado pela natureza, é no detalhe que dá brilho sem ofuscar, no machado que repousa sem partir, na tábua que se entorta no uso dos cotovelos, é na cabeça baixa que contorna a videira. É na alma grande, de quem acrescenta pequeninas coisas, sem a ambição das coisas maiores.
E são estes sítios, com essas pessoas, nesses detalhes pequeninos, que descubro as coisas grandes em mim.
Os Moinhos de Ovil têm essa magia, esse toque de pó de fada, esse brilho. E nós voltamos de lá mais PAN´s que Peter, deixámos os ganchos na corrente do rio e chegamos a Lisboa com a certeza que ainda temos alma de meninos perdidos. E que voltaremos, as vezes que forem precisas, para nunca nos chegarmos a encontrar.
Só porque a graça da magia, dizem as fadas mais sábias…está no brilho da procura eterna.

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Moinhos de Ovil

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Descobri os moinhos quando fui convidada para fotografar um editorial de noivas aqui no Douro. Mas apanhei um dilúvio tão grande que pouco vi do que prometia e regressei nessa mesma tarde a Lisboa. Mas não esqueci a Eduarda. E a sua simpatia prometia um reencontro. Regressei ontem com as minhas miúdas. Na promessa de levar do Douro um coração coeso e uma memória rica. Demora cerca de 3 horas aqui a chegar e quando finalmente viramos para Marco de Canaveses percebemos nas manchas carbonizadas da paisagem a dor dos últimos incêndios. Mas o verde volta a ganhar contraste à medida que nos aproximamos de Ovil. Depois…depois foi entrar num sonho. Um antigo moinho convertido numa casa caiada de bom gosto, num labirinto de rios e pedras, num cem número de socalcos decorados com magia. E as loiras entraram, (“invadiram” seria o verbo correcto) e exploraram o espaço, preparado com o carinho, de quem sabe receber com mimo, quem chega e vem por bem. Todos os cantos são desenhados e integrados na paisagem como se a mão do homem fosse apenas um condão. A Eduarda recebeu-nos com uma mesa farta e não havia na casa, um pormenor que fosse, que não fosse pensado para nós. Foi amor à primeira vista, e hoje já é terça e continuamos apaixonadas. Como aquele livro que relemos o penúltimo capitulo vezes sem conta, para adiar o fim. E assim faremos, enquanto estivermos aqui, presas no mais doce dos penúltimos capítulos.

*Amanhã coloco valores. contactos. serviços. e afins. Hoje não queremos formalizar o sonho.

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Fragmentos de um Verão

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“Férias”, aquela palavra que isolada soa sempre bem, mas férias não são isolamento, são colectivo numeroso, aqui para os meus lados.
Não é fácil, ninguém disse que era fácil, mas todos os anos melhoramos com os erros dos anos que já passaram.
A família ganha nova configuração, acrescem trabalhos, ganha-se em número, empenha-se a liquidez, ganham-se novas rugas, abrem-se velhas garrafas. Aprendemos a dois, que a felicidade a seis só é possível, se contemplar momentos a dois. Aprendemos a requisitar ajuda, apertámos no orçamento, mas ganhamos o direito a um pôr do sol só para nós. Levámos baldes e setas, raquetes e brinquedos velhos do Verão anterior, redobramos o ânimo, olhamo-nos com cumplicidade e brindamos à vida.
Isto é tudo muito fugaz para suspiros demorados, que não sejam no enlaço do torpor, de quem já foi com a palhinha aos açúcares baixos da caipirinha.
Estamos felizes. Se podíamos estar mais?
Talvez, mas a idade tem essa magia, a de amaciar a ansiedade de tudo o que poderia ser, com a alma cheia de tudo o que já é.
Estes são alguns fragmentos do nosso Verão…

