do caraças

No feed de notícias do Facebook

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Faço um esforço titânico para não comentar algumas coisas que leio no feed de notícias do Facebook, e um esforço ainda maior para não comentar quem comenta despudoradamente tudo o que lê, numa exaltação de ofendido, com um olhar carrasco, com uma obsessão cega de justiça, como se fossem carniceiros da razão e bastiões de bom senso. E mesmo quando uma situação me choca ou toca, faço um esforço por recolher fontes de informação que me sustentem emocionalmente a razão. Não deixo que o brio maternal (que não reclamo) nem as práticas alimentares (que não pratico) nem a religião (que não profetizo) se sobreponham sem escrúpulos ou filtros às situações que são descritas.
E o mais estranho de tudo, é que há notícias “humanamente” tão graves, que conseguem ter comentários que as suplantam em horror.
Não sei quem são essas pessoas, nem quero saber, mas gostava que a minha vida fosse suficientemente sã, para que nunca tenha que colidir, interagir ou qualquer outra prática verbal, com esses seres que de humano sobejam muito pouco.
Bom dia Primavera:)

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Hoje estou estupidamente feliz.

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Estes dias têm sido tão velozes, que nem tem dado tempo, para dar aos momentos, o que eles merecem.
Hoje estou estupidamente feliz. As miúdas têm os últimos testes (não me canso de o dizer) e para mim, começa um reinado de tranquilidade, outro tipo de tranquilidade, já que as loiras rondarão o pedaço em busca do que fazer. Mas cada coisa no seu dia. Para ser feliz, é preciso saber reagendar preocupações. Mas não era nada disto que eu queria partilhar. Só não me contenho de alegria. (hoje é Burger king para toda a gente e o melhor reserva tinto para os crescidos). O que eu queria mesmo é dar os Parabéns à Rita da fotografia. A cozinheira dos cozinhados que fotografei para um livro delicioso que já está nas bancas deste Portugal. Disse na apresentação do livro, que quando a Rita me contactou por email estava longe de achar ser, a pessoa indicada para um roll de fotografias de alimentação saudável. Eu, rainha obstinada das tábuas de enchidos, discípula de Baco e devoradora de gomas. Mas é no contraste que se ganha definição e demo-nos como melão e presunto.
Obrigado miúda do Sul por me teres confiado o norte das tuas fotografias. E por teres sublinhado com este projecto que as calorias da amizade são as que mais nos engordam de vida. Que mantenhas sempre esse teu açúcar.
http://ritasmessykitchen.blogspot.pt/

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3 ANOS | PARABÉNS “DAILY CRISTINA”

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Esta foi uma das fotografias da primeira sessão que fizemos no dia 16 de Abril de 2013.
Não te conhecia, nem tão pouco como a colega do Goucha nas manhãs da TVI. Nem te sabia uma celebridade com tanto fã assíduo. Encontrei-me contigo e com a Inês Mendes da Silva no jardim do Convento de Mafra, tinhas visto o meu trabalho com a Maria Guedes e enviaste-me um email para marcarmos uma sessão. Se soubesse na altura quem eras, talvez tivesse ficado ansiosa, talvez não tivesse dormido e talvez, a nossa amizade não tivesse fluido como flui até hoje. Foi tudo tão fácil nessa sessão, és tão descomplicada, tão prática e tão acessível, que não senti por um segundo, comprometida com o resultado final. Foi nesse dia que também conheci a Inês, e lembro-me, como se fosse hoje, de tudo o que falamos. Desde esse dia, até hoje, que não nos largamos mais. Construímos sonhos, projectos, ideias e trabalhamos com um sorriso transversal a todas essas memórias. E o melhor disso tudo é que parece um exagero do bom que foi, mesmo tendo sido ainda melhor! Ajudaste-me a crescer muito, deste-me visibilidade, mas dêmo-nos acima de tudo isso, uma Amizade rara.
A equipa cresceu, os projectos expandiram-se, as solicitações somaram-se. Mas há uma certeza que permanece: Aconteça o que acontecer, venha quem vier, seremos sempre amigos.
Porque o que une desde o primeiro dia esta equipa é um sentido enorme de pertença, a um lugar onde somos sempre felizes! heart emoticon Parabéns Daily Team.

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Não sou ferrenha mas sou benfiquista.

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Não sou ferrenha mas sou benfiquista.
A minha mãe é do Porto, o meu pai era do Belenenses e metade das minhas irmãs é do Sporting. E o Pedro é do Braga:) Temos para todos os gostos:)
O pai das loiras é lagarto mas não resisti a mandar-lhe as fotos das Filhas da mãe ao rubro, enquanto se empinavam na varanda da rua a cumprimentar os pares que desciam ao Marquês.
Vestiram todo o vermelho que tinham nos armários, mesmo que isso implicasse uns collants cheios remendos, a t-shirt da maratona e um casaco vermelhinho dois tamanhos baixo. Pegaram no meu batom vermelho e fizeram riscas de índio nas bochechas, “SLB” na testa, pintaram a boca e a manta até onde podiam.
Quando a vitória era mais que certa, pegamos em tabletes de chocolate e sumos de pacotes e juntámo-nos à cascata de gente que descia. Nunca a Camila ouviu tanto palavrão junto.
Mas o compasso apressado da festa, os tubos de escape, as bandeiras gigantes, os cânticos em uníssono, as famílias inteiras, confundiam a gramática. Quando chegamos aos cordões de segurança, a Caetana delirou com a ideia de ser revistada, e antes que o polícia a mandasse avançar, já ela estava de braços erguidos e pernas afastadas, como se tivesse sido catada numa rusga, cheia de gomas nos bolsos.
Os ombros ainda doem ao Pedro das cavalitas forçadas, porque a festa era extensa e a visão panorâmica é a tricampeã da realidade. Voltamos para a casa a cantar pela rua, de mãos dadas e cheias de pica. Capitalizamos o momento da vitória num momento de família. Acho que é por isso, que celebro com ânimo estas conquistas, porque no dia da vitória, parece sempre tudo um bocadinho menos egoísta.

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Há dores que passam mais rápido

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Hoje de manhã quando estava no ginásio uma senhora sentiu-se mal. Dobrada sobre as dores lombares é socorrida de imediato por um simpático PT que a transporta entre braços para uma maca e a deita com muito jeitinho.
Está cerca de 30 minutos de expressão sofrida a ser massaja entre mãos e sacos de gelo.
No entretanto, suponho que tenham ligado ao marido porque 15 minutos depois chega um senhor grisalho e engravatado sem protectores nos sapatos, que eu reparei.
Mal avista o marido, a senhora queixosa, engole as dores e senta-se na maca de um movimento só…só porque há dores que passam mais rápido que outras.

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COM TODOS OS DENTES

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Raramente se ouve a expressão “homem maduro”. Madura é normalmente a fruta e a mulher. Desde que me lembro, que oiço as pessoas dizer que as meninas são mais maduras que os rapazes, numa idade em que tudo o que deviam ser era fruta verde. Depois crescemos, de meninas passamos a mulheres e o epíteto de madura, ganha a forma de uma pessoa densa.
Não sei se quero ser madura. Não, sem antes perceber se madura é como a fruta macerada que ganha manchas acastanhadas do calor e da apalpação. Preferia quando me portava bem e as tias “maduras” me diziam apenas:
– Estás uma menina crescida.
Dessa maturidade marcada que vem do uso excessivo não gosto. Mas adoro o pressuposto da mulher vivida, embora quase todas estas expressões remetam para um universo relacional cheio de peripécias e meios finais. No fundo, acho que não gosto de ambas as expressões: “mulher madura e vivida”, soa-me logo a alguém de casaco com borbotos, ombros curvos, muita base, olhar demorado sobre o chão e o infinito.
E quando oiço dizer ela é muito mais madura do que ele, penso que isso deverá reflectir 99% das relações que conheço.
Talvez tenha dado jeito à economia forreta das relações, que as mulheres sejam maduras há muito mais tempo que os homens. Talvez dê jeito, ao desmazelo fantasioso de alguns habitats partilhados, acreditar que todo aquele tempo se viveu com o Peter Pan. Mas isso não faz da mulher madura um Capitão Gancho, faz nos pesadas, complexas, empedernidas.
Eu não quero ser mulher madura, quero ser a Windy descalça no parapeito da janela, pronta a voar na leveza dos sonhos que não envelhecem. Eu não quero ser mãe de filhos e de marido.
Essa maturidade camuflada em competência, eu dispenso.
Até porque consta, que para ser dispensada, basta apenas não crescer. Então talvez eu prefira a solidez altiva da fruta verde, à maça caída sobre o chão. Mesmo que isso signifique que numa só trinca venha o fim de toda a dentição.
Porque a verdade das boas relações é que elas se querem vividas com todos os dentes.