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ESTADOS DE ALMA

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As loiras continuam no campo de férias a milhas de Lisboa, felizes da vida, a fazerem frete bom para virem ao telefone dizer à mãe o quanto se estão a divertir.
A mãe também não está nada mal, verdade seja dita.
Com tempinho bom para ir ao ginásio a horas malcriadas, escapadelas de praia, jantares prolongados, sapatos na sala, cinzeiros no escritório, livros nas cadeiras da cozinha e copitos de pé alto em filinha indiana na bancada. As pessoas perguntam-me se me estou a aguentar, eu respondo que estou a VIVER.
Deixei-as bem entregues, radiantes com a ideia de passarem duas semanas no meio da montanha, com roupa coçada dos verões passados, ténis usados, sacos cama e lanternas. Já tive a mesma idade e a mesma vontade. Tinha uma mãe bastante menos liberal, bastante mais protectora. E apesar de sermos 4 irmãs, um colectivo tipo gangue, fazia lhe alguma aflição a distância, esse caminho menos percorrido, por quem teme o que não conhece.
Uma vez numa entrevista perguntaram-me se ao educar as minhas filhas, me lembrava da educação que a minha mãe me tinha dado, e se o que fazia vinha em continuidade, ou por “boa” rebeldia” em contraste. Nunca tinha pensado a fundo nisso, confesso.
Sou mãe por intuição, sigo as indicações do meu coração e tenho uma certa fé, em acreditar, que o meu bom senso e a chata da minha mãe, tiveram o seu contributo na minha forma de estar e de ser, mesmo no capitulo por vezes nebuloso da maternidade. A vida dar-me à as respostas e eu farei, como tenho feito até agora, os devidos ajustes. Uma coisa é certa, passaram 72 horas de campo de férias e ambas sentimos o mesmo. <3

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De partida para o campo de férias

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As loirinhas estão de partida para o campo de férias. São 15 dias fora, numa estreia absoluta para ambas. Já estive longe bastante tempo em viagens de trabalho e de gozo, mas é a primeira vez que as deixo num sítio, sem que o conheça ou sem conhecer pessoalmente as pessoas que as cuidarão lá. Sou uma mãe descontraída, não tenho queda para penas de galinha e as minhas miúdas estão habituadas a pessoas, a locais e a imprevistos. Mas há um apertozinho de ansiedade ao saber que estão a 4 horas da mãe, que fica em Lisboa e que o pai está a milhas na África do Sul. A minha decisão de as colocar num campo fora de Lisboa não foi só a de tirar umas merecidas férias das filhas da mãe, foi dar lhes vivências diferenciadas, fora dos círculos citadinos e convencionais, foi dar lhes calo, resiliência e generosidade. Ali não há tecnologia para amparar a timidez e o vazio, há natureza bruta e convívio humano. Tenho uma certa esperança de as ir buscar numa versão melhorada, confesso;) E tenho a certeza que depois de 2 semanas sem loiras elas vão apanhar a mãe numa versão i.os 10!

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“Assim para o simples”

Ontem esteve muito calor. Depois de ir buscar as loiras ao ATL da escola, cheguei a casa e tomei um banho. Pus um vestidinho curtinho de flores e ouvi logo um “UAU” das miúdas, como se tivesse colocado um vestido à Globos de Ouro. Ri-me da expressão delas e perguntei porque é que estavam tão surpreendidas, a Caetana disse-me com jeitinho cerimonioso que eu andava sempre “assim para o simples” e que era raro colocar um vestido. A verdade é que por questões práticas visto-me sempre de forma cómoda, sendo o epitáfio da estética o meu conforto. Sou fotógrafa e são raras as vezes (graças a Deus), que a profissão obriga a um kit mais elaborado. Gosto deste tipo de looks, com calças ainda mais largas e sapatos confortáveis. Quem me conhece sabe que uso uma espécie de uniforme de meia-estação que inclui sempre umas leggings, uns ténis e uns casacos de estilo militar, com um boné e um casaco de capuz. Quando tenho um jantar vasculho no armário uma coordenado mais “uau”, mas pela força do hábito, acabo sempre por me vestir no mesmo alinhamento, com a diferença que carrego ligeiramente na maquilhagem. Às vezes fico a olhar-me no espelho com uma saia rodada ou um vestidinho mas sinto-me fora de mim. Como se aquela imagem não fosse inteiramente eu. Já percebi pelo espanto de ontem que vou tentar caprichar no visual para as miúdas cá de casa não ficarem a pensar que por cada vestido há uma passadeira vermelha.