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Insónias

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Tenho sofrido de insónias nas últimas semanas.
Não tenho qualquer dificuldade em adormecer mas tenho espertinas súbitas, como se o corpo fosse puxado à superfície, os motores estivessem na pista de arranque e os olhos abertos como se fossem holofotes rotativos de prisão.
Não consigo identificar as causas, nem tenho nenhum pensamento obsessivo ou angústia particular.
Estarei a diminuir a ingestão de vinho? A sobrecarregar o corpo de exercício físico (tenho ido ao ginásio todos os dias, caraças) será o stress do fim das aulas? Acho que em caso de dúvida, posso tomar propriedade do diagnóstico e decretar férias! É que este tempinho introspecto está mesmo a pedir uma janelinha extra no google chrome:) ou uma sesta a P&B para não comprometer a estética do dia.

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MULHERES

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Quando eu era criança acreditava em fadas.
Suponho que uma das coisas mais chatas do processo de crescimento é a falência de alguns sonhos sobre a realidade.
Mas o processo de maturação não tem porque ser subtrativo, pode e deve ser aditivo.
E a somar à fada que se perde, descobre-se a Mulher que somos.
E sinceramente, gosto mais da multiplicidade e da eficiência da mulher que descobri, do que da fada que me encantava.

‪#‎norescaldododiadamãe‬

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“UMA CASA NUM ESCRITÓRIO”