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243 Palavras | Caetana | 5º E

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“Na minha opinião, os animais são nossos amigos, porque eles não só nos fornecem comida, como também fornecem lã, leite, queijo…e também são muito meigos, e só nos atacam quando têm medo ou se sentem ameaçados.
Eu percebi, que no contexto do livro a viúva e o papagaio, o papagaio era muito amigo da velha viúva e não só pelo conteúdo da obra, eu penso que isso é mesmo real.
Os animais são como pessoas, só que não falam: ladram, miam, uivam etc, mas eles nunca nos deixam infelizes, eu penso que eles são uma grande companhia para a alma.
Eu adorava ter um animal, não só para fazer companhia,mas também para dar festas, eles iriam fazer de mim uma pessoa ainda mais feliz.
Noutro dia, eu vi uma menina pequenina e pobrezinha, mas na realidade eu penso que ela não era pobrezinha, porque ela tinha um cãozinho e esse cãozinho era o seu tesouro.
Na minha opinião, como no presépio tem animais, eu acho que como Jesus nasceu junto de animais isso deve ser bom.
Eu também penso que quando uma pessoa se sente sozinha, o melhor era arranjar um gato,um cão um coelho etc.
A minha vizinha vivia sozinha, sentia-se sozinha, quando eu la fui a casa dela, aconselhei-a comprar um cão, um coelho, um gato, um animal qualquer, ela comprou um gato e a vida dela mudou, ela passou a sentir-se bem, animada e muito feliz. Como se ganhasse alma nova.”

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Caetana
5º E

(Acho que no capítulo animais já me safei, agora vamos lá ver como é que ela trata os seres humanos ♥)

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Sentir

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Dizes que não percebes porque é que ela não chora quando o pai vai embora. Dizes com voz ferida, que ela não sente. Que quem sente fala, que quem sente, diz. É difícil para mim explicar-te que há pessoas que sentem, mas não falam do que sentem, que choram por dentro, que gritam por dentro, mas que não mostram aos outros. A tua irmã é diferente de ti. Tem a mania que é durona, mas sente, tem a mania que é seca, mas chora. E acredita, que sente igual a ti, a falta que o pai lhe faz. Eu sou das que sente, mas já fui das que cala. Agora deixo o sentimento falar em voz alta, não o filtro, não o travo e não o encomendo. Mas já fui assim, durona. A última a deitar a lágrima. Como se no final fosse receber uma medalha de valentia. E já senti muita inveja de quem chorava com o corpo todo, quem enlameava a cara de lágrimas e não escondia o inchaço dos olhos cansados. Depois aprendi a disfarçar a dor com alegria, tornei-me palhacinha das minha emoções, aquilo que a tua irmã às vezes faz, quando não suporta o peso do que carrega.
Aí maquilha-se a tristeza de piada, exclamam-se frases de motivação, ergue-se o peito para a frente, levanta-se o queixo e desafia-se o medo de sentir.
Tu não. E eu também te adoro por isso, tu choras quando sentes e ris quando tens vontade. Mas não és melhor que ela por isso, és diferente. E nós precisamos uns dos outros, para não nos afundarmos todos num abraço que tem mais de peso que de bóia. Acho que temos sorte cá em casa. Para cada peso, haverá sempre duas medidas. E assim a saudade estará sempre de mãos dadas com um sorriso.

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Uma mãe feliz e cansada

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Já não há skype, facetime e whatsapp que mate a bilateralidade da Saudade e o meu cansaço. Por muitas razões, mais ou menos óbvias, todos ansiamos de novo pela santíssima trindade do Pai e filhas.
Eu cá fico-me pelo Espírito santo de quem atravessou este último período a ferros, entre testes, saraus e explicadores. Venha daí essa saudade com sabor a reforma antecipada. Deste lado há uma mãe feliz e cansada, a precisar de um tempo largo de namoro a dois, refeições a dois, passeios a dois, despertar a dois, e tudo o que de bom se faz quando a três já é demais.

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