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Já há alguns anos que não trabalho por conta.
Trabalho para contas.
Não tenho que levar com as flutuações de humor do chefe, nem com as oscilações temperamentais dos colegas do lado. Mas passo a vida no banco on-line a conferir transferências. Não tenho que simular sorrisos amarelos para aquele cromo que insiste em projectar-se na tua sombra, fazendo luz das tuas ideias. Nem preciso de ir tirar um café para concluir uma conversa parva num chat do whatsapp, ou fugir para a casa de banho para mandar uma selfie atrevida. Mas também, não sei das últimas pelos últimos, nem tenho grupetas divertidas de corredor. E mais, não tenho que andar engomada porque a minha imagem só reflecte no espelho da minha casa de banho, não preciso de trocos para as maquinas de “vending” e posso enfrascar-me em cafés, contando que tenha cápsulas. Nos dias mais tenebrosos, posso manter o pijama, ouvir música melancólica aos altos berros e fumar um cigarrinho manhoso em frente ao ecrã. Mas há sempre o seu “q” de solidão em tudo isso. Tenho a sorte do meu trabalho implicar pessoas e saídas constantes. Tenho a minha assistente que trabalha escondida no computador à minha frente e a Fátima que passa cá umas horas a ajudar na lide da casa. De resto, só batem à porta por engano ou os correios. Já me passou pela cabeça alugar um escritório, partilhar um cowork, dividir um estúdio. No principio duvidei da minha capacidade em trabalhar em casa. Imaginei me a bezerrar no sofá, refastelada de livros, televisão ligada às 11h e torradinhas no prato ao alcance de um braço deitado. Mas isso era quase impossível, não tenho feitio sequer para permanecer na cama depois de acordada, mesmo quando estou no scroll do Instagram. Acordar é viver. E viver para mim, salvo a excepção dos prazeres confinados à cama, implica uma certa verticalidade. Depois de levar as miúdas à escola, arranco para o ginásio, do ginásio para o escritório e depois é obedecer à agenda dinâmica do dia. Não me levanto a meio da manhã para fazer tostas mistas e quando tiro um café bebo-o bem à frente do monitor. As pausas para o almoço têm o mesmo ritmo das cantinas das multinacionais, com a diferença que posso ir ao meu frigorifico sacar uma mini e desenrascar umas gomas da dispensa para a combustão dos açucares.
Mas acabo por ser muito disciplinada. E muitas vezes, rio-me com a Ângela (a minha assistente) pelo tempo que demoramos entre a vontade comunicada de ir à casa de banho e a hora que nos levantamos efectivamente para aliviar.
É a escola do tempo comprimido que comanda a agenda do dia.
E mesmo solta dos aguilhões dos patrões e dos olhares ambiciosos dos colegas menos colegas, acabo por me impôr um regime de horas de trabalho que ultrapassa na sua maioria as 8 horas obrigatórias por lei. Talvez aí, mais do que nunca se faça sentir a expressão “sentirmo-nos em casa”. Saber bater a porta do escritório torna-se imperativo e dominar a tentação de ir “teclar mais um bocadinho”, uma necessidade soberana. Sem fazer essa aprendizagem, corremos o risco de passar a viver num escritório em casa, em vez de vivermos num casa que tem um escritório.
*http://gerireliderar.com/uma-casa-num-escritorio/

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AS PRAGMÁTICAS

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Ontem falei da velhinha rezingona do lance de escadas.
Hoje falo-vos do meu balneário de ginásio, onde encontro ocasionalmente um grupo de senhoras de 60/70 anos ainda cheias de vapor da hidroginástica e que ocupam todo aquele cantinho onde me visto. Ainda não lhes fixei o horário mas cada encontro é um compêndio.
Sem que percebam, remexo e remexo no meu cacifo para poder demorar-me entre esta fabulosa alcateia. Revejo-me nelas, imagino-me igual, desempoeirada e feliz, revendo os meus episódios recentes enquanto puxo as meias de vidro.
A minha avó não tinha a mínima graça comparada com estas jovens de aspecto idoso.
Dizia uma delas a propósito dos netos:
– Sou professora de desenho. E quando o meu neto de cinco anos me vem mostrar um desenho com 3 linhas a dizer que é um pássaro, eu digo-lhe logo: “Querido neto, 3 paus não fazem uma avezinha.”
O riso foi colectivo.
A mais ternurenta delas, responde:
– É só uma criança. Devias dizer-lhe que estava bonito.
O que seria!- responde, levantando-se. – Não concordo com o elogio da mediocridade. Esta mania, que agora os pais têm de enfeitiçar de elogio a mínima criação dos filhos, com medo de estrangular um Picasso, arrepia-me. Se o meu neto tivesse jeito, elogiaria. Como elogio quando faz construções de legos, torres altíssimas com pontes içadas. Para isso o miúdo tem muito jeito. Agora desenho, não tem nem jeito, nem vontade.
A mãe disse-lhe para ficar ali entretido, contra a vontade, a desenhar uns rabiscos, para a seguir o manda vir dar à avozinha. – E continuou:
Nem o miúdo queria pintar, nem eu. Lá por ser uma avó enternecida, não tenho que perder a capacidade de distinguir o bom do mau, e o talento da vontade. Comigo não embarcam nisso. Querem a minha opinião dou-lhes a verdade. Amo o meu neto mas disse-lhe mesmo à boca cheia:
– “Com três paus não se faz uma avezinha! Querido, isto não é nada…”

